Duna: Parte 3 aposta em figurinos mais sombrios

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Duna: Parte 3 teve novas imagens divulgadas, e os figurinos já mostram que a próxima viagem a Arrakis será bem mais sombria.

Uma nova fase para o visual de Duna

Em Duna, roupa nunca é só roupa. Ela fala de poder, pertencimento e sobrevivência, às vezes antes mesmo de um personagem abrir a boca. Para o terceiro filme, a figurinista Jacqueline West está mudando as referências e deixando para trás o estilo que ela descreveu como “modieval”, uma mistura de medieval com moderno.

Em conversa com a Vogue, West explicou que a história agora pede uma estética mais escura, que começa em terreno sombrio e caminha em direção à redenção. Em vez de repetir a fórmula visual dos longas anteriores, a equipe olhou para o Renascimento, pinturas religiosas, as cortes papais europeias e a cultura etrusca.

Também entram no caldeirão Francisco de Goya e o estilista Cristóbal Balenciaga. É uma combinação que, no papel, parece improvável; justamente por isso, tem potencial para dar ao filme uma identidade própria. A ideia não é vestir personagens como se tivessem saído de um livro de história, mas usar essas referências para expressar o peso de um universo que está mudando.

Paul e o peso do trono

A trama se passa cerca de 20 anos depois de Duna: Parte 2. Paul Atreides, vivido por Timothée Chalamet, venceu os Harkonnen e chegou ao poder, mas a vitória não vem com manual de como ser feliz. Agora imperador, ele precisa encarar as consequências da própria ascensão e as tentativas de assassinato contra sua vida.

Os figurinos vão refletir esse isolamento. Para pensar no visual de Paul, West buscou inspiração em Howard Hughes, empresário que passou anos afastado do mundo em uma cobertura de hotel em Las Vegas. Não é uma referência literal, mas ajuda a entender o clima: um governante cercado de poder, mas cada vez mais distante das pessoas ao redor.

Esse tipo de escolha é onde o figurino de Duna pode contar uma história sem precisar parar a narrativa para explicar tudo. O traje de um imperador não precisa apenas parecer imponente; também pode carregar a sensação de que o homem dentro dele está preso.

Alia, Irulan e Chani: três caminhos

Alia Atreides, interpretada por Anya Taylor-Joy, terá roupas majoritariamente brancas, com referências a pinturas religiosas de Giotto e ao sufismo. Mas a inspiração mais inesperada é Carrie, a Estranha, clássico de terror de Brian De Palma. A ideia surgiu numa conversa entre West e o designer de produção Jack Fisk, marido de Sissy Spacek, estrela do filme.

Depois de ver um desenho de Alia coberta de sangue, Spacek apontou a semelhança com sua personagem Carrie. A equipe decidiu acentuar essa conexão. É uma referência deliciosa para quem conhece o terror de 1976 e também um sinal de que a personagem pode ganhar uma presença visual inquietante.

Irulan, vivida por Florence Pugh, seguirá outro caminho: o azul será predominante em seus figurinos, associado à melancolia de uma mulher presa a um casamento infeliz. Adornos religiosos e elementos de armadura devem reforçar essa mistura de vulnerabilidade e posição política. Chani, por sua vez, mantém traços da cultura fremen, preservando sua ligação com Arrakis.

Arrakis também muda de roupa

Até os stillsuits, os trajes que ajudam os fremen a sobreviver ao deserto, vão ganhar uma atualização. A nova proposta é mais ajustada ao corpo, com aparência próxima à de roupas de mergulho, usando lycra e uma textura que lembra borracha. É uma mudança prática e visual: o equipamento continua ligado à sobrevivência, mas ganha outro desenho para essa etapa da saga.

Scytale, personagem de Robert Pattinson e metamorfo, terá um figurino inspirado no período em que a corte papal deixou Roma e se estabeleceu em Avignon, na França. Já Hayt, vivido por Jason Momoa, aparecerá com roupas luxuosas, quase como um presente destinado a Paul. O contraste entre os dois promete ser bem interessante, especialmente num filme em que aparência e identidade podem ser armas.

O que esperar da Parte 3

O novo filme adapta Messias de Duna, segundo livro de Frank Herbert, com Denis Villeneuve novamente na direção. A história acompanha Paul como imperador e explora o custo de sua vitória, enquanto Chani enfrenta uma gravidez de risco. Para quem espera apenas mais uma guerra grandiosa no deserto, vale ajustar a bússola: a proposta parece olhar também para as consequências políticas e pessoais do poder.

Duna: Parte 3 estreia nos cinemas brasileiros em 18 de dezembro de 2026, na mesma data de Vingadores: Doutor Destino. E, pelo que Jacqueline West adianta, a disputa daquele dia não será só por escala: Arrakis chega com um guarda-roupa preparado para contar uma história mais sombria, estranha e cheia de simbolismo.

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