Os filmes de outubro chegaram com estrelas de sobra, mas a crítica não comprou a ideia de nenhum dos três.
- Outubro abre com ressalvas
- A investigação que divide
- Digger não convence todo mundo
- Verity encontra seu público
- Nota baixa não é sentença
Outubro abre com ressalvas
Outubro costuma chegar com aquela promessa de sessão cheia: filme novo, elenco conhecido e assunto rendendo conversa depois dos créditos. Só que, desta vez, três produções chamaram atenção por um motivo menos glorioso. O Outro Lado das Redes, Digger e Verity ficaram abaixo de 70% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes.
O trio tem nomes de peso: Jeremy Strong, Mikey Madison e Jeremy Allen White em O Outro Lado das Redes; Tom Cruise em Digger; e Anne Hathaway, Dakota Johnson e Josh Hartnett em Verity. Em teoria, material para deixar qualquer fã de cinema curioso. Na prática, os primeiros números indicam recepções bem diferentes, mas nenhuma unanimidade crítica.
Vale lembrar que o Rotten Tomatoes reúne avaliações, não entrega uma nota definitiva sobre a qualidade de um filme. Os percentuais também podem mudar conforme novas críticas entram na conta. Ainda assim, são um bom termômetro do papo em torno dos lançamentos, especialmente quando o público e os especialistas seguem por caminhos distintos.
A investigação que divide
O Outro Lado das Redes é o título com o melhor resultado do grupo: 65% de aprovação da crítica, com 79 avaliações contabilizadas. A nova história escrita por Aaron Sorkin revisita os bastidores do Facebook, mas não é uma continuação direta de A Rede Social. A trama acompanha Frances Haugen, vivida por Mikey Madison, uma engenheira que procura o jornalista Jeff Horwitz, interpretado por Jeremy Allen White, para expor informações confidenciais da empresa.
É um terreno que combina com Sorkin: gente falando rápido, instituições sob pressão e decisões que parecem importantes demais para caber numa reunião de pauta. A pergunta é se o filme consegue transformar denúncias sobre uma plataforma conhecida por todo mundo em drama de cinema, sem ficar com cara de uma reportagem esticada. Com 1h52min, a recepção dividida sugere que nem toda crítica saiu convencida.
Digger não convence todo mundo
Em Digger, Tom Cruise interpreta um dos homens mais poderosos do mundo, que tenta provar ser o salvador da humanidade enquanto uma catástrofe causada por ele ameaça destruir tudo. A premissa tem um quê de sátira grandiosa, daquelas que podem render uma comédia afiada ou uma confusão de proporções cinematográficas. O resultado, por enquanto, ficou no meio do caminho para os críticos.
O filme aparece com 51% de aprovação, considerando 292 avaliações. Já entre os espectadores, a marca chega a 72%, com mais de mil avaliações verificadas. Essa diferença de 21 pontos é um sinal de que parte do público encontrou diversão onde os especialistas viram problemas. E, convenhamos, com Cruise no elenco, sempre existe a chance de o espetáculo falar mais alto que a vontade de dissecar cada escolha do roteiro.
Verity encontra seu público
A adaptação do livro de Colleen Hoover é a que enfrenta a recepção crítica mais difícil: 33% de aprovação em 166 avaliações. Verity acompanha Lowen Ashleigh, escritora interpretada por Dakota Johnson, contratada para trabalhar nos livros de Verity Crawford, personagem de Anne Hathaway. Ao chegar à casa da família, Lowen encontra anotações perturbadoras que colocam em dúvida o que sabe sobre a autora e seu marido, Jeremy.
É uma premissa de suspense psicológico feita para brincar com a confiança do espectador. Quem está escondendo o quê? O que é lembrança, manipulação ou invenção? A crítica não abraçou a adaptação, mas o público marcou 71% de aprovação, com mais de mil avaliações verificadas. Parece que o mistério encontrou espectadores dispostos a embarcar, mesmo que a execução não tenha conquistado os avaliadores especializados.
Nota baixa não é sentença
O panorama não é simplesmente “três filmes ruins”, e sim três estreias que não conseguiram empolgar a crítica no mesmo ritmo que seus elencos prometiam. O Outro Lado das Redes lidera entre os especialistas, enquanto Digger e Verity têm avaliações melhores do público. Para quem escolhe o que assistir com base em notas, essa diferença já merece atenção.
Minha regra de cinéfilo é simples: use o percentual como mapa, não como ordem de missão. Se a premissa de Digger parece divertida, ou se você quer descobrir como Verity traduz o suspense do livro para a tela, a sessão ainda pode valer a pena. E O Outro Lado das Redes chega aos cinemas brasileiros em 8 de outubro de 2026 com o desafio de transformar uma recepção morna em conversa boa na saída. Às vezes, a crítica não dá o braço a torcer; às vezes, o público também não. O melhor é conferir e tirar a própria conclusão, sem tratar o Rotten Tomatoes como se fosse o Den Den Mushi anunciando a verdade absoluta.
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