Audiolivros infantis ganham novo fôlego com Marcelo Tas narrando histórias de Ziraldo e defendendo a escuta atenta.
- Ouvir também é um jeito de cuidar
- Criança não precisa de voz boba
- Ziraldo ganha novas vozes
- Histórias que saem do fone
Ouvir também é um jeito de cuidar
Tem algo especial em alguém contar uma história para você. Pode ser antes de dormir, no banco de trás do carro ou naquele trajeto de transporte público em que o mundo parece estar no modo automático. É desse espaço íntimo que Marcelo Tas fala ao refletir sobre audiolivros voltados ao público infantil.
O apresentador empresta a voz a obras de Ziraldo em uma coleção lançada pela Audible no período do Dia das Crianças. Para Tas, ouvir histórias pode contribuir para o desenvolvimento, a percepção do mundo e o vínculo afetivo. Não é pouca coisa: uma narrativa bem contada pode fazer companhia, despertar a imaginação e virar uma lembrança que fica por anos.
E não precisa transformar isso numa disputa entre livro impresso e áudio. Cada formato tem seu encanto. O audiolivro acrescenta a presença de uma voz e permite que a criança acompanhe uma história enquanto descansa, viaja ou simplesmente fecha os olhos e monta o próprio filme na cabeça. Às vezes, o melhor efeito especial é justamente o que a imaginação inventa.
Criança não precisa de voz boba
Uma das ideias mais interessantes de Tas é também uma provocação para os adultos: conversar com crianças exige escuta genuína. Não basta usar um tom artificialmente doce, simplificar tudo ou fingir que qualquer assunto precisa virar uma explicação condescendente. Criança percebe quando alguém está apenas cumprindo tabela. E, convenhamos, costuma perceber antes de muito adulto.
Tas observa que os pequenos se envolvem de verdade com aquilo que lhes interessa. Quando estão ligados, estão ligados; quando não estão, não adianta tentar vender a conversa no grito. Essa franqueza pode ser desconcertante, mas também é uma baita lição para pais, educadores e comunicadores: prestar atenção primeiro, falar depois.
Na prática, isso pode ser tão simples quanto perguntar o que a criança achou de uma história e ouvir a resposta sem tentar corrigi-la imediatamente. Talvez ela tenha entendido um personagem de um jeito inesperado. Ótimo. Histórias também servem para abrir espaço para essas interpretações, não só para testar se alguém decorou a moral da página.
Ziraldo ganha novas vozes
Na coleção, Tas narra O Menino Maluquinho, A Professora Maluquinha, O Livro do Sim e O Livro do Não. Os títulos têm cerca de 15 minutos cada e podem ser adicionados pelo responsável à biblioteca do Perfil Infantil da Audible, um espaço dedicado aos pequenos ouvintes.
O projeto também reúne narrações de Hélio de la Peña e Giovanna Nader. A iniciativa começou com 28 audiolivros inspirados na obra de Ziraldo, e a previsão divulgada é disponibilizar mais de 170 títulos do autor em áudio ao longo de 2026. Entre eles estão 25 obras anunciadas anteriormente na Bienal do Livro de São Paulo.
É uma forma de apresentar clássicos a uma nova geração sem tratar o material como peça de museu. Ziraldo continua falando de infância com humor, afeto e aquela dose de maluquice que torna seus personagens tão vivos. Agora, além de virar a página, dá para apertar o play.
Histórias que saem do fone
A proposta não fica restrita à biblioteca digital. Em 15 de outubro, a Audible programou uma ação no A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo, com a presença do Menino Maluquinho. A iniciativa busca apoiar a continuidade pedagógica de crianças internadas em tratamento oncológico, levando histórias para um contexto em que acolhimento e imaginação podem fazer diferença.
Na mesma data, o personagem também esteve na estação Francisco Morato, da Linha 7-Rubi, em uma campanha de arrecadação de brinquedos. A ação, realizada em parceria com a Tic Trens e a Editora Melhoramentos, tem pontos de coleta nas estações da linha e segue até 11 de dezembro. Passageiros também podem escutar gratuitamente o audiolivro de O Menino Maluquinho por meio de QR Codes disponíveis nos totens.
No fim das contas, o convite de Tas vai além de colocar uma história para tocar. É lembrar que escutar alguém com atenção, especialmente uma criança, também é uma forma de estar presente. E, numa rotina em que todo mundo parece disputar a próxima notificação, alguns minutos de história compartilhada já são uma pequena aventura digna de entrar para a tripulação.
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