Margeado é o primeiro longa de Diego Zon e acompanha moradores de uma vila pesqueira afetada pelo rompimento de uma barragem.
- Do Espírito Santo para as telas
- O que o rio vira na trama
- Memória, pertencimento e deslocamento
- Onde assistir e roteiros de exibição
- De curtas para o longa, sem perder a pegada
Começo de conversa: por que esse filme importa (mesmo pra quem só curte cinema de qualidade)
Quando um primeiro longa estreia trazendo um tema real e pesado, a gente já imagina que vai ser “drama de impacto”. Só que Margeado vai além do choque: ele usa paisagem, tempo e a relação das pessoas com o território para construir emoção do jeito certo. E tem elenco forte, com Antônio Pitanga no time, o que ajuda a dar peso ao que está na tela.
O recorte do filme nasce no Espírito Santo, mas o coração da história fala com todo mundo que já viu uma transformação forçada mudar rotina, nome e futuro. Bora destrinchar?
Do Espírito Santo para as telas
Margeado, primeiro longa-metragem do diretor capixaba Diego Zon, foi gravado no Estado e estreia comercialmente com sessões em várias cidades do Brasil. A trama acompanha moradores de uma vila pesqueira que precisa lidar com as consequências do rompimento de uma barragem de lama tóxica.
Com 150 minutos, o filme caminha em direções diferentes: começa no litoral e depois segue para comunidades do interior capixaba. Ou seja: não é só “um lugar em crise”, é um mapa emocional que muda junto com quem vive nele.
O que o rio vira na trama
No Rio Doce, a natureza deixa de ser cenário e passa a ser personagem. O filme trata o rio como elemento central da história, carregando memórias, rotinas e ameaças. E isso faz Margeado soar menos como notícia e mais como experiência.
O diretor Diego Zon destaca que levar o filme a cidades atravessadas ou próximas ao Rio Doce amplia o diálogo com o público. Em termos nerds, é como se a obra ativasse um “modo realidade” que o cinema normalmente tenta emular, mas aqui vem de dentro.
Para contextualizar o impacto histórico do rompimento, vale conferir informações gerais sobre o tema na página do desastre na Wikipedia, que ajuda a entender o porquê do Rio e do entorno ocuparem tanto espaço na narrativa.
Memória, pertencimento e deslocamento
O filme aborda memória e pertencimento não como palavras bonitas, mas como coisa concreta. Quando o ambiente muda, o jeito de viver muda. E quando o jeito de viver muda, a identidade da comunidade também treme.
A partir desse acontecimento, a história toca em deslocamento e na relação dos moradores com o território e com o rio. É um drama que conversa com gente que entende que perda não é só “o que acabou”, é o que fica para sempre como ferida aberta, só que ressignificada.
No elenco, além de Antônio Pitanga, aparecem Danilo Andrade, Verônica Gomes, Eliane Correia e Etien Khouri. Juntos, eles sustentam o tom: contido, humano e sem apelar para efeito fácil.
Onde assistir e roteiros de exibição
Margeado segue para o circuito comercial depois de passar pela 28ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Em Vitória (ES), o filme pode ser visto no Cine Jardins entre 30 de julho e 5 de agosto.
No mesmo dia da estreia nacional, rola uma sessão especial na Sala Armazém Multiverso, em Patrimônio da Penha (ES), com presença de Diego Zon e do time de atrizes. E depois a turnê continua por cidades como Rio de Janeiro, Belém, São Paulo e várias outras no interior do ES e em Minas Gerais.
Se você curte cinema que não pede licença pra emocionar, essa é uma boa oportunidade de ver algo feito no Brasil com olhar autoral e compromisso.
De curtas para o longa, sem perder a pegada
A história de Diego Zon ajuda a entender por que o ritmo de Margeado funciona. Antes do primeiro longa, o cineasta apresentou curtas em festivais como Festival do Rio, Cine Ceará e Festival de Havana. O curta “Das Águas que Passam” chegou à competição oficial do 66º Festival Internacional de Cinema de Berlim, concorrendo ao Urso de Ouro.
Hoje, Zon trabalha na pós-produção de “A Planta Sob a Terra Selvagem”, longa desenvolvido no Biennale Cinema College, ligado ao Festival de Veneza. Tradução: a carreira vai crescendo, mas o estilo parece continuar coerente.
Você vai assistir Margeado e levar essa conversa pra vida real (ou vai deixar o rio falar sozinho)?
Margeado chega como primeiro longa, mas com cara de obra que já nasceu madura: localiza a dor em um lugar concreto, sem perder poesia e sem esquecer as pessoas. Se você pretende escolher um filme pra ver nas próximas semanas, esse aqui tem tudo para ser daqueles que dão vontade de comentar depois, sabe?
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