Digger perde 2.535 salas e encara queda brutal

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Digger perderá espaço em mais de 2.500 cinemas no próximo fim de semana, após uma estreia muito abaixo das expectativas.

O tamanho do corte nas salas

A Warner Bros. vai reduzir a presença de Digger de cerca de 3.321 salas para apenas 786. Na prática, são 2.535 cinemas a menos, uma queda de aproximadamente 76% em relação ao fim de semana anterior. Para um lançamento de grande estúdio, é um recuo daqueles que fazem qualquer executivo olhar para os números com a mesma expressão de quem acabou de ver o Thousand Sunny afundar.

A mudança acontece entre a segunda e a terceira semana de exibição do longa. Cortes de salas não são raros: os cinemas precisam abrir espaço para estreias novas e manter sessões onde há público. O que chama atenção aqui é a velocidade e a dimensão da redução, apontada como uma das maiores já registradas nessa etapa para um filme de grande estúdio.

Menos salas não significam que o filme desaparece de uma hora para outra. Ainda haverá sessões, mas encontrá-las pode ficar mais complicado, dependendo da cidade e da programação local. Para quem estava deixando para ver depois, o conselho é conferir os horários logo, antes que a janela nos cinemas fique ainda mais estreita.

A bilheteria não ajudou

O corte parece ser consequência direta da recepção comercial fraca. As estimativas citadas para o longa apontam que Digger pode encerrar sua passagem pelos cinemas com cerca de US$ 50 milhões arrecadados mundialmente. É um resultado especialmente preocupante diante de um orçamento que supostamente ultrapassou US$ 170 milhões.

As projeções indicam ainda que o prejuízo pode chegar a US$ 250 milhões. Vale lembrar que arrecadação de bilheteria não vai inteira para o estúdio: exibidores ficam com uma parte, e custos de divulgação também entram na conta. Ou seja, não basta comparar o valor dos ingressos vendidos com o custo de produção para medir o tamanho do tombo.

Mesmo com essas ressalvas, os números desenham um cenário difícil de contornar. Um filme caro precisa de fôlego para permanecer em cartaz e encontrar novos públicos. Quando a procura não acompanha, as salas migram para títulos com mais chance de vender ingresso. É uma decisão comercial, mas o resultado para o longa é quase um encerramento antecipado da jornada teatral.

Nem Tom Cruise virou o jogo

Digger tinha nomes de peso na frente e atrás das câmeras: Tom Cruise estrela e Alejandro G. Iñárritu dirige. Cruise interpreta Digger Rockwell, um magnata do petróleo envelhecido cuja atividade de perfuração provoca um desastre ecológico. No elenco também estão Riz Ahmed, John Goodman, Sandra Hüller, Jesse Plemons e Emma D’Arcy, entre outros.

A Warner tentou chamar atenção para as opiniões divididas sobre o filme com uma campanha que convidava o público a decidir por conta própria. Anne Hathaway também elogiou a produção nas redes sociais e deu nota máxima no Letterboxd. Só que publicidade e recomendações de celebridades podem despertar curiosidade, mas não garantem que as pessoas comprem ingresso. O boca a boca, no fim das contas, também pesa.

Cruise, que ainda atuou como produtor, declarou estar orgulhoso do trabalho e agradeceu ao elenco e à equipe. É uma reação compreensível: bilheteria decepcionante não apaga a experiência de fazer um filme nem o esforço de quem participou. Mas, para os estúdios, o resultado comercial continua sendo uma parte enorme da conversa.

Ainda dá para recuperar?

Com a presença nos cinemas encolhendo tão rápido, uma virada expressiva parece cada vez menos provável. O desempenho pode melhorar em mercados específicos ou ganhar uma segunda vida quando o filme chegar a outras janelas, mas isso não muda o fato de que a passagem inicial ficou muito aquém do que um projeto desse tamanho precisaria.

Também vale separar duas perguntas que a internet adora misturar: um filme pode ter valor artístico e, ao mesmo tempo, ser um fracasso financeiro. Uma coisa não cancela a outra. O corte nas salas mede a expectativa de público dos exibidores para os próximos dias, não funciona como sentença definitiva sobre a qualidade da obra.

Por enquanto, o caso de Digger vira mais um lembrete de que elenco famoso e orçamento gigante não são escudo contra uma bilheteria fraca. Se você quer assistir na tela grande, talvez seja hora de olhar a programação da sua região. Em breve, a disputa pode deixar de ser pelo melhor assento e virar simplesmente uma busca pela última sessão disponível.

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