Danças em aberturas de anime atravessam décadas, estilos e até as ruas de Akihabara.
- Passos que vêm de longe
- Quando a dança conta história
- Haruhi sai da tela
- Dois jeitos de mexer o corpo
Passos que vêm de longe
Tem abertura que a gente reconhece pelos primeiros acordes. Outras ficam na memória porque, de repente, os personagens começam a dançar como se a sala de estar fosse uma pista. A Crunchyroll reuniu exemplos dessa tradição, que vai de animações dos anos 1970 a sequências feitas com técnicas bem diferentes.
Um dos registros mais antigos citados é o segundo encerramento de The Gutsy Frog, de 1973. Nele, o protagonista dança com um leque. No ano seguinte, a abertura de Heidi coloca Heidi e Peter dançando em círculo por 14 segundos. É uma ideia simples, mas tem aquele charme de uma sequência que não precisa explicar nada: a música começa, os personagens se juntam e pronto, já estamos no clima.
O interessante é ver como a dança não precisa ser um número grandioso para funcionar. Às vezes, poucos segundos de movimento dão personalidade a uma abertura ou encerramento. E, convenhamos, quando uma coreografia combina com a música, fica difícil não tentar acompanhar, mesmo que a coordenação motora entregue um episódio filler.
Quando a dança conta história
Em Urusei Yatsura, a abertura Dancing Star usa a dança para mostrar uma mudança de atitude: Ataru começa relutante e, depois, entra na brincadeira com entusiasmo. A seleção da Crunchyroll também destaca que Izumi Kobayashi compôs essa faixa e Lum no Love Song. A coreografia, nesse caso, não é só um enfeite no intervalo entre a música e o episódio. Ela ajuda a apresentar o personagem.
Já a terceira abertura de Touch! mistura imagens de campos de beisebol e vestiários com uma rotina de ginástica de Minami. É um contraste bacana: o esporte continua presente, mas o movimento também ganha seu próprio espaço. A lista ainda passa por Ultra Relax, segunda abertura de Kodocha, situada em 1997. O compilado da Crunchyroll sobre danças em aberturas e encerramentos ajuda a enxergar como essa ideia muda de uma obra para outra.
Não existe uma fórmula única. A dança pode ser uma brincadeira visual, uma apresentação de personagem ou simplesmente o momento mais inesperado de uma abertura. E isso é parte da graça: nunca dá para saber se o próximo anime vai apostar numa roda, numa sequência de ginástica ou em algo completamente diferente.
Haruhi sai da tela
O caso mais famoso da seleção talvez seja o encerramento de The Melancholy of Haruhi Suzumiya. Ao som de Hare Hare Yukai, os personagens fazem uma coreografia que não ficou presa aos créditos finais. Segundo a Crunchyroll, uma gravação de 2007 mostra fãs reproduzindo os passos nas ruas de Akihabara.
Aí a relação entre anime e público muda de escala. Uma sequência criada para fechar um episódio vira algo que as pessoas podem aprender, repetir e compartilhar. Não é só assistir à dança; é entrar nela. Em tempos de vídeos curtos e trends, essa ideia parece familiar, mas o registro de Akihabara mostra que a vontade de imitar uma coreografia de anime já estava por aí bem antes de todo mundo carregar uma câmera no bolso.
Também tem algo muito especial em imaginar fãs ocupando um espaço público para celebrar uma série. É o tipo de cena que explica por que certos encerramentos viram parte da cultura de uma obra, e não apenas aquele trecho que a gente pula quando está maratonando.
Dois jeitos de mexer o corpo
Os exemplos mais recentes e variados mostram que a dança pode aparecer em linguagens bem diferentes. A abertura de Tenjo Tenge incorpora capoeira. Já a abertura de The Perfect Insider, dirigida por Kazuaki Seki, apresenta três pessoas dançando com uso de rotoscopia. Uma escolha traz uma referência direta a uma prática corporal; a outra parte de movimentos filmados para construir a animação.
Colocar lado a lado a roda de Heidi, a ginástica de Minami, os fãs de Haruhi em Akihabara e a rotoscopia de The Perfect Insider deixa claro que dançar em anime não significa sempre a mesma coisa. Pode ser um detalhe simpático, uma ferramenta para caracterizar alguém ou uma ponte entre a tela e quem está assistindo.
E talvez seja por isso que essas cenas continuam chamando atenção. A música acaba, o episódio começa, mas alguns passos ficam na cabeça. Quando uma abertura consegue fazer o público dançar junto, mesmo décadas depois, ela já fez mais do que apresentar uma série.
Sugestão para o seu Set-up Nerd:
Encontramos produtos incríveis com desconto!















