A Cirurgias e Artimanhas foi renovada para uma terceira temporada, que também será a última de Jack Dawkins e Fagin.
- Uma despedida já anunciada
- Do batedor de carteiras ao cirurgião
- A segunda temporada não economizou nas confusões
- O que esperar do último capítulo?
Uma despedida já anunciada
Tem notícia que dá aquela mistura de comemoração com “poxa, já vai acabar?”. É o caso de Cirurgias e Artimanhas: o Hulu, serviço disponível no Brasil pelo Disney+, confirmou a terceira temporada, mas ela será a última. A jornada de Jack Dawkins e Fagin tem, portanto, um destino definido, embora ainda não haja data de estreia anunciada.
Não é exatamente uma surpresa ruim. Séries de aventura podem perder o fôlego quando continuam apenas porque ainda existe público, como se cada temporada precisasse abrir mais uma gaveta de segredos. Saber que a história terá um encerramento pode ajudar a equipe a dar um rumo claro aos personagens e fechar as pontas sem transformar a trama numa coleção infinita de reviravoltas.
Claro, isso só funciona se o final fizer jus ao caminho. A confirmação da temporada derradeira não revela como Jack e Fagin vão terminar, mas ao menos deixa uma promessa interessante: a próxima leva de episódios será pensada como despedida, não como mais um capítulo de uma série sem plano de chegada.
Do batedor de carteiras ao cirurgião
A série parte de uma ideia saborosa para quem conhece Oliver Twist, clássico de Charles Dickens: e se Jack Dawkins, o famoso batedor de carteiras, tentasse deixar a vida criminosa para trás e começasse de novo? Na produção, interpretado por Thomas Brodie-Sangster, ele se tornou um cirurgião respeitado na Austrália do século XIX.
Só que passado é aquele colega inconveniente que aparece justamente quando você acha que está com tudo organizado. O retorno de Fagin, vivido por David Thewlis, ameaça expor os segredos de Jack e puxa o protagonista de volta para um mundo que ele pensava ter abandonado. A dinâmica entre os dois é parte central do charme da série: existe tensão, humor e uma relação que não cabe numa simples disputa entre herói e vilão.
Em vez de recontar o romance de Dickens passo a passo, Cirurgias e Artimanhas usa seus personagens como ponto de partida para uma aventura própria. Essa liberdade ajuda a produção a equilibrar drama, intriga e momentos mais leves, sem exigir que o espectador tenha feito uma revisão completa da literatura inglesa antes de apertar o play.
A segunda temporada não economizou nas confusões
Se a primeira temporada estabeleceu a vida dupla de Jack, a segunda fez questão de bagunçar o tabuleiro. Dickie Fox chegou à cidade e trouxe problemas para Fagin. A trama ainda revelou que ele era o pai biológico de Belle, personagem de Maia Mitchell. É o tipo de segredo familiar que muda a temperatura de qualquer conversa à mesa.
Como se isso não bastasse, a comunidade também enfrentou um assassino em série. A identidade do responsável acabou sendo revelada: era o professor Alistair McGregor, interpretado por Kym Gyngell. E, enquanto a investigação avançava, um surto de cólera colocou os moradores da Austrália dos anos 1850 em perigo.
Essa mistura de drama criminal, conflito familiar e ameaça coletiva ajuda a explicar por que a série conquistou espaço entre os títulos de aventura do Disney+. No Rotten Tomatoes, a produção chegou a 96% tanto entre a crítica quanto entre o público, um resultado que mostra como a releitura encontrou uma plateia bem receptiva.
O que esperar do último capítulo?
Por enquanto, os detalhes da terceira temporada estão guardados a sete chaves. Não há data de lançamento nem informações sobre o rumo exato da história. O que sabemos é que Jack e Fagin terão mais uma temporada para encarar as consequências das próprias escolhas e para dar um destino à relação complicada que os une.
Minha torcida é para que o encerramento não tente superar a temporada anterior apenas empilhando novas tragédias. A série já mostrou que consegue prender a atenção com personagens cheios de contradições e conflitos que se cruzam; não precisa transformar cada episódio numa competição de “qual desastre vem agora?”. Um final bem construído vale mais do que uma reviravolta barulhenta sem consequência.
Até lá, as duas temporadas já lançadas estão disponíveis no Disney+. Para quem curte aventuras de época com humor, tensão e uma boa dose de Dickens sem cheiro de adaptação engessada, ainda dá tempo de conhecer Jack Dawkins antes da despedida.
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