Maeve Jinkings lidera drama de fuga em Cabildo 71

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Maeve Jinkings, de Ainda Estou Aqui, vai estrelar Cabildo 71, drama inspirado em uma fuga histórica.

Maeve Jinkings em uma história real

Depois de marcar presença em Ainda Estou Aqui e na série DNA do Crime, Maeve Jinkings foi escalada para Cabildo 71, drama sobre mulheres encarceradas durante a ditadura uruguaia. A atriz brasileira interpretará uma das freiras que trabalhavam no convento usado como prisão.

A proposta já chama atenção por colocar a fuga no centro de uma história política e baseada em acontecimentos reais. Em vez de apostar apenas na tensão de grades e guardas, o filme acompanha mulheres que precisam transformar convivência, estratégia e até uma apresentação musical em ferramentas para escapar.

Um coral com plano de fuga

Escrito e dirigido por Victoria “Pitoka” Pena, o longa acompanha La Parda, que se une a outras 12 prisioneiras políticas para formar um coral feminino. O grupo pretende usar uma apresentação durante uma missa, em 8 de março de 1970, como disfarce para fugir do convento do Cabildo, administrado por freiras da Ordem do Bom Pastor.

Confesso que a ideia do coral como parte do plano tem aquele tipo de tensão que funciona muito bem no cinema: todo mundo precisa parecer estar ali por um motivo, enquanto cada detalhe pode colocar a operação em risco. É uma fuga que depende menos de força bruta e mais de timing, coordenação e sangue-frio. Um plano de equipe, só que sem mapa de masmorra nem habilidade de furtividade para desbloquear.

O filme também tem espaço para explorar a contradição de um convento servir como prisão em meio à repressão política. Esse cenário promete dar à fuga uma atmosfera particular, distante do clássico filme de cadeia que concentra toda a ação em túneis, uniformes e uma contagem regressiva.

Lucía Topolansky e a trama

Um ano depois da primeira fuga, La Parda é capturada novamente e reencontra a irmã, Lucía, que também está presa. A história se prepara então para uma nova tentativa, com a ambição de realizar a maior fuga já vista em uma prisão feminina.

A trama se conecta à trajetória de Lucía Topolansky, figura política uruguaia que se tornaria vice-presidente do país e esposa do ex-presidente José “Pepe” Mujica. O material divulgado apresenta essa ligação como parte da inspiração histórica do longa. O reencontro entre as irmãs e a preparação para escapar de novo dão à narrativa uma dimensão pessoal, além do contexto político.

Esse tipo de recorte pode ser um dos trunfos de Cabildo 71: acompanhar a luta coletiva sem apagar os laços e os dilemas individuais. A liberdade, aqui, não parece ser só atravessar um portão. Também envolve sobreviver à perseguição e manter a confiança umas nas outras.

Elenco e produção

As atrizes Graciela Ingold e Carolina Genoni interpretarão as irmãs Lucía e Elia Topolansky. O elenco também conta com Camila Parard, Renata Denevi, Luche Bolten e Matilde Colacce, além de Maeve Jinkings no papel de uma das freiras do convento.

A produção reúne a argentina Una Presencia e a Vitrine Filmes, empresa com atuação no Brasil e na Espanha. O projeto participa do Fórum de Coprodução Proyecta 2026, realizado durante o mercado audiovisual Ventana Sur. As filmagens estão previstas para acontecer entre setembro e novembro de 2027, então ainda há chão até o elenco entrar em cena.

Por que ficar de olho?

Uma história real de fuga, um grupo de prisioneiras políticas e Maeve Jinkings em um papel diferente do que vimos recentemente: Cabildo 71 tem ingredientes para render um drama tenso e cheio de camadas. A presença de uma diretora à frente do projeto também conversa diretamente com uma narrativa centrada na experiência dessas mulheres.

Agora, o desafio será equilibrar o suspense da operação com o peso histórico sem transformar as personagens em peças de um quebra-cabeça de fuga. Se o filme der espaço para que elas sejam mais do que participantes de um plano engenhoso, pode sair daí uma história de resistência que continua ecoando muito depois da última porta aberta.

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