Animações de Street Fighter vão trazer o passado de Ryu e Ken para as telas com um visual que pisca para os animes dos anos 90.
- Flashbacks com espírito de anime
- Nostalgia com propósito
- Um torneio e velhas feridas
- O que essa mistura pode entregar?
Flashbacks com espírito de anime
O filme de Street Fighter, que chega aos cinemas brasileiros em 15 de outubro, vai alternar cenas em live-action com trechos de animação desenhados à mão. A ideia é acompanhar momentos importantes da formação de Ryu e Ken e mostrar como o mestre Gouken marcou a trajetória dos dois.
O vídeo de bastidores divulgado pela Paramount apresenta essa escolha visual e a equipe por trás dela. O trabalho teve participação do estúdio Titmouse, com Young Heller na supervisão de animação. E sim, é uma decisão que combina com uma franquia que nasceu nos fliperamas, mas cresceu também na imaginação de quem assistia a anime nos anos 90.
Confira o material oficial de bastidores:
As sequências animadas não parecem estar ali só para dar uma pausa estilosa entre os socos. Elas servem como flashbacks e ajudam a apresentar a relação dos protagonistas com Gouken, que terá a voz de Ma Dong-seok, também conhecido como Don Lee, nesses segmentos.
Nostalgia com propósito
O diretor Kitao Sakurai cita Akira, Ghost in the Shell e Dragon Ball Z entre as referências visuais. É uma lista de respeito, mas também daquelas que acendem um alerta: citar clássicos é fácil; transformar influência em identidade própria dá mais trabalho.
A boa notícia é que a proposta descrita pela equipe não é simplesmente colocar um filtro retrô e chamar isso de homenagem. A animação tradicional pode dar outra textura aos recuerdos dos personagens e separar visualmente o passado do presente. Se funcionar, a mudança de linguagem vai fazer parte da narrativa, não ser só um enfeite para o trailer.
Takayuki Nakayama, diretor de Street Fighter V e Street Fighter 6, já viu o filme e elogiou a ação e a maneira como as emoções são transmitidas. É um comentário interessante vindo de alguém que conhece por dentro o jeito como esses lutadores se expressam. Ainda assim, a prova de verdade vai ser ver se o filme consegue fazer os personagens importarem para quem não decorou golpes especiais desde a época do fliperama.
Um torneio e velhas feridas
A história se passa em 1993. Ryu e Ken são convocados por Chun-Li para participar do World Warrior Tournament, competição que reúne lutadores de diferentes partes do mundo. Só que o campeonato esconde uma conspiração, e os dois terão de encarar ameaças do presente e questões mal resolvidas do passado.
Essa estrutura dá espaço para o filme equilibrar o espetáculo das lutas com uma história de origem. E Street Fighter tem um desafio bem específico: seus jogos são lembrados tanto pelos personagens quanto pela pancadaria. Se a trama ficar séria demais, pode perder a energia exagerada que faz parte do pacote. Se apostar só em golpes e poses, corre o risco de deixar tudo raso. O ponto ideal está em entender que dá para ter drama e ainda soltar um Hadoken sem pedir desculpas.
O elenco mistura nomes do cinema, da TV e do entretenimento. Andrew Koji interpreta Ryu, Noah Centineo é Ken e Callina Liang vive Chun-Li. Entre outros nomes estão Joe Anoa’i como Akuma, David Dastmalchian como M. Bison, Cody Rhodes como Guile e Jason Momoa como Blanka. É uma escalação que certamente vai render conversa entre os fãs, especialmente pela variedade de perfis reunidos.
O que essa mistura pode entregar?
As animações podem ser o diferencial mais curioso do longa. Em vez de tratar a origem de Ryu e Ken como uma explicação corrida antes do próximo combate, o filme tem a chance de transformar esses momentos em pequenas histórias visuais, com ritmo e personalidade próprios.
Também existe um carinho evidente pela memória dos animes que ajudaram a formar o imaginário de muita gente. Para mim, a referência funciona melhor quando aparece na linguagem e na emoção, não como uma lista de easter eggs para o público marcar. Street Fighter não precisa virar Akira com luvas de boxe; precisa encontrar um jeito convincente de ser Street Fighter no cinema.
Com a estreia marcada para 15 de outubro, a expectativa agora é ver se o filme consegue juntar nostalgia, ação e personagens que vão além de seus golpes mais famosos. Se as cenas animadas derem peso ao passado dos protagonistas sem frear o ritmo do torneio, já será um belo primeiro round.
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