Digger recebeu cinco estrelas de Anne Hathaway, apesar da estreia comercial turbulenta.
- O elogio de Anne Hathaway
- Um filme que não joga no seguro
- Bilheteria e um elefante na sala
- Vale a pena dar uma chance?
O elogio de Anne Hathaway
Anne Hathaway resolveu entrar na conversa sobre Digger com entusiasmo de sobra. Em sua primeira avaliação publicada no Letterboxd, a atriz deu nota máxima ao longa e o descreveu como uma obra inteligente, ousada, engraçada e ambiciosa. O recado para quem ainda não viu foi simples: assista e tire as próprias conclusões.
Não é exatamente uma crítica longa, cheia de análise cena a cena. É mais aquele tipo de recomendação sincera que dá vontade de perguntar: “Tá, mas o que tem nesse filme para provocar uma reação dessas?”. E, convenhamos, cinco estrelas de alguém que costuma aparecer do outro lado da tela chamam atenção, mesmo quando a pessoa não está fazendo campanha oficial de divulgação.
Hathaway também revelou alguns favoritos no perfil, incluindo Feitiço da Lua, Aconteceu Naquela Noite, O Espelho e Trama Fantasma. Uma seleção eclética, para dizer o mínimo. A avaliação de Digger no Letterboxd pode ser lida como um convite, não como uma ordem: o filme pode funcionar para ela e ainda assim dividir quem sentar para assistir.
Um filme que não joga no seguro
Dirigido por Alejandro G. Iñárritu, Digger mistura comédia e sátira numa história sobre Digger Rockwell, um magnata do petróleo vivido por Tom Cruise. O personagem é um homem envelhecido e poderoso cuja atividade de perfuração desencadeia um desastre ecológico. A premissa já deixa claro que o longa não parece interessado em ser uma comédia comportadinha para ver no piloto automático.
O elenco ainda reúne Riz Ahmed, John Goodman, Sandra Hüller, Michael Stuhlbarg, Jesse Plemons, Emma D’Arcy, Burn Gorman e Sophie Wilde, entre outros. É gente de perfis bem diferentes, comandada por um diretor conhecido por escolhas intensas. A combinação pode resultar num filme irresistível para quem gosta de cinema que arrisca, ou num passeio estranho demais para quem esperava algo mais convencional. Às vezes, as duas coisas acontecem ao mesmo tempo.
E talvez seja justamente aí que a recomendação de Hathaway faça sentido. Ela não promete que todo mundo vai sair convertido; sugere que a experiência vale ser julgada de perto. Num cenário em que muita gente decide o destino de um filme por clipes, manchetes e placares de bilheteria, não é uma ideia ruim.
Bilheteria e um elefante na sala
O desempenho comercial, por outro lado, não veio com a mesma energia da avaliação da atriz. Digger estreou com US$ 8 milhões no mercado doméstico e US$ 20 milhões no total global. As estimativas citadas apontam que o filme pode chegar a um prejuízo de aproximadamente US$ 250 milhões, um número que transforma qualquer conversa sobre o longa numa discussão sobre risco e expectativa.
Tom Cruise também produziu o filme e, mesmo diante dos resultados fracos, declarou estar orgulhoso do trabalho feito com o elenco e a equipe. É uma resposta compreensível: bilheteria mede o desempenho comercial, mas não resume a experiência de produção nem determina automaticamente se uma obra tem valor artístico. Ainda assim, quando os números são tão pesados, fingir que eles não importam seria como ignorar um T-Rex no meio da sala.
Vale a pena dar uma chance?
O elogio de Hathaway não apaga o tropeço nas bilheterias, assim como o tropeço não invalida a possibilidade de Digger encontrar seu público. São conversas diferentes: uma é sobre o que o filme desperta em quem assiste; a outra, sobre quantas pessoas compraram ingresso e quanto dinheiro a produção pode perder.
Se a mistura de sátira, crise ecológica e humor fora do eixo parece coisa sua, a recomendação é pelo menos curiosa o bastante para despertar interesse. Se não, tudo bem também. A melhor parte do convite de Hathaway é justamente essa: assistir sem receber um veredito pronto. Depois, cada um decide se encontrou uma obra brilhante ou uma aposta ambiciosa que não pousou como deveria.
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