Ana, En Passant venceu o prêmio do público na mostra Vanguard do Festival Internacional de Cinema de Vancouver 2026.
- O público de Vancouver escolheu Ana
- Uma caixa, duas chaves e um passado a descobrir
- Animação que mistura técnicas e memórias
- Uma trajetória que começou há mais de dez anos
- O que vem agora para o filme?
O público de Vancouver escolheu Ana
Tem notícia que dá vontade de comemorar em voz alta, e esta é uma delas. A animação brasileira Ana, En Passant conquistou o prêmio do público da mostra Vanguard no VIFF 2026, o Festival Internacional de Cinema de Vancouver, no Canadá. Entre os vencedores do evento, o longa foi a única produção brasileira.
Prêmio escolhido pelo público tem um sabor especial: não é só um reconhecimento da curadoria, é uma resposta de quem sentou na sala e se conectou com o filme. Para uma produção independente e construída ao longo de tantos anos, esse retorno é um baita incentivo. E, convenhamos, ver uma animação brasileira ganhar espaço num festival internacional é motivo para tirar o chapéu.
O festival celebrou a vitória em uma publicação nas redes sociais:
https://www.instagram.com/p/Dec0DnUEg_FG/
Uma caixa, duas chaves e um passado a descobrir
A protagonista é Ana, dublada por Jéssica Pierina. Depois da morte da avó brasileira, ela deixa Paris e segue para Belo Horizonte. A despedida vem acompanhada de um conjunto de pistas: uma caixa com uma carta, objetos, duas chaves e um endereço na capital mineira.
Esse ponto de partida transforma a viagem em uma investigação sobre a própria família. Ana tenta compreender uma história que não conhece, enquanto a trama atravessa temas como memória, ancestralidade e os laços entre gerações de mulheres negras. Não é uma aventura de mapa e tesouro no estilo pirata de One Piece, claro, mas há algo igualmente poderoso em seguir pistas para descobrir de onde viemos.
O elenco de vozes também conta com Zezé Motta e Carlos Francisco. A presença dos dois reforça o peso da experiência e da memória numa história que olha para as relações familiares sem separar o passado da vida de quem está aqui agora.
Animação que mistura técnicas e memórias
Ana, En Passant combina animação 2D, rotoscopia, colagem e stop-motion. Em vez de apostar numa única linguagem visual, o filme reúne técnicas diferentes para contar essa busca por identidade e pertencimento. É uma escolha que conversa diretamente com uma narrativa feita de lembranças, objetos e histórias transmitidas de uma geração para outra.
Essa variedade também chama atenção porque animação não precisa ficar presa a uma fórmula. O meio pode ser delicado, experimental, realista ou tudo isso ao mesmo tempo. Aqui, a mistura de estilos acompanha uma história íntima e ligada a lugares concretos, de Paris a Belo Horizonte, sem reduzir a experiência de Ana a uma simples viagem entre cidades.
O longa foi produzido em Minas Gerais, em coprodução com Portugal e França. Essa colaboração internacional nasce de uma história muito conectada à experiência brasileira, mostrando como uma produção pode carregar raízes locais e, ainda assim, conversar com públicos de diferentes países.
Uma trajetória que começou há mais de dez anos
Fernanda Salgado dirige o filme, que marca sua estreia na direção de um longa-metragem. Mas essa estreia não surgiu de repente: a cineasta está envolvida no projeto há mais de uma década. Em 2012, o roteiro foi selecionado para o Script Station, programa de desenvolvimento ligado ao Berlinale Talent Campus.
É o tipo de percurso que ajuda a entender por que o prêmio de Vancouver importa. Levar um projeto da etapa de roteiro até a tela exige persistência, especialmente numa produção que reúne diferentes técnicas de animação e parceiros de mais de um país. O reconhecimento do público chega como um novo capítulo para uma obra que já percorreu um caminho longo antes mesmo de conquistar a plateia canadense.
O que vem agora para o filme?
O prêmio no VIFF coloca Ana, En Passant em evidência e amplia a vitrine internacional da animação brasileira. Não há, nas informações divulgadas, detalhes sobre estreia comercial ou disponibilidade para assistir ao longa, então por enquanto vale acompanhar os próximos anúncios da equipe e dos festivais.
O mais importante é que uma história sobre família, memória e ancestralidade encontrou espectadores do outro lado do continente. Para quem acompanha cinema brasileiro, fica aquela torcida para que essa conquista ajude o filme a chegar a ainda mais gente. E para o público nerd que gosta de narrativas sobre descobrir as próprias origens, a jornada de Ana já tem um começo que promete render conversa.
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