Ataque Brutal é ruim de um jeito que dá vontade de continuar assistindo, porque o filme troca o suspense pela zoeira e acerta em cheio no entretenimento “trash com coração”.
- Conheça o caos de Annieville
- Por que não vira suspense (e isso ajuda)
- O absurdo que funciona como comédia
- Efeitos e roteiro que tremem, mas não irritam
- Dá para assistir sem culpa, né?
Conheça o caos de Annieville
Quando a Netflix anunciou Ataque Brutal, eu fui com aquela energia de “vai ser o Top 1 e eu vou estar certo”. Spoiler: dominou a audiência, mas o filme é muito ruim. Só que ruim no sentido divertido, sabe? Mais “tá acontecendo coisa absurda na minha TV” do que “preciso analisar cada detalhe como se fosse Oscar”.
A trama acontece em Annieville, na Carolina do Sul, onde um furacão nível cinco, o Henry, transforma tudo em cenário de desgraça aquática. Diques rompem, ruas viram rios e, claro, a natureza decide participar do roteiro: tubarões acabam indo parar no meio da cidade, criando um cenário perfeito para resgate virar pânico com escamas.
O detalhe que torna tudo ainda mais chamativo é que o filme junta peças improváveis: uma mulher grávida, uma jovem com agorafobia sem os pais por perto, e crianças presas a um padrasto vigarista. E para “explicar” o interesse dos tubarões no meio do caos, colocam um caminhão de açougue preso na inundação. Ou seja: a física do universo? deixa pra lá. O que importa é o espetáculo.
Por que não vira suspense (e isso ajuda)
A ideia era fazer suspense. A ficha técnica inclui Tommy Wirkola, diretor que já trabalhou com o clima de caos sobrenatural em Noite Infeliz, e a produção de Adam McKay, de Não Olhe Para Cima. O problema é que o filme não sustenta o suspense por muito tempo. A montagem é rápida demais, as conexões entre núcleos não engrenam e, em vez de te prender na cadeira, ele te solta para rir do absurdo.
E aqui mora a virada interessante: o longa parece não se levar a sério. Quando você entende isso, a experiência melhora. Dá para acompanhar como quem vê um “chefão” impossível no modo fácil do videogame: você sabe que vai dar errado, então passa a torcer pela cena mais absurda possível.
O ritmo também prejudica a construção. O filme tem menos de uma hora e meia, e muita coisa aparece sem tempo para respirar: equipe de reportagem, dupla de cientistas e um tio que tenta dar contexto. Só que esse contexto vem rápido demais, como tutorial jogado na tela enquanto o inimigo já começou o ataque.
O absurdo que funciona como comédia
Se tem uma coisa que Ataque Brutal faz bem, é transformar situações bizarras em momentos que viram piada involuntária. O melhor exemplo está no final, com uma cena que faz valer o sofrimento de quem aguentou até lá.
A reprodução da música A Thousand Miles, da Vanessa Carlton, é o tipo de escolha que ou você acha genial ou acha “que roteiro foi esse?”. Eu caí no segundo e depois, instantaneamente, no primeiro. A cena do parto acontece na água, com tubarões por perto, e a montagem consegue ser tão fora da curva que vira comédia pura. E ainda tem o tubarão branco entrando como salvador, como se fosse um NPC lendário do mapa.
Além disso, a própria Phoebe Dynevor (a mulher grávida) já passou por situações que seriam “final de personagem” em qualquer outra história. Ela sobrevive a uma árvore atravessando o carro e ainda toma um desabamento na cabeça antes do pacote tubarão virar realidade total. É quase intriga de roteiro, rivalidade com a sorte e, ao mesmo tempo, entretenimento.
Comparações também ajudam a entender o DNA do filme. Ele foi comparado a Predadores Assassinos (aquele de 2019), que apostou na fórmula desastre natural mais predadores. Aqui é tubarão, mas o espírito é o mesmo: a trama existe para gerar “uau, como assim?” em série.
Efeitos e roteiro que tremem, mas não irritam
Vamos falar do que costuma matar esse tipo de filme: efeitos visuais. Em várias cenas, eles deixam a desejar e parecem chapados, com cara de produção corrida. A sensação que dá é de que o filme tentou entregar tubarões em CG e acabou com um resultado meio “genérico”, que perde força justamente quando deveria ser mais assustador.
Mas, mesmo com essas falhas, o filme não fica irritante. Ele segue em frente. Não tenta te convencer de que é uma obra séria, não força lição de moral e deixa claro, mesmo sem dizer, que é para ser visto pela diversão do absurdo. É aquele tipo de sessão em que você comenta com os amigos: “isso aqui é muito ruim, mas eu tô me divertindo”.
Tem também o fato de que o final oferece momentos memoráveis, mesmo que não seja pelo suspense. O filme consegue fazer você rir no ponto certo, e isso é raridade em terror e suspense de produção mais “meio termo”. Quando a intenção vira comédia, a experiência faz sentido.
Dá para assistir sem culpa, né?
Sim. Ataque Brutal é ruim, mas é ruim do jeito gostoso. Ele não entrega suspense, entrega diversão absurda em velocidade acelerada. Se você curte desastres naturais, predadores aquáticos e aquele clima “o roteiro tá pegando fogo”, vai encontrar mais diversão do que frustração.
No fim, é um daqueles filmes da Netflix que você coloca sem expectativa, assiste meio rindo e termina pensando: “ok, isso não era bom, mas foi bom pra caramba”. E, sinceramente, às vezes é tudo o que a gente quer para a noite.
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