Druzina Content no MIA leva duas animações a Roma

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Druzina Content no MIA apresenta dois projetos de animação brasileira em busca de parceiros e oportunidades internacionais.

Dois projetos na vitrine de Roma

Enquanto muita gente associa animação brasileira a produções infantis já conhecidas, há projetos novos tentando abrir caminho para histórias com identidades bem diferentes. É o caso de BIBIOZ Mistérios e RAPunzel, duas séries da produtora Druzina Content selecionadas para o Animation Series Gap Financing Market, parte do MIA – Mercato Internazionale Audiovisivo.

O evento acontece em Roma, na Itália, entre 19 e 23 de outubro. A proposta do mercado é aproximar projetos de animação de emissoras, distribuidores e potenciais parceiros de financiamento. Em bom português: é uma oportunidade para apresentar as ideias a quem pode ajudar a viabilizar sua produção e circulação fora do Brasil.

Essa etapa não significa que as séries já tenham canal, plataforma ou estreia garantidos. Significa, porém, que os projetos chegaram a um espaço de negociação internacional, onde podem encontrar parceiros para dar o próximo passo. Para uma produtora brasileira, esse tipo de vitrine também ajuda a mostrar que nossas histórias têm sotaque próprio e podem conversar com públicos de outros países.

Mistério com zebra de pelúcia

Criada por Kallyo Aquiles, BIBIOZ Mistérios acompanha Bibi, uma jovem jornalista que investiga acontecimentos sobrenaturais. Sua parceria é Oz Dolli, um caçador de monstros do século XVI cujo espírito acabou dentro de uma zebra de pelúcia. Sim, uma zebra de pelúcia. A premissa já chega com mais personalidade do que muito projeto que tenta parecer misterioso usando apenas uma névoa e uma trilha grave.

A série combina comédia, fantasia e referências à cultura pop, colocando a dupla diante de criaturas sobrenaturais escondidas na sociedade contemporânea. O contraste entre uma jornalista jovem e um caçador de outra época pode render um jogo divertido de perspectivas, enquanto a forma inusitada de Oz cria espaço para humor visual e situações absurdas.

O ponto interessante é a mistura de gêneros sem abandonar o mistério. A ideia não parece depender só de monstros da semana: Bibi e Oz também oferecem uma dinâmica de parceria que pode sustentar as aventuras. Agora, claro, a execução é que vai dizer se a zebra vira mascote inesquecível ou apenas a piada mais fácil do episódio.

RAPunzel ganha ritmo e personalidade

Já RAPunzel, criada por Acir Galvão Piragibe e Isadora Piragibe, acompanha Isa, uma adolescente que descobre talento musical nas batalhas de MCs. Enquanto tenta encontrar seu espaço no hip-hop, ela precisa lidar com um cabelo crespo sobrenatural que cresce sem parar e tem vida própria. O título faz a ponte com um conto conhecido, mas a proposta aponta para uma protagonista com outro ritmo e outro contexto.

A música e a fantasia servem de caminho para abordar identidade, autodescoberta e representatividade racial e de gênero. O cabelo não é apenas um detalhe visual engraçado: pela descrição do projeto, ele participa diretamente da história e pode transformar uma questão íntima em algo impossível de ignorar. É uma imagem forte para falar sobre como Isa se percebe e ocupa espaço.

Também existe um cenário cultural específico na escolha das batalhas de MCs. Elas podem dar à série energia, disputa e uma linguagem musical própria, em vez de deixar o hip-hop como decoração de fundo. A combinação de fantasia e vivência adolescente tem potencial para alcançar públicos diferentes, desde que a personalidade de Isa continue no centro da narrativa.

O próximo capítulo ainda está em aberto

A Druzina Content tem mais de 20 anos de atuação no audiovisual e já trabalhou com produções distribuídas em diferentes países e plataformas. A ida ao MIA coloca dois projetos brasileiros diante de possíveis parceiros internacionais, mas não antecipa como serão as negociações nem confirma novos acordos.

Por enquanto, não foram anunciadas datas de estreia ou plataformas para BIBIOZ Mistérios e RAPunzel. O que existe é uma seleção que permite apresentar as séries a profissionais do mercado e buscar caminhos para sua produção. E, entre uma jornalista investigando monstros com um caçador alojado numa zebra e uma MC lidando com um cabelo sobrenatural, convenhamos: o audiovisual brasileiro não está exatamente apostando no caminho mais previsível.

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