A Bola Preta venceu o Prêmio do Público em San Sebastián e segue acumulando motivos para entrar no radar.
Mais um prêmio na rota
O longa espanhol A Bola Preta conquistou o Prêmio do Público da 74ª edição do Festival de San Sebastián. A cerimônia aconteceu neste sábado, 26 de setembro, e confirmou que o filme não está só fazendo barulho entre críticos e profissionais da indústria: o público também comprou a ideia.
E não é um prêmio isolado na estante. Em maio, na estreia mundial em Cannes, os diretores Javier Calvo e Javier Ambrossi, conhecidos como Los Javis, levaram o prêmio de Melhor Direção. Depois, o filme também recebeu o Prêmio do Público no Festival de Toronto. San Sebastián é mais um capítulo de uma temporada que começou com o pé bem firme.
Na disputa pelo reconhecimento do público em San Sebastián, A Bola Preta enfrentou títulos como All of a Sudden, Club Kid, Coward, A Terra do Meu Pai, Minotaur, Cavalo Selvagem Nove e Fjord. A vitória dá ao longa uma combinação valiosa: prestígio de festival e uma resposta positiva de quem sentou para assistir.
O anúncio foi publicado pelo perfil oficial do festival, em uma mensagem que celebrou a vitória da produção dirigida por Calvo e Ambrossi:
https://x.com/sansebastianfes/status/2103880688399528408
Três homens, três tempos
A narrativa atravessa três épocas: 1932, 1937 e 2017. Em cada período, acompanhamos a história de um homem gay, em tramas que se conectam ao longo do filme. É uma estrutura que abre espaço para olhar como desejo, identidade e repressão mudam de forma conforme o tempo, mas continuam deixando marcas.
O ponto de partida vem de La Bola Negra, obra inacabada do poeta e dramaturgo Federico García Lorca. O roteiro também se inspira na peça La Piedra Oscura, de Alberto Conejero, que assina o texto ao lado dos dois diretores. Não é pouca coisa juntar Lorca, memória histórica e três linhas narrativas em um mesmo filme. A ambição está clara; agora, o desafio é fazer essas partes conversarem sem perder o lado humano da história.
Lorca e um elenco de peso
O elenco reúne nomes espanhóis e internacionais. Guitarricadelafuente faz sua estreia como ator, acompanhado por Carlos González, Miguel Bernardeau, Milo Quifes, Lola Dueñas e Alberto Cortés, que interpreta o próprio Lorca. Penélope Cruz, Glenn Close e Julio Torres também estão no filme. É uma escalação que chama atenção sem precisar de um multiverso ou de uma cena pós-créditos para convencer.
Com Los Javis na direção, a produção parte de um material ligado à cultura espanhola, mas aborda temas que não ficam presos a uma fronteira. As três épocas ajudam a colocar lado a lado experiências distintas, enquanto a inspiração em Lorca acrescenta uma camada de história e de obra interrompida. Pelo menos no papel, há bastante matéria para um drama que queira ser íntimo e abrangente ao mesmo tempo.
O que vem pela frente?
Depois de Cannes, Toronto e San Sebastián, A Bola Preta chega à temporada de premiações com uma trajetória que já chama atenção. O filme aparece entre as apostas da Netflix para o Oscar de 2027, embora prêmio de festival não seja passe automático para uma indicação. Oscar é aquela saga em que cada etapa abre novas possibilidades, mas ninguém deveria comemorar a vitória final antes da hora.
No Brasil, a estreia nos cinemas está marcada para 21 de janeiro de 2027, com distribuição da Paris Filmes. Até lá, a sequência de reconhecimentos ajuda a colocar o longa no mapa para quem acompanha cinema internacional. E, convenhamos, três prêmios importantes antes da estreia brasileira são um baita convite para ficar de olho. Agora falta descobrir como essa história vai chegar ao público daqui, longe do clima de festival e diante da tela grande.
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