Kingdom Hearts no Switch 2: finalmente sem nuvem

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Kingdom Hearts no Switch 2 finalmente roda direto no console, e a diferença para a nuvem é enorme.

A saga cabe na palma da mão?

Depois de anos dependendo de versões em nuvem no primeiro Switch, Kingdom Hearts enfim chega ao Switch 2 em versões nativas. Traduzindo: os jogos rodam no console, sem precisar torcer para o Wi-Fi colaborar e sem aquele atraso irritante entre apertar um botão e ver o Sora reagir.

Para mim, isso muda completamente a conversa. Kingdom Hearts combina com sessões curtas: visitar um mundo da Disney, avançar uma parte da história e deixar o console descansar antes de encarar mais uma reviravolta digna de um quadro branco do Charlie Day. Agora dá para fazer isso no portátil sem depender de conexão constante.

Quem já tinha a versão em nuvem pode transferir o save. Também há desconto de 50% para esses jogadores na edição nativa, segundo a Nintendo. É um gesto justo, embora comprar o mesmo jogo duas vezes continue sendo menos mágico que encontrar o Mickey no meio de uma batalha.

Um quebra-cabeça em três coleções

As três coleções reúnem dez títulos e filmes de história. A HD 1.5+2.5 ReMIX traz Kingdom Hearts Final Mix, Re:Chain of Memories, Kingdom Hearts II Final Mix e Birth by Sleep Final Mix como jogos. Também inclui as histórias de 358/2 Days e Re:coded em formato de filme.

A HD 2.8 Final Chapter Prologue reúne Dream Drop Distance HD, 0.2 Birth by Sleep e o filme χ Back Cover. Já a terceira coleção junta Kingdom Hearts III e a expansão Re Mind. Atenção: 358/2 Days, Re:coded e Back Cover não são jogos jogáveis. Melody of Memory também ficou de fora e precisa ser comprado separadamente.

A trama acompanha Sora, que parte das Ilhas do Destino com Donald e Pateta para enfrentar os Heartless e encontrar o rei Mickey. Só que a história se espalha por diferentes épocas, personagens e consoles: Birth by Sleep volta ao passado, 358/2 Days acompanha Roxas e Dream Drop Distance coloca Sora e Riku em uma prova decisiva. Para quem está começando, eu recomendo seguir a ordem de lançamento e assistir aos filmes nos intervalos. Tentar montar a cronologia perfeita antes de jogar é pedir para a Keyblade virar um diploma em Nomurismo.

O desempenho tem dois lados

Os jogos mais antigos são o grande acerto técnico. Kingdom Hearts, Re:Chain of Memories, Kingdom Hearts II, Birth by Sleep e Dream Drop Distance rodam a 60 quadros por segundo durante a jogatina. Os carregamentos costumam ser rápidos e, no geral, a experiência é bem mais estável do que jogar pela nuvem.

Há algumas exceções: a abertura do primeiro jogo engasga um pouco, e os filmes de 358/2 Days e Re:coded têm imagem borrada. Nada que destrua a aventura, mas são lembretes de que esta coleção não recebeu uma repaginada milagrosa em cada cantinho.

Kingdom Hearts III e 0.2 exigem mais do console. No portátil, o III roda a 1080p; na TV, chega a 1224p. A taxa de quadros fica liberada e varia, em geral, entre 30 e 45 fps, podendo subir em áreas leves e cair quando a tela fica cheia. Há menos detalhes em texturas, reflexos e distância de visão do que em outras plataformas. O 0.2 é ainda mais instável, com quedas que podem chegar perto de 20 fps.

Não é um desastre, mas também não vou fingir que é liso como uma cena de abertura da Yoko Shimomura. Se o seu principal interesse é Kingdom Hearts III, vale saber que essa é a parte menos convincente do pacote.

O que ainda pesa na balança

O pacote completo ocupa cerca de 130 GB, mais da metade do armazenamento do Switch 2. Dá para instalar as coleções aos poucos, mas quem quiser deixar tudo pronto provavelmente vai precisar de um cartão microSD Express. A edição física em Game-Key Card também exige internet para baixar os jogos, então não espere encontrar tudo no cartucho como nos velhos tempos.

Outra ausência difícil de ignorar é a localização em português do Brasil. A série tem diálogos, nomes e conceitos para dar nó na cabeça até de quem já joga há anos; acompanhar tudo em outro idioma pode afastar novos fãs. E a câmera e a movimentação dos primeiros títulos mostram a idade. São clássicos queridos, não máquinas do tempo capazes de apagar duas décadas de evolução.

Vale abrir o coração?

As coleções custam R$ 229,90 cada na eShop brasileira, ou R$ 427,50 pelo pacote com as três. Juntas, oferecem mais de 100 horas de conteúdo, e completar tudo pode passar de 150. É bastante jogo, embora nem todo o material incluído seja jogável.

Para quem quer a saga no portátil, esta é a forma mais prática de acompanhar Sora, Riku, Kairi e companhia no console da Nintendo. Os clássicos rodam muito bem, a versão nativa resolve o principal problema da nuvem e Kingdom Hearts III funciona com ressalvas. Eu recomendo o pacote completo para fãs e curiosos dispostos a encarar a história sem tradução brasileira. Só compraria apenas o III se você já estiver preparado para as quedas de desempenho.

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