Hi, I’m a Witch mistura romance e fantasia com uma bruxa solitária, um cavaleiro e uma poção suspeita.
- Uma bruxa longe do mundo
- O cavaleiro e a poção
- O charme da vida tranquila
- Um romance que pode render
Uma bruxa longe do mundo
Também conhecido pelo título japonês Doumo, Suki na Hito ni Horegusuri o Iraisareta Majo desu, o anime acompanha Rose, uma jovem que vive numa cabana perto de um lago, afastada da sociedade e cercada pela fama de bruxa misteriosa. Só que, por trás do rótulo assustador, existe alguém que encontrou na vida isolada um jeito de seguir em frente, enquanto guarda um sentimento que não sabe muito bem como enfrentar.
Rose aprendeu a preparar poções com a avó e parece ter construído um cotidiano confortável naquele canto da floresta. A tranquilidade, porém, não apaga a distância que ela sente entre si e o resto do mundo. E é aí que a história começa a puxar um fio bem conhecido da fantasia: o preconceito contra quem é diferente. Não é uma ideia revolucionária, mas funciona como pano de fundo para entender por que Rose não se imagina vivendo um romance comum.
O cavaleiro e a poção
O coração da trama bate por causa de Sir Harij Azm, um cavaleiro por quem Rose se apaixonou depois de vê-lo. Na cabeça dela, os dois pertencem a mundos distantes demais para que esse sentimento tenha futuro. A situação ganha uma ironia deliciosa quando Harij aparece justamente para pedir que ela faça uma poção do amor.
Se eu estivesse no lugar da Rose, também ficaria alguns segundos encarando o pedido e tentando entender se aquilo era uma piada do destino. A premissa brinca com uma pergunta simples, mas cheia de potencial: para quem será, afinal, essa poção? É uma pista óbvia? Talvez. Ainda assim, o contraste entre o desejo secreto dela e a solicitação do cavaleiro já cria aquele tipo de expectativa que dá vontade de assistir ao próximo episódio.
O charme da vida tranquila
O primeiro episódio aposta num ritmo calmo, mais interessado em apresentar Rose e o clima da história do que em disparar uma aventura épica logo de cara. Para quem espera feitiços explodindo como se a bruxa tivesse acabado de desbloquear um novo golpe em Demon Slayer, fica o aviso: a proposta parece ser bem mais aconchegante.
Um destaque pessoal foi a trilha sonora. Ela é agradável e relaxante, com uma sensação que me lembrou músicas de RPG antigo, daquelas que combinam com explorar uma vila ou passar tempo na taverna antes de aceitar a missão principal. Não é só um detalhe bonitinho: esse clima ajuda a tornar a cabana de Rose um lugar que dá vontade de visitar, mesmo que a fama da dona recomende bater na porta com cuidado.
Um romance que pode render
O que mais me anima é a possibilidade de a história olhar para além do clichê do amor impossível. A diferença entre uma bruxa reclusa e um cavaleiro ligado a outro mundo oferece espaço para falar de confiança, estigma e da dificuldade de deixar alguém se aproximar. A série ainda precisa desenvolver essas ideias para mostrar o que tem de próprio, mas o primeiro passo é simpático.
Claro, meu palpite é que a tal poção talvez tenha mais relação com os sentimentos de Rose do que Harij deixa transparecer. Posso estar completamente errado, e seria até divertido se o anime resolvesse virar essa expectativa do avesso. Mas, neste começo, a hipótese combina com a comédia romântica que a premissa promete.
Hi, I’m a Witch não tenta reinventar a fantasia romântica no episódio de estreia, e tudo bem. Ele oferece uma protagonista fácil de acompanhar, uma situação cheia de potencial e uma atmosfera acolhedora. Minha nota para esse começo é 3,5 de 5: uma estreia gostosa, especialmente para quem curte romance com magia e não precisa de uma guerra entre reinos para se divertir.
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