La Bola Negra faz história nos cinemas dos EUA

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La Bola Negra chegou aos cinemas dos Estados Unidos com uma média por sala recordista para um filme espanhol. E isso com estreia em apenas quatro cinemas.

O recorde que cabe em quatro salas

O longa arrecadou US$ 277,5 mil no fim de semana de estreia nos Estados Unidos. Dividindo esse valor pelos quatro cinemas em que entrou em cartaz, chegamos a uma média de US$ 69.375 por sala. É esse número, e não o total arrecadado, que colocou La Bola Negra no topo entre os filmes espanhóis.

A informação chama atenção também por outro motivo: a Netflix divulgou os números de bilheteria pela primeira vez para um filme distribuído pela empresa. Os dados foram reportados pela Variety, e ajudam a dimensionar uma estreia limitada que teve desempenho expressivo por cinema.

Esse detalhe importa. Uma média alta em poucas salas é um sinal de interesse forte onde o filme está sendo exibido, mas não significa que ele tenha vendido mais ingressos do que grandes lançamentos espalhados por centenas ou milhares de cinemas. É um recorde específico, mas nem por isso menos relevante para o cinema espanhol.

Como comparar esse resultado?

Entre os filmes em língua não inglesa, La Bola Negra alcançou a segunda maior média por sala de todos os tempos, segundo os números divulgados. O primeiro lugar continua com Parasita, de Bong Joon-ho: em sua estreia limitada, em três cinemas, o filme arrecadou US$ 393.216, uma média de US$ 131.072 por sala.

A distância entre as duas médias é considerável, mas a comparação mostra o tamanho do feito. Para um lançamento espanhol, superar a marca de qualquer outro filme do país nesse indicador é uma conquista histórica. E a presença de Parasita no topo também serve de lembrete de que estreias pequenas podem virar assunto grande quando a curiosidade do público acompanha a qualidade e o prestígio do filme.

Claro, bilheteria não é crítica nem garantia de Oscar. Mas uma abertura forte em circuito limitado pode ajudar a manter o título no radar durante a temporada de premiações, especialmente quando ele já chega cercado de atenção.

Uma história em três épocas

Dirigido por Javier Calvo e Javier Ambrossi, o filme cruza três períodos: 1932, 1937 e 2017. No centro estão as histórias conectadas de três homens gays, numa trama inspirada na obra inacabada de mesmo nome do poeta e dramaturgo Federico García Lorca.

O roteiro também bebe da peça La Piedra Oscura, de Alberto Conejero, que assina o texto ao lado dos diretores. A mistura de épocas e referências literárias sugere um drama interessado tanto em personagens quanto nas marcas que a história deixa sobre a vida privada. Não é exatamente uma premissa de blockbuster de robôs gigantes, mas tem peso e ambição de sobra.

O elenco reúne nomes como Guitarricadelafuente, em sua estreia como ator, Carlos González, Miguel Bernardeau, Milo Quifes, Lola Dueñas, Penélope Cruz, Glenn Close e Julio Torres. Alberto Cortés interpreta o próprio Lorca. Um grupo bastante diverso, que junta talentos de diferentes trajetórias e coloca figuras conhecidas do público internacional no mesmo projeto.

O que vem agora para o filme?

La Bola Negra estreou mundialmente no Festival de Cannes, em maio, onde Calvo e Ambrossi receberam o prêmio de Melhor Direção. O reconhecimento, somado à estreia americana, ajuda a explicar por que o longa aparece entre as apostas da Netflix para a corrida pelo Oscar 2027. A indicação, claro, ainda não está garantida: temporada de premiações é maratona, não speedrun.

Nos Estados Unidos, a previsão é que o filme permaneça nos cinemas por 45 dias antes de entrar no catálogo da Netflix em 2 de dezembro. No Brasil, a Paris Filmes programou a estreia nos cinemas para 14 de janeiro de 2027, com o título A Bola Preta.

Até lá, o recorde de média por sala já dá ao filme um cartão de visitas e tanto. O próximo desafio é transformar a curiosidade inicial em público para além do circuito limitado. Se a conversa continuar crescendo, esse drama espanhol pode chegar à temporada do Oscar com mais do que prestígio de festival: pode chegar com uma história de bilheteria para contar.

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