Klara e o Sol: Jenna Ortega enfrenta nova onda de críticas

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Klara e o Sol coloca Jenna Ortega diante de mais um filme que estreia sob o olhar desconfiado da crítica.

Uma estreia que começou com o pé esquerdo

Jenna Ortega virou um dos rostos mais reconhecíveis da cultura pop depois de viver Wandinha Addams. Só que, enquanto a série da Netflix conquistou público e crítica, alguns dos trabalhos recentes da atriz no cinema vêm encontrando uma recepção bem menos calorosa. Agora, Klara e o Sol entrou nessa conversa antes mesmo de chegar às salas brasileiras.

O longa dirigido por Taika Waititi estreou no Festival de Cinema de Londres com 20% de aprovação no Rotten Tomatoes, considerando as dez primeiras avaliações. Depois, o índice foi a 25%. É uma amostra pequena e sujeita a mudanças, claro, mas já colocou o filme entre os títulos mais contestados da fase recente de Ortega.

Na história, ela interpreta Klara, uma robô criada para fazer companhia a seres humanos. A personagem forma um vínculo com Josie, adolescente vivida por Mia Tharia. Amy Adams, Steve Buscemi e Natasha Lyonne também estão no elenco. No Brasil, o filme tem estreia prevista para 5 de novembro de 2026.

O desafio de adaptar Kazuo Ishiguro

O material de origem não é exatamente uma aventura robótica cheia de perseguições e luzes piscando. O romance de Kazuo Ishiguro usa a relação entre Klara e Josie para pensar sobre afeto, humanidade e tecnologia. É ficção científica, sim, mas daquelas que deixam a pergunta ecoando depois, em vez de resolver tudo com uma explosão no terceiro ato.

Parte das críticas ao filme aponta justamente para um desencontro de tom. O humor, segundo os comentários iniciais, ocuparia espaço demais e tiraria força das reflexões mais delicadas do livro. Adaptar uma obra introspectiva exige escolhas, mas o equilíbrio é traiçoeiro: se a produção explica demais, perde sutileza; se transforma tudo em piada, corre o risco de esvaziar o coração da história.

Taika Waititi já mostrou que consegue misturar humor e emoção em Jojo Rabbit, filme pelo qual venceu o Oscar de roteiro adaptado. Isso não significa que a mesma receita funcione para qualquer material. Nem todo livro pede o mesmo tempero, e até um diretor talentoso pode errar a mão quando tenta fazer uma história falar em tons diferentes.

A lista recente pesa, mas não conta tudo

Klara e o Sol não é o primeiro título recente de Ortega a tropeçar nas avaliações. Em 2025, Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes ficou com 14% no Rotten Tomatoes, enquanto A Morte de um Unicórnio alcançou 52%. No ano anterior, A Garota de Miller marcou 30% e As Quatro Estações do Amor, 31%. Já Finestkind, de 2023, ficou em 27%.

O contraste com Wandinha chama atenção: a série teve 74% na primeira temporada e 87% na segunda. Mas transformar essa diferença em diagnóstico sobre a atriz seria simplificar demais. Cinema é um trabalho coletivo. Roteiro, direção, montagem e escolhas de produção também entram na conta, e a qualidade de um filme não depende só de quem aparece no cartaz.

Há ainda bons lembretes de que Ortega já encontrou projetos bem recebidos. X: A Marca da Morte chegou a 94%, A Vida Depois ficou com 90% e Pânico VI alcançou 77%. Ou seja: ela não está presa a uma sequência inevitável de fracassos. O histórico é irregular, não uma profecia escrita em pedra.

Crítica baixa não é sentença

O Rotten Tomatoes funciona como termômetro de aprovação, não como nota definitiva sobre o valor de uma obra. Um percentual baixo mostra que poucos críticos recomendaram o filme, mas não explica sozinho por que ele funciona ou falha, nem prevê como o público vai reagir. Às vezes, a plateia encontra encanto onde a crítica viu problemas; em outras, confirma o alerta.

Para Jenna Ortega, o desafio agora é escolher projetos que façam jus à popularidade conquistada e mostrem novas camadas de seu trabalho. Para o público, vale esperar o filme chegar e formar opinião própria, especialmente porque a premissa de Klara tem potencial para render uma ficção científica sensível e diferente do piloto automático de Hollywood.

Até lá, o placar inicial é um sinal de alerta, não um veredito final. Se a adaptação conseguir dar espaço à humanidade escondida nessa história sobre uma máquina, talvez encontre espectadores dispostos a olhar além da porcentagem. E, convenhamos, uma história sobre inteligência artificial e afeto merece mais do que ser reduzida a uma nota antes da sessão.

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