Hiroshi Tsuchida morre aos 54: legado além de Black Clover

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Hiroshi Tsuchida morreu aos 54 anos, deixando personagens de animes, filmes e tokusatsu na memória de fãs.

A notícia e a despedida

O ator e dublador japonês Hiroshi Tsuchida faleceu em 11 de outubro, aos 54 anos. A agência 81 Produce anunciou a morte nesta terça-feira, 20 de outubro, e informou que a causa foi insuficiência cardíaca. O funeral aconteceu de forma reservada, com a presença de familiares e pessoas próximas, conforme o desejo da família.

É uma notícia que pesa especialmente para quem cresceu acompanhando produções japonesas. Dubladores fazem um trabalho curioso: às vezes a gente reconhece a voz antes mesmo de lembrar o nome, porque ela aparece em histórias e universos completamente diferentes. No caso de Tsuchida, essa presença atravessou anime, cinema e tokusatsu.

A carreira do artista foi noticiada pelo Anime News Network, que também destacou a variedade de seus trabalhos. E variedade aqui não é modo de dizer: o currículo vai de dramas de anime a carros falantes e robôs gigantes.

De Black Clover a Pokémon

Entre seus papéis mais conhecidos está Damnatio Kira, personagem de Black Clover. A presença dele na série combina com aquele tipo de figura que chega com autoridade e muda o clima da cena. Não precisa ser o protagonista para ficar marcado; às vezes, basta uma interpretação certeira para dar peso a um personagem que cruza o caminho dos heróis.

Tsuchida também deu voz ao Professor Platane no especial Pokémon: Mega Evolution, uma minissérie de quatro partes ligada ao universo dos monstrinhos de bolso. Para quem acompanha a franquia há anos, é fácil perceber como Pokémon vive de personagens que expandem o mundo para além de Ash e Pikachu. Professores, rivais e treinadores ajudam a construir essa sensação de aventura maior.

Esses dois trabalhos já mostram lados diferentes do ator: de um lado, a tensão de um anime de fantasia cheio de disputas por poder; do outro, a curiosidade e o espírito de descoberta que fazem parte de Pokémon. Mudar de registro sem deixar a atuação genérica é uma habilidade que parece simples até a gente pensar em quantas vozes esquecíveis passam por aí.

McQueen, robôs e heróis ninja

Fora dos animes, Tsuchida foi a voz japonesa de Relâmpago McQueen na franquia Carros. O protagonista da Pixar tem uma personalidade impossível de confundir: começa convencido, aprende a olhar para os outros e segue acelerando. Cada versão dublada precisa preservar esse espírito e, ao mesmo tempo, conversar com o público local. É um trabalho que costuma passar despercebido quando dá certo, o que talvez seja o maior elogio à dublagem.

Nos filmes Transformers: A Era da Extinção e Transformers: O Último Cavaleiro, ele interpretou na versão japonesa Cade Yeager, personagem vivido por Mark Wahlberg. A troca de McQueen para um humano cercado por Autobots já dá uma boa ideia da amplitude do repertório. Não é todo dia que uma carreira conecta a pista de corrida da Pixar ao caos mecânico dos Transformers.

Também atuou diante das câmeras. Na série Ninja Sentai Kakuranger, interpretou Saizō, o Ninja Blue, integrante de uma equipe que ocupa um lugar especial na longa tradição Super Sentai. Décadas depois, participou de Ultraman Decker como HANE2, uma unidade de inteligência artificial. Em outras palavras, Tsuchida não apenas emprestou a voz a mundos fantásticos: também entrou neles em carne e osso.

Um legado que continua em cena

Nascido em Tóquio, em 8 de fevereiro de 1972, Hiroshi Tsuchida seguiu trabalhando até os últimos anos de vida. Seu currículo ainda inclui participações em franquias como Mobile Suit Gundam, Initial D e Space Battleship Yamato 2199, além de projetos mais recentes citados entre seus últimos trabalhos.

Quando um artista participa de tantas obras diferentes, é provável que cada fã tenha uma lembrança própria. Para alguém, será Damnatio em Black Clover; para outra pessoa, o Professor Platane ou McQueen. E há quem se lembre primeiro do Ninja Blue ou de Cade Yeager. A graça, e também a força, de uma carreira assim está justamente em não caber num único personagem.

A morte de Tsuchida encerra uma trajetória, mas não apaga as interpretações que continuam disponíveis para quem quiser rever essas histórias. Vozes assim viram parte da memória afetiva de uma obra: a gente pode até não saber quem estava por trás do microfone, mas reconhece o que aquela atuação fez a cena significar.

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