Club Kid ganhou figurantes de um jeito pouco convencional: Jordan Firstman chamou usuários do Grindr para completar cenas do filme.
- O convite pelo Grindr
- A busca por uma vibe específica
- Do que trata Club Kid?
- Quando chega ao Brasil?
O convite pelo Grindr
Fazer um filme independente muitas vezes exige criatividade fora das câmeras. Para Jordan Firstman, diretor, roteirista e protagonista de Club Kid, isso significou recorrer ao Grindr para encontrar gente disposta a aparecer como figurante. Sim, o aplicativo de encontros acabou virando também uma espécie de chamada de elenco improvisada.
Em entrevista à Variety, durante uma exibição do longa, Firstman contou que a equipe já tinha figurantes pagos, mas precisava de mais pessoas para dar às cenas uma energia particular. Segundo ele, a rede de contatos da produção estava no limite: boa parte dos homens gays de Nova York já participava do filme de algum jeito, ou tinha recusado o convite.
A solução foi direta. Integrantes gays do elenco e da equipe abriram o aplicativo e chamaram usuários que estivessem por Bushwick, bairro do Brooklyn. A proposta era aparecer numa festa e receber cerca de 200 dólares, valor que, nas palavras do diretor, era o que a produção de baixo orçamento conseguia pagar.
A busca por uma vibe específica
O detalhe mais interessante não é só o uso inusitado do aplicativo, mas o motivo. A equipe não precisava simplesmente preencher o fundo de um plano com pessoas. Firstman queria uma sensação de festa que parecesse espontânea, com gente interagindo, flertando e ocupando o espaço de verdade.
E, pelo relato do cineasta, os convidados entraram no clima. Ele disse que a energia da noite acabou aparecendo no filme. É uma solução bem prática para um problema clássico de produção: figurantes contratados ajudam a compor a cena, mas nem sempre reproduzem aquela desordem viva de uma festa real. Às vezes, a autenticidade não vem de uma coreografia perfeita, e sim de pessoas que estão confortáveis naquele ambiente.
Claro, chamar gente pelo Grindr não transforma automaticamente uma filmagem em uma festa genuína. Ainda havia uma equipe, câmeras e uma cena a ser feita. Mas a estratégia combina com a proposta do longa, ambientado na noite queer nova-iorquina. Em vez de procurar uma multidão genérica, a produção buscou pessoas que pudessem contribuir para aquele contexto específico.
Do que trata Club Kid?
A comédia dramática acompanha Peter, interpretado por Firstman, um promoter da vida noturna de Nova York cuja rotina é marcada por excessos. A vida dele vira de cabeça para baixo quando descobre que tem um filho de 10 anos, Arlo, cuja existência desconhecia. Depois da morte da mãe do garoto, Peter precisa lidar com a chegada inesperada do menino e com uma responsabilidade que não cabe exatamente na agenda de festas.
O conflito entre uma vida sem muitas amarras e a paternidade dá ao filme um caminho familiar, mas o cenário queer da noite nova-iorquina promete um tempero próprio. O elenco também inclui Cara Delevingne, Diego Calva, Reggie Absolom, Kirby Howell-Baptiste e Colleen Camp. Para Firstman, o projeto marca a estreia na direção de um longa-metragem, depois de também assumir o roteiro e o papel principal.
Quando chega ao Brasil?
Club Kid teve sua première mundial na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes de 2026 e foi adquirido pela A24. O filme também passou pelo Festival do Rio em outubro do mesmo ano, em sua primeira exibição no Brasil. A distribuição nacional ficará a cargo da California Filmes.
A estreia nos cinemas brasileiros está marcada para 4 de fevereiro de 2027. Até lá, a história dos figurantes recrutados pelo Grindr já funciona como uma amostra curiosa do espírito de uma produção independente: quando faltam pessoas para a festa, às vezes a solução está a poucos toques de distância. E, pelo menos nesse caso, parece que o convite ajudou a levar para a tela justamente a energia que o diretor procurava.
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