Game of Thrones: HBO freia a expansão de Westeros

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Game of Thrones parecia pronto para ocupar Westeros por décadas, mas a HBO resolveu pisar no freio.

Só dois spin-offs no horizonte

Depois do final de Game of Thrones, em 2019, a HBO parecia ter encontrado uma fonte inesgotável de histórias em Westeros. E, convenhamos, o mapa de George R. R. Martin é grande o bastante para sustentar aventuras de sobra. Só que a lista de projetos em desenvolvimento foi encolhendo até sobrar, por enquanto, apenas o que já está de pé.

Questionado sobre novas séries da franquia, Casey Bloys, chefe da HBO e da HBO Max, indicou que não há outros projetos planejados neste momento além de House of the Dragon e O Cavaleiro dos Sete Reinos. A segunda temporada deste último está prevista para 2027. Ou seja: não estamos diante de uma enxurrada anual de dragões, intrigas e parentes Targaryen com péssimas habilidades de comunicação.

A decisão também pode ser uma escolha de ritmo. Com duas produções capazes de ocupar anos alternados, a HBO talvez prefira dar espaço para cada série respirar, em vez de transformar Westeros numa franquia que aparece na tela a cada cinco minutos. Para uma saga cheia de detalhes, isso não é necessariamente uma má ideia.

Adeus às ideias mais ambiciosas?

O freio, porém, deixa um gosto agridoce para quem acompanhava os projetos que ficaram pelo caminho. Já houve conversas sobre histórias de Jon Snow e Arya Stark, além de produções chamadas Dez Mil Navios e 9 Viagens. Também circularam propostas ambientadas em Yi Ti, na antiga Valíria e durante a primeira invasão dos Caminhantes Brancos.

Algumas ideias eram tão diferentes entre si que davam a impressão de que a HBO queria explorar cada canto do universo. A série conhecida como Lua de Sangue, por exemplo, chegou a ter um piloto filmado com Naomi Watts. Mesmo assim, não avançou. No fim, ter uma sala cheia de conceitos interessantes não significa que todos vão virar episódios. Às vezes, significa apenas que alguém abriu o mapa e começou a sonhar alto.

Por enquanto, Bloys não anunciou cancelamentos definitivos para todos esses projetos. A informação é mais contida: não há outras séries em andamento no momento. É uma diferença importante. A gaveta pode estar fechada, mas não dá para afirmar que as ideias foram jogadas no fogo junto com os planos de Daenerys.

A Conquista de Aegon muda de caminho

O caso que mais chama atenção é o da Conquista de Aegon. A história acompanha Aegon Targaryen e suas irmãs, Visenya e Rhaenys, na campanha que submeteu boa parte de Westeros, uniu os Sete Reinos e deu origem ao Trono de Ferro. Para quem gosta de batalhas com dragões e mudanças históricas de escala continental, era uma aposta com potencial para ser enorme.

Uma série sobre esse período vinha sendo desenvolvida com Mattson Tomlin, roteirista de Batman. Mas a Warner também anunciou um filme sobre a Conquista de Aegon, com roteiro de Beau Willimon, conhecido por Andor e House of Cards. A declaração de Bloys, somada à existência do longa, sugere que a versão para a televisão perdeu espaço. Ainda assim, não houve confirmação de que a disputa entre os formatos terminou oficialmente.

É fácil entender por que um filme pode parecer atraente para o estúdio: a Conquista tem escala de evento e dragões feitos para dominar uma tela de cinema. Por outro lado, uma série teria mais tempo para desenvolver as alianças, as rivalidades familiares e as consequências políticas. Resumir tudo num longa seria um desafio, embora um roteiro afiado possa fazer milagres. Ou pelo menos evitar que a gente precise de um mapa para acompanhar cada batalha.

Westeros vai ficar em pausa?

Não necessariamente. A HBO pode simplesmente estar evitando lançar projetos demais enquanto House of the Dragon e O Cavaleiro dos Sete Reinos seguem ocupando espaço no calendário. Quando essas histórias chegarem ao fim, a emissora pode voltar a avaliar ideias antigas ou buscar outras nos livros de Martin.

Mas a mudança de estratégia é real: a expansão acelerada que parecia inevitável foi substituída por um plano bem mais enxuto. Para a audiência, isso pode significar menos novidades no curto prazo, mas também menos risco de saturação. Nem todo canto de Westeros precisa ganhar uma série só porque existe no mapa.

Agora, a grande incógnita é se o filme de Aegon será suficiente para manter viva a ambição de explorar esse capítulo. A HBO não fechou as portas para sempre, mas, neste momento, o reino está em compasso de espera. E talvez seja melhor isso do que transformar cada árvore genealógica Targaryen em mais um spin-off obrigatório.

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