Euphoria na terceira temporada vem com cara de “último round” da HBO, só que desta vez Sam Levinson resolveu temperar o caos com saltos temporais. Vai funcionar ou é só mais um desvio no radar?
- Do “uau” ao 50%: o que a crítica está dizendo
- Saltos no tempo: o truque narrativo que divide o público
- Zendaya segue como âncora emocional de Rue
- A promessa de reta final: por que a série pode acabar agora
- E se essa for mesmo a última temporada, dá para salvar o impacto?
Do “uau” ao 50%: o que a crítica está dizendo
Os novos episódios da terceira temporada de Euphoria chegam com desconfiança no bolso. Segundo levantamento de recepção inicial, a série aparece com apenas 50% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, um número bem abaixo das temporadas anteriores. Antes, o drama adolescente tinha estacionado perto de 80% (na primeira) e 78% (na segunda), ou seja: era raro ver a HBO errando o tom nesse nível de cultura pop “barulhenta e necessária”.
A treta não é uma crítica única e objetiva. O que pesa, na leitura de parte do noticiário especializado, é que a história estaria perdendo foco ao acelerar a transição dos personagens para uma vida adulta que pede, inevitavelmente, outro tipo de ritmo. Quando a narrativa muda de marchas rápido demais, a sensação pode ser parecida com aquela cena de filme que corta sem explicar e você fica: “ok, mas eu perdi o mapa”.
Saltos no tempo: o truque narrativo que divide o público
O coração do debate gira em torno de um elemento bem específico: os saltos temporais. A temporada aposta em mudanças bruscas de período para recontextualizar emoções, consequências e trajetórias. Na teoria, é uma forma de dar profundidade ao que ficou para trás e conectar passado e presente como quem monta um quebra-cabeça com algumas peças faltando de propósito.
Na prática, o público reage de dois jeitos. Tem quem curta a montagem não linear como linguagem, aquele “filme dentro do episódio” que combina com a estética de Euphoria. Só que também tem quem sinta que a coerência narrativa fica em segundo plano, especialmente quando as transições são rápidas e a série tenta fazer muita coisa ao mesmo tempo: desenvolver personagens, manter tensão e ainda cumprir o plano de fechar arcos.
Se a ideia é caminhar para o fim, o salto temporal vira ferramenta. Mas, para funcionar, precisa de mão firme, porque qualquer perda de clareza cobra juros logo depois.
Zendaya segue como âncora emocional de Rue
Mesmo com as ressalvas, há um ponto que continua firme: Zendaya. Rue permanece como o eixo emocional da história, e isso aparece no consenso de quem assiste e comenta. A interpretação sustenta boa parte do peso dramático, ajudando a série a não escorregar totalmente para um “estilo sem substância”.
E tem também a química com o elenco principal, que retorna com nomes como Sydney Sweeney, Jacob Elordi, Hunter Schafer e Alexa Demie. Ao mesmo tempo, a nova fase traz ausências e mudanças que afetam a dinâmica do grupo. Quando personagens saem de cena ou entram em outro momento da vida, a história precisa recriar a sensação de proximidade, e nem sempre dá para fazer isso sem que o espectador sinta um pequeno “descompasso”.
O resultado é aquele clima de montanha-russa: tem altos bem altos, mas também momentos que parecem passar direto da estação.
A promessa de reta final: por que a série pode acabar agora
Em entrevistas, Zendaya indicou que a terceira temporada deve marcar o encerramento da história. Isso importa porque muda totalmente o modo como a audiência interpreta as escolhas criativas. Se é para fechar, a série pode acelerar decisões e condensar temas, inclusive usando saltos temporais para “encurtar caminhos” e provocar reflexão sobre o que ficou pendurado.
Por outro lado, quando o objetivo é terminar, existe o risco de sobrar pressa. E pressa, em drama adolescente de alto impacto emocional, é uma faca de dois gumes: funciona para dar choque, mas pode falhar quando a gente espera pausa para respirar junto com os personagens.
De qualquer forma, vale lembrar que a HBO historicamente sabe trabalhar com temporadas finais como evento, e Euphoria sempre teve algo de “fenômeno que vira conversa de bar e de internet”. Agora, com o possível encerramento, a cobrança aumenta.
E se essa for mesmo a última temporada, dá para salvar o impacto?
Se a crítica está dividida com esse início de temporada, o público vai decidir o resto. O que já parece claro é que Euphoria aposta em ousadia narrativa com os saltos temporais e tenta fechar pontas antes que a história perca o fio. A grande pergunta é se esse formato, mais acelerado e mais fragmentado, vai deixar a sensação de “último ato memorável” ou de “quase lá”.
Entre Rue como coração pulsante e a promessa de que será a reta final, a terceira temporada tem tudo para ser importante. Só não dá para garantir que vai ser unânime. E honestamente? Em se tratando de Euphoria, unanimidade talvez nem seja o objetivo.















