A Mostra SP 50ª edição chega com filmes inéditos, livros, exposição e um acervo digital para revisitar cinco décadas de cinema.
- Cinco décadas de cinema e resistência
- Um acervo para investigar
- Filmes para anotar na agenda
- A Mostra para além da tela
- Um festival que segue em movimento
Cinco décadas de cinema e resistência
A 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo acontece de 15 a 29 de outubro de 2026. A programação reúne centenas de filmes de vários países, mas o aniversário não fica só na contagem de sessões: a organização também prepara livros, uma exposição e um acervo online para celebrar a trajetória do festival.
A história começou em 1977, no auditório do Masp. Idealizada pelo jornalista Leon Cakoff, a primeira edição exibiu 25 filmes de 16 países para cerca de 15 mil espectadores. Não era exatamente um começo tímido: em plena ditadura, a frase “O público é o júri” dava ao festival um sentido especial, já que votar livremente não era algo garantido no país.
A diretora Renata de Almeida, que entrou na organização em 1989, resume a vocação da Mostra como um convite a refletir sobre o mundo. E essa dimensão política importa, mas não precisa vir com cara de palestra: cinema também é descoberta, conversa depois da sessão e aquela fila em que você acaba conhecendo alguém tão empolgado quanto você.
Um acervo para investigar
O site de acervo, previsto para entrar no ar em 3 de outubro, vai reunir informações sobre as edições, incluindo filmes, catálogos e fotografias. Para quem gosta de fuçar a história por trás da tela, é uma iniciativa valiosa. Festival que preserva sua memória não está só olhando para trás: está deixando pistas para quem quiser entender como o cinema circulou e encontrou público por aqui.
Dois livros completam a celebração. Um deles reúne os cartazes de todas as edições e histórias sobre a criação dessas peças, com venda a partir de 3 de outubro. O outro é Antes que Eu Me Esqueça, ensaio de lembranças de Renata de Almeida, com prefácio de Walter Salles e lançamento marcado para 15 de outubro, às 18h, no Solar Fábio Prado.
O livro de Renata também traz bastidores de uma vida atravessada pelo festival e pela parceria com Leon Cakoff. A Mostra seguiu depois da morte do fundador, em 2011, e continua sob a direção dela. São 37 anos de trabalho, encontros e histórias que, pelo jeito, renderiam uma sessão extra só para os causos de quem se conheceu na fila.
Filmes para anotar na agenda
Entre os títulos anunciados está Tigre de Papel, de James Gray, escolhido para abrir a Mostra em sua primeira exibição no Brasil. O diretor estará presente na sessão. Também chegam A Terra do Meu Pai, de Pawel Pawlikowski, e All of a Sudden, de Ryusuke Hamaguchi, ambos premiados em Cannes.
A seleção passeia por estilos e épocas. Tem Minotauro, de Andrey Zvyagintsev, Feito Pipa, de Allan Deberton, representante brasileiro na disputa por uma vaga no Oscar de filme internacional, e Maria de Maria, de Luiza Shelling Tubaldini. Há ainda restauros de Aurora, clássico de F. W. Murnau, e da trilogia A Batalha do Chile, de Patricio Guzmán.
Também aparecem nomes como Kiyoshi Kurosawa, Tsai Ming-liang, Kleber Mendonça Filho e Jonathan Glazer. É o tipo de programação que faz a agenda virar um quebra-cabeça: você escolhe um filme, percebe que outro passa no mesmo horário e começa a planejar deslocamentos como se estivesse montando uma operação da S.H.I.E.L.D.
A Mostra para além da tela
A exposição Tempo e Movimento: os 50 anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo será apresentada no Solar Fábio Prado, com concepção da cineasta Daniela Thomas e pesquisa histórica de Helena Tassara. O espaço também recebe a Sala Petrobras, destinada a sessões de grande público, e o 6º Encontro de Ideias Audiovisuais, com conversas sobre o mercado e a realização de filmes.
Outra novidade é a retomada da parceria com o Cine Belas Artes. Uma sala do cinema na Consolação terá quatro sessões diárias do festival. Para quem acredita que ver filme em sala escura, com desconhecidos reagindo juntos, ainda tem uma magia própria, essa volta é uma ótima notícia. Streaming é prático, mas não reproduz o burburinho da sessão que acaba e ninguém quer ir embora sem comentar.
Um festival que segue em movimento
A Mostra também ajudou a abrir caminhos para filmes brasileiros. Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes, foi lançado e premiado no evento. O festival funciona como vitrine, ponto de encontro e oportunidade para obras menores encontrarem espectadores e distribuidores. Nem todo filme precisa nascer mirando um blockbuster; às vezes, basta encontrar a sala certa e um público disposto a descobrir.
Cinquenta edições depois, a Mostra mantém a aposta no cinema como experiência coletiva e espaço de curiosidade. A programação de 2026 celebra o passado sem transformar o festival em peça de museu: tem acervo para pesquisar, cartazes para colecionar e uma seleção pronta para provocar conversas. Que siga assim, inquieta e sem medo de mostrar o que ainda não conhecemos.
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