David Fincher ganhou um elogio de peso: Quentin Tarantino o chamou de seu diretor favorito, com uma ressalva bem previsível.
- O elogio com a assinatura de Tarantino
- Brad Pitt fez a ponte
- O que esperar da nova aventura de Cliff
- A regra dos dez filmes ainda está de pé?
O elogio com a assinatura de Tarantino
Quentin Tarantino não é exatamente conhecido por esconder suas opiniões sobre cinema. Então, quando ele diz que David Fincher é seu diretor favorito, a frase já vem com selo de aprovação de um dos cineastas mais falantes de Hollywood. A ressalva? Tarantino se colocou na frente, claro. Autoconfiança nunca foi um problema por ali.
A declaração aconteceu no programa The Graham Norton Show, durante uma conversa sobre The Further Mis-Adventures of Cliff Booth, filme escrito por Tarantino e dirigido por Fincher. O elogio combina com o histórico do roteirista: ele já apontou Zodíaco e A Rede Social como obras-primas e também declarou ser fã de O Assassino.
Não é difícil entender a admiração. Fincher tem um controle visual quase obsessivo e sabe transformar uma investigação ou uma conversa tensa em algo que prende a atenção pelo detalhe. Tarantino, por sua vez, é mestre em diálogo, ritmo e personagens que parecem capazes de dominar qualquer sala. Ver esses dois universos se encontrando é, no mínimo, uma combinação que dá vontade de conferir.
Brad Pitt fez a ponte
A parceria não nasceu de uma estratégia elaborada por Tarantino. Segundo o cineasta, ele chegou a cogitar guardar o roteiro na gaveta, mas Brad Pitt sugeriu que Fincher poderia assumir a direção. Tarantino gostou da ideia, o diretor leu o material, se interessou e os dois conversaram até perceberem que o encaixe funcionava.
O detalhe tem um charme especial porque Pitt já está ligado ao personagem-título: ele interpretou Cliff Booth em Era Uma Vez em… Hollywood. Agora, além de voltar ao papel, o ator ajudou a aproximar o projeto de um diretor com quem já trabalhou em filmes como Clube da Luta. Às vezes, a melhor reunião de talentos começa com um simples “e se chamássemos o David?”.
O que esperar da nova aventura de Cliff
A história avança oito anos em relação ao filme de 2019 e se passa em 1977. Cliff já não vive de grandes trabalhos como dublê. Em vez disso, faz serviços variados para pagar as contas e acaba sendo chamado quando gente da indústria de Hollywood se mete em confusão longe dos holofotes.
É uma descrição que combina com o personagem: Cliff sempre pareceu mais interessante quando está circulando pelas margens do glamour hollywoodiano, observando tudo com aquele jeito tranquilo de quem já viu coisa demais. A ideia de transformá-lo numa espécie de solucionador de problemas abre espaço para um filme de crime e aventura, sem depender apenas da nostalgia do longa anterior.
The Further Mis-Adventures of Cliff Booth tem estreia prevista nos cinemas em 25 de novembro e chega à Netflix em 23 de dezembro. Com Fincher na direção e Tarantino no roteiro, a expectativa naturalmente fica alta. Só resta saber se a história vai preservar o clima de Hollywood que tornou Cliff tão memorável ou levá-lo para um território completamente novo.
A regra dos dez filmes ainda está de pé?
O projeto também mexeu com uma das ideias mais famosas de Tarantino: a de encerrar a carreira de diretor depois de dez filmes. Ele brincou que essa regra é uma “brecha escorregadia e gordurosa”, e explicou que chegou a considerar dirigir o longa depois de abandonar The Movie Critic.
Mas o calendário teve seus próprios planos. O compromisso de Pitt com F1 atrasou a pré-produção, e o tempo extra fez Tarantino questionar se aquele precisava mesmo ser seu último filme. Por enquanto, ele escreveu a história e entregou o volante a Fincher. Para os fãs, já é um arranjo e tanto: o criador de Cliff nos bastidores, o personagem de volta à tela e um diretor que Tarantino admira quase tanto quanto a si mesmo.
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