Mostra Cinema dos Quilombos: veja a programação gratuita

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A Mostra Cinema dos Quilombos exibe 18 filmes gratuitos em BH e também terá sessões on-line até 21 de novembro.

Filmes e horários no Cine Santa Tereza

A nona edição da Mostra Cinema dos Quilombos ocupa o Cine Santa Tereza, em Belo Horizonte, de quarta-feira, 21 de outubro, a sábado, 24 de outubro. São 18 produções feitas por quilombolas ou em parceria direta com comunidades de Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Sergipe e São Paulo. A programação presencial tem sessões às 17h e às 19h, com conversas com realizadores em parte dos encontros.

Na quarta, a sessão das 17h abre com “Mãe do Ouro”, documentário realizado por jovens da comunidade Colônia do Paiol, em Bias Fortes, sobre a lenda que dá nome ao filme. O programa inclui ainda “Vão das Almas”, ficção ambientada no quilombo Kalunga, em Goiás. Às 19h, a sessão com acessibilidade em Libras reúne, entre outros títulos, “Na Pisada de Vovó” e “Cordões e sinos de além-mar”.

Na sexta, às 19h, também com Libras, será exibido “Benvindos”, longa de Luana Cabral sobre os herdeiros do Quilombo do Retiro, no Espírito Santo, e os conflitos ligados ao território. Já no sábado, às 17h, entram “Percília”, retrato da mestra da cultura Kalunga Percília dos Santos Rosa, e “Águas Sagradas”, sobre a luta da comunidade Carolinos, em Belo Horizonte, por saneamento e pela despoluição do Córrego do Cachoeirinha.

Histórias que ficam com a gente

Um dos destaques para o curador Diego Souza é “A.V.Ó – Ancestralidade Viva na Oralidade”, que encerra a mostra no sábado, às 19h. Dirigido por Luan Manzo, morador do Quilombo do Manzo, em BH, e Fernanda de Oliveira, o documentário acompanha a busca do jovem por sua genealogia e o registro das memórias de sua avó paterna, Iya Ângela de Oyá.

O conjunto da programação atravessa memória, tradições e pertencimento, mas sem tratar os quilombos como assunto distante ou preso ao passado. São filmes que mostram comunidades vivas, com histórias próprias, desafios atuais e conhecimentos transmitidos entre gerações. É uma chance de ouvir essas narrativas pelas vozes de quem as vive, em vez de receber tudo filtrado por olhares de fora.

Uma mostra que vai além da tela

As conversas após as exibições aproximam o público de cineastas e moradores de diferentes territórios, entre eles representantes das comunidades Colônia do Paiol, Kalunga, Caçandoca e Campinho da Independência. A presença de realizadores como Percília dos Santos Rosa, que participa do debate após seu filme, dá outro peso à sessão: a história não termina quando sobem os créditos.

O projeto também investe em formação audiovisual. Segundo o coordenador Cardes Amâncio, oficinas ligadas à mostra já contribuíram para a produção de filmes em quilombos, com moradores envolvidos em diferentes funções. A proposta é ampliar as oportunidades de criação e circulação de obras que muitas vezes encontram poucas janelas de exibição. Cinema também é ferramenta para guardar memória, formar novas equipes e contar a própria história.

Como assistir presencialmente ou on-line

As sessões presenciais são gratuitas no Cine Santa Tereza, na Rua Estrela do Sul, 89, no bairro Santa Tereza. Os ingressos podem ser retirados pelo Sympla ou na bilheteria, 30 minutos antes de cada sessão. Como a entrada depende da disponibilidade, vale se programar com antecedência, especialmente para os títulos que despertarem mais curiosidade.

Se você não estiver em Belo Horizonte, parte da experiência também cabe no sofá: os filmes ficam disponíveis on-line até 21 de novembro, no site oficial da Mostra Cinema dos Quilombos. É uma programação gratuita e uma boa oportunidade para conhecer obras que merecem circular muito além dos quatro dias de exibição na capital mineira.

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