Jogue os dados com a gente: Baldur’s Gate 4 pode até sair do papel, mas os devs já estão com medo do nível “BG3 impossível”.
- BG4 virou o “boss final” para todo mundo?
- Owlcat: coragem ou masoquismo gamer?
- Por que não dá para só “replicar” BG3
- Hasbro chamou, mas os estúdios recusam
- Vai rolar Baldur’s Gate 4 do jeito certo?
Se Baldur’s Gate 3 foi uma bomba nuclear no mundo dos RPGs, então Baldur’s Gate 4 é aquele tipo de continuação que todo mundo quer, mas quase ninguém sabe como fazer sem parecer que está só remixando a mesma build. E é aí que a frase “jogue os dados” encaixa perfeito: a indústria resolveu apostar quem teria estômago (e DNA criativo) para encarar a sequência mais desafiadora da década.
BG4 virou o “boss final” para todo mundo?
Depois que a Larian optou por não produzir Baldur’s Gate 4 e direcionou energia para Divinity, ficou no ar aquela pergunta clássica de fórum: quem seria louco o suficiente para assumir a franquia? O problema é que BG3 não é só “um RPG grande”. Ele virou uma referência de missão, narrativa, liberdade e até co-op, tudo com um cuidado absurdamente difícil de reproduzir.
Quando o assunto é “sequência”, o público geralmente espera evolução. Mas aqui tem um detalhe cruel: como competir com algo tão único e, ao mesmo tempo, tão grande? Um jogo concorrente precisaria fazer duas coisas ao mesmo tempo: manter a essência que o fã ama e, ainda assim, criar uma identidade própria. Isso é difícil em qualquer escala. Em termos de indústria, é quase um evento canônico.
Owlcat: coragem ou masoquismo gamer?
Entre os estúdios mais citados, aparece a Owlcat Games. E faz sentido: a empresa tem histórico em cRPG de respeito, incluindo Warhammer 40,000: Rogue Trader, que inclusive foi comparado a Baldur’s Gate 3 no lançamento de 2023. O motivo é simples: personagens marcantes, história que prende e muita quantidade de conteúdo. A sensação é “ok, eles sabem construir RPG de verdade”.
Em entrevista, o cofundador e diretor criativo Alexander Mishulin deixou claro que a ideia de encarar o projeto seria um desafio enorme. E sim, rolou a vibe de “somos um pouco masoquistas”, como quem sabe que está entrando num calabouço com armadilha e mesmo assim vai desarmar.
Por que não dá para só “replicar” BG3
O ponto mais importante do Mishulin é que BG4 não seria automaticamente “o BG3 da Larian em outra skin”. A Larian criou uma visão própria de como uma sequência de Baldur’s Gate deveria funcionar, misturando decisões de combate, design de missões e a forma como Dungeons & Dragons se integra à experiência do jogador.
Ou seja: qualquer estúdio que tente copiar a fórmula exata vai cair numa armadilha bem conhecida em RPGs: usar a mesma estratégia mesmo com um inimigo diferente. Não funciona. A chance de fracassar aumenta porque BG3 é resultado de anos de ferramentas, iterações e uma filosofia de desenvolvimento bem específica.
Como exemplo do quanto esse “DNA” pesa, vale lembrar que a trajetória da Larian em RPGs não é curta e nem improvisada. Isso ajuda a explicar por que “competir” não é só fazer um jogo parecido, é construir um ecossistema criativo do zero ou quase.
Hasbro chamou, mas os estúdios recusam
A Hasbro, dona da Wizards of the Coast responsável por Dungeons & Dragons, tem falado que quer produzir Baldur’s Gate 4 em algum momento. Só que a realidade do bastidor parece ser: desenvolvedores não estão mordendo a isca.
Um caso recente: James Ohlen, codiretor de design de Baldur’s Gate 2 e ex-líder da Archetype, contou que foi convidado para criar BG4 e recusou. O argumento dele foi direto: seria loucura competir com BG3. E faz sentido. Não é só tecnologia. É ritmo de produção, liberdade criativa e um nível de acabamento que exige time e tempo que nem todo estúdio consegue garantir.
Sem mencionar que, quando a Larian seguiu caminho com sua engine e seu próprio pipeline, qualquer outro estúdio teria trabalho para chegar perto do mesmo patamar. Licenciar engine e ferramentas não é tão simples quanto pegar uma espada emprestada no mercado. É infraestrutura, conhecimento institucional e uma história inteira de desenvolvimento.
Se for para “jogar os dados”, vai sair um BG4 digno ou só mais um tiro no escuro?
Se a Owlcat topar o desafio e criar algo com seu próprio DNA, a chance de dar certo cresce. Mas se a indústria insistir em “mais do mesmo” ou em copiar o caminho já trilhado pela Larian, aí sim a mesa vai virar rolagem de dados e todo mundo vai torcer pra ter sorte.
No fim, a pergunta que fica é: você prefere um Baldur’s Gate 4 que evolui de verdade, mesmo mudando a receita, ou quer aquele sentimento exato de BG3, custe o que custar?
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