Depois Daquele Ano estreia no Prime Video com romance, drama e segredos do passado. E sim, é daquele jeito que parece fofo, mas vai beliscando o coração aos poucos.
- Começo com carinha de clichê, mas com profundidade
- Telefonema do passado e as camadas do reencontro
- Doçura do primeiro amor, desilusão e culpa
- Amizade como respiro contra o caos emocional
- No fim, dá vontade de apertar o play de novo
Começo com carinha de clichê, mas com profundidade
Após o sucesso de Off-Campus, o Prime Video segue firme nas adaptações literárias e, desta vez, traz Depois Daquele Ano (Every Year After). A série chega com 8 episódios e já entrega aquela premissa que a gente conhece: dois melhores amigos, um verão que parece eterno e a promessa de que “um dia vai dar certo”. Só que a produção não fica no modo comédia romântica de prateleira. Ela puxa para o lado adulto da história, onde as escolhas têm peso e o silêncio também fala.
A trama acontece em Barry’s Bay, cidade fictícia onde Percy Fraser e Sam Florek vivem os verões por seis anos e uma semana. Em tese, é juvenil: amizade que vira amor. Na prática, é mais complicado: arrependimento, medo, desencontros e desentendimentos que parecem pequenos, mas viram crateras emocionais no futuro.
Telefonema do passado e as camadas do reencontro
O gancho que acende o drama é simples e cruel: um telefonema de alguém do passado faz Percy precisar encarar um erro que ela carregou por anos. A série intercala o presente com flashbacks que mostram como o relacionamento deles foi crescendo verão após verão. Isso cria um ritmo gostoso, do tipo “ok, só mais um episódio”, porque você sempre está tentando entender qual foi o ponto exato em que tudo desandou.
O que mais funciona aqui é o equilíbrio. Depois Daquele Ano não tenta parecer “escura” o tempo todo, mas também não romantiza a vida real. Os personagens têm contradições. As pessoas erram por impulso, se protegem como conseguem e, às vezes, preferem não conversar porque acharam que contar a verdade seria pior do que manter a ilusão por mais tempo.
Até quem está na “bolha” do apoio ganha vida própria. E isso ajuda a série a prender sua atenção sem virar só um jogo de provocações entre dois protagonistas em sofrimento eterno.
Doçura do primeiro amor, desilusão e culpa
A dinâmica entre Percy e Sam começa com aquela doçura típica da transição entre infância e adolescência. O vínculo deles nasce em momentos simples, tipo conversas à beira de um lago, e vai ganhando intensidade sem pedir licença. Só que quando o romance surge, vem com o pacote completo: medo de estragar a amizade e a sensação de que falar “eu sinto isso” pode desmontar tudo.
Tem um destaque bem relevante para o arco do Sam: a relação dele com o irmão mais velho, Charlie, interpretado por Michael Bradway. Charlie funciona como um agente do caos, carismático e meio “bad boy” em alguns momentos, mas não é só enfeite. Ele interfere no crescimento dos protagonistas e, mesmo quando irrita, ele revela como o passado molda decisões do presente.
E, falando em passado, aqui a narrativa acerta em cheio ao colocar Percy diante da própria culpa. Ela age motivada por uma leitura que, na hora, parece certa. Só que a vida não é um roteiro limpo. Os dois não se afastaram por falta de sentimento, e sim por escolhas feitas sem conversar direito, com prioridades que competem e medos que travam.
Amizade como respiro contra o caos emocional
No meio do drama, a série respira com a força da amizade. Delilah (Abigail Cowen) entra como contraponto da Percy: extrovertida, namoradeira e dona de um tipo de energia que puxa os outros para o mundo real. É bonito ver como, mesmo com dez anos de distância, a relação do grupo ainda tem aquele calor humano, com apoio sincero nos momentos em que ninguém deveria ter que lidar sozinho.
No presente, Percy também conta com Chantal e Jordie, que adicionam nova textura ao passado. Chantal carrega segredos e dúvidas sobre o futuro, enquanto Jordie, mesmo com menos tempo em cena, aparece como aquele tipo de pessoa que chama os outros para a realidade quando a cabeça começa a girar. Entre uma crise emocional e outra, eles ajudam a série a não ficar refém de “só romance”.
Além disso, o pacote de atmosfera da produção é bem forte. A fotografia usa a Colúmbia Britânica para criar contraste de tempos: verões mais claros e atuais mais frios. E a trilha sonora tem aquela vibe de estrada, lembrança e nostalgia, que combina demais com o tema.
Se você gosta de maratonas com clima de memória e impacto emocional, dá para buscar também referências sobre o funcionamento das adaptações literárias na página oficial do Prime Video: Prime Video.
Dá vontade de assistir de novo quando o passado morde no final
Mesmo sem confirmação de segunda temporada, o encerramento de Depois Daquele Ano deixa um gosto de “ok, agora eu preciso saber”. É um final com perguntas e uma última cena que não perdoa quem gosta de fechar ciclo. No fim, a série prova que romance também pode ser sobre imperfeições, e que amizade verdadeira, mesmo quando o tempo passa, continua sendo âncora.
Se você ainda não viu, vale a pena encarar como quem vai ler uma carta em envelope velho: primeiro parece familiar, depois você percebe que tem coisa escondida ali dentro.
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