Mabel em sua forma de castor robô liderando um grupo carismático de animais da floresta na animação Cara de Um, Focinho de Outro da Pixar.

Cara de Um, Focinho de Outro

Avaliação:

Data de estreia: 2026-03-05
Elenco: Elenco de Voz (Original/Brasil): Piper Curda / Manuela Macedo (Mabel), Jon Hamm / Nestor Chiesse (Prefeito Jerry), Bobby Moynihan / Júnior Nannetti (Rei George), Meryl Streep / Renata Sorrah (Rainha dos Insetos).
Direção: Daniel Chong
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A grata surpresa da Pixar que conquista bilheterias com carisma e uma mensagem fundamental

O cinema de animação frequentemente nos lembra que as melhores histórias não precisam, necessariamente, vir acompanhadas de campanhas de marketing ensurdecedoras. “Cara de Um, Focinho de Outro” (Hoppers, no original) chegou aos cinemas de forma quase silenciosa para os imensos padrões da Disney/Pixar. Contudo, contrariando as expectativas de quem previa um lançamento ofuscado por outras franquias, o longa está rapidamente se consolidando como um verdadeiro campeão de bilheteria. O motivo para esse sucesso é simples: o filme é uma grata, divertidíssima e emocionante surpresa.

Dirigida por Daniel Chong, a trama acompanha Mabel, uma jovem de paixão desenfreada que utiliza uma tecnologia inovadora para transferir sua consciência para um castor robótico. Seu objetivo? Infiltrar-se no reino animal e mobilizar a fauna local contra os planos predatórios do Prefeito Jerry, um político disposto a destruir a floresta para construir uma nova rodovia. O que poderia soar apenas como uma versão em miniatura de Avatar com bichinhos fofos, logo se revela uma obra com identidade própria e muitas camadas.

O roteiro é extremamente hábil ao tratar de um assunto delicado — a destruição ambiental, a urbanização irresponsável e o impacto humano na natureza. É um tema totalmente fundamental para os dias de hoje, mas a Pixar consegue entregá-lo sem que a narrativa soe professoral ou pesada. A mensagem flui naturalmente por meio de um ritmo frenético e situações genuinamente cômicas que prendem a atenção de crianças e adultos com a mesma facilidade.

No entanto, o ponto mais forte da produção é o carisma inegável de seus personagens. Mabel é uma protagonista falha, humana e cativante, mas é nos coadjuvantes que “Cara de Um, Focinho de Outro” encontra seu verdadeiro brilho. O ecossistema de animais da floresta é riquíssimo e hilário. Desde a liderança majestosa (e um tanto absurda) do Rei George, o castor chefe, até as interações com a Rainha dos Insetos — que na excelente dublagem brasileira ganhou a voz impecável de Renata Sorrah —, cada personagem de apoio rouba a cena. A dinâmica entre eles gera uma comédia física e diálogos afiados que sustentam o longa perfeitamente.

Em uma época onde o mercado é frequentemente dominado por continuações seguras nas salas de cinema, esta animação original prova que a ousadia e o coração ainda têm muito poder de atração. “Cara de Um, Focinho de Outro” é um triunfo técnico e narrativo que diverte muito, emociona na medida certa e merece cada centavo do seu surpreendente sucesso de bilheteria.

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