Ocarina of Time no Switch 2? A melhor ideia é outro Zelda

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Ocarina of Time é aquele jogo que faz a gente bater palminha e sentir nostalgia com força. Mas, se o rumor de um novo remake no Nintendo Switch 2 virar realidade, a real conversa é: talvez a Nintendo devesse mirar em outra joia da franquia.

De novo Ocarina of Time ou trocar o alvo?

Recentemente, apareceu a ideia de um possível remake de Ocarina of Time chegando ao Nintendo Switch 2 ainda no fim de 2026. E, honestamente? Dá vontade de gritar “clássico é clássico”, porque OoT carrega a história da franquia nas costas. No meu caso, é aquele tipo de jogo que formou uma geração inteira, seja por dungeons marcantes, seja pelo impacto de jogar e pensar “como fizeram isso em 1998?”.

Mas aí entra a treta saudável de fã: Ocarina of Time já ganhou uma versão aprimorada no passado (especialmente no 3DS em 2013). E mesmo quando a gente fala de “mais bonito”, o jogo também não está totalmente isolado no ecossistema moderno, já que existe disponibilidade via Nintendo Online. Então por que não usar a energia de um hardware novo para ressuscitar outra lenda que ficou sem o mesmo tratamento?

Por que Ocarina já está “quase resolvido”

Vou ser justo: Ocarina of Time tem poder de milagre. O ritmo, a estrutura de conquistas e a sensação de mundo vivo continuam funcionais até hoje. Um remake novo no Switch 2 poderia, sim, entregar gráficos mais modernos, melhor conforto de controle e uma camada extra de qualidade técnica.

Só que existe um detalhe importante: o público já conhece o “esqueleto” do jogo. Então a pergunta muda de “seria legal?” para “seria o upgrade que faz falta?”. Quando o remake é muito parecido com versões já aprimoradas, a sensação vira aquele meme de “vamos repetir a quest, mas com textura 4K”. E mesmo sendo Ocarina, a franquia tem outras histórias que também puxam o coração, só que com menos chances de ganhar uma repaginada na marra.

Para contextualizar o impacto da obra, a própria página da série do A Link to the Past relembra como o jogo de 1991 moldou coisas que vieram depois. E é aí que a conversa fica interessante.

A Link to the Past (ALttP), lançado em 1991, é aquele tipo de jogo que quase todo mundo respeita, mas que vive na sombra do “monstro principal” da franquia: Ocarina. O paradoxinho é que, sem ALttP, talvez OoT nem tivesse nascido do mesmo jeito. O jogo consolidou direções narrativas, o estilo de mundo e o conceito de exploração que viraria assinatura.

Além disso, ALttP não recebeu um remake direto do tamanho de Ocarina. Até existem variações, tipo A Link Between Worlds, no 3DS, mas aí já é outra parada. Não é “remake”. É um jogo diferente, só que herdeiro. Então, se a Nintendo for usar força bruta do Switch 2 para reencantar algo, faz sentido apostar justamente no que ficou mais tempo aguardando.

E tem mais: a temática do Dark World conversa muito com a estética que a galera ama hoje em Zelda. Dá para imaginar um mundo mais sombrio, com iluminação e atmosfera mais pesadas, sem perder o charme do sprite art que marcou a era.

Como seria um remake no nível Switch 2

Agora vem a parte divertida: “ok, mas como fazer?”. Um caminho bem promissor seria transformar o top-down 2D de ALttP em algo 3D, mantendo a estrutura de dungeons e a leitura clara do mapa. Não precisa virar um sandbox gigantesco se a base não pedir, mas dar tridimensionalidade com presença já resolveria grande parte do desejo dos fãs.

Pensando na mesma lógica de experiências modernas, um remake poderia trazer o Dark World como um lugar com identidade própria, mais denso, com variações de iluminação, efeitos climáticos e layouts que preservem a sensação de “tá tudo ligado”. Aquele clima de subterrâneo e mundo alternativo lembra a fantasia de quem jogou coisas recentes como Tears of the Kingdom, sem precisar copiar tudo.

Em vez de reinventar demais, o ideal seria uma abordagem tipo “repaginada inteligente”. Algo mais na linha de quando a Nintendo pegou Link’s Awakening e devolveu o jogo numa estética nova, só que com o peso e a arquitetura de ALttP. E, claro, dungeons com camadas visuais melhores, com feedback mais claro de navegação, puzzles com tradução natural para o 3D e animações que deem vida ao que hoje parece “travado” só por limitação antiga.

E se a gente pedir o remake certo?

Ocarina of Time no Switch 2 é um sonho fácil de vender. Só que, como a franquia tem um histórico de ouro e um catálogo enorme, talvez o remake mais valioso para a galera seja aquele que falta na prateleira. A Link to the Past tem tudo: relevância histórica, mundo marcante e uma base que aguentaria muito bem uma transformação visual e técnica.

No fim, não é que OoT não mereça. É que, do jeito que a conversa começou, dá para a Nintendo acertar de primeira criando um remake que pareça inevitável. Tipo encontrar a ocarina certa para a música que faltava.