Poc Con 2026 e novidades do mundo otaku: resumo

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Poc Con 2026 cresceu, virou palco de drag e lipsync, e ainda trouxe boas notícias para quem ama animes, mangás e diversidade no mesmo “level”.

Poc Con 2026 virou evento de lipsync e cosplay competitivo

Num sábado à tarde, duas cosplayers entraram no palco vestidas como Crowley e Aziraphale de Belas Maldições e a plateia só conseguiu ficar de boca aberta. O motivo? Um Lip Sync Challenge que mistura cosplay e dublagem de músicas com a cara certa de “isso só podia dar certo”. A produção ainda fez mashups estilosos, daqueles que parecem que foram feitos no mesmo projeto audiovisual de um arco inteiro de anime.

A Poc Con acontece desde 2019 e celebra artistas LGBTQIAPN+. Além do Artist’s Alley, com espaço para vender artes, também rola mesa redonda, workshop e concursos cosplay com uma pegada que lembra RuPaul’s Drag Race, só que no universo otaku e com muita energia de comunidade. E o crescimento do evento está gigante: a primeira edição teve cerca de 3 mil visitantes, enquanto a de 2025 chegou perto de 16 mil.

Em 2026, o evento foi realizado no Anhembi, um pavilhão enorme em São Paulo. Só que quando você faz “upgrade” de escala, vem junto a dor de cabeça do tipo: a organização precisou contratar 70 pessoas para dar conta da operação. Mesmo assim, teve crítica sobre lotação no sábado e sobre o deslocamento, porque o pessoal sentiu falta da proximidade de metrô que rolava em edições anteriores.

Editoras apostam em diversidade e lotam estandes

Andar pela Poc Con também é tipo entrar num catálogo vivo de mangás: editoras ocuparam bastante espaço e puxaram discussões sobre representatividade. Entre os estandes que marcaram presença estavam Editora JBC, Universo dos Livros, NewPOP, MPEG, Conrad, Taverna do Rei, Veneta e Baú Editora.

A MPEG, por exemplo, promoveu lançamentos com autores da casa e teve filas grandes. Um dos destaques foi o chinês Liang Azha, com o quadrinho BL Starting With a Lie. O cara fazia desenhos em volumes para fãs e atendia todo mundo com calma, daquele jeitinho que faz o evento valer o deslocamento.

Além disso, a editora divulgou quatro novos títulos no evento: dois BLs e dois GLs. Entre eles estão Envolto pelo Crepúsculo, À Meia-Noite Me Entrego a Você, Sorairo Girlfriend e Twin Cake. E quando você cruza esses nomes com o que o público pede, fica claro que não é moda passageira: é demanda real.

Também rolou a lembrança de como foi difícil no começo. O primeiro mangá protagonizado por casal homoafetivo lançado no Brasil foi Gravitation em 2007, e na época foi “um nicho para um nicho”. Hoje o cenário parece bem diferente, com mais interesse e mais títulos chegando. E sim, ainda existe espaço para melhorar: o texto também menciona que algumas editoras ficaram de fora, como Panini e Pipoca e Nanquim, o que deixa uma sensação agridoce.

Do Brasil para o Japão: cosplay em modo competição

Se Poc Con é festa, ela também tem competição. O exemplo mais claro vem do World Cosplay Summit, que é tipo a Copa do Mundo do Cosplay. Nessa edição, o Brasil foi representado por Avner e Giovanna, de Fortaleza (CE).

A dupla venceu a etapa brasileira com um cosplay de Tales of Arise, e agora vai ao Japão para disputar as próximas fases. E aí bate aquela pergunta que todo fã pensa: será que o Brasil consegue a quarta vitória? Porque, na prática, o evento vira uma espécie de “origem” de novos heróis do cosplay. Aquele arco clássico: treinamento, desafio, competição e entrada no território inimigo.

Detalhe: o lip sync também deu o tom de que a cena está cada vez mais híbrida. Não é só cosplay parado. Agora a galera também dubl a, encena e transforma música em narrativa. É cultura pop no modo turbo.

Diários de uma Apotecária ganha livro no Brasil

Quando a gente fala de otaku, normalmente a rota é: anime em cima do mangá. Mas Diários de uma Apotecária é o tipo de sucesso que expande o “universo fonte”. O título, que fez barulho no anime, agora vai ganhar os livros originais (light novels) no Brasil pela Editora Alt, um selo do Grupo Globo.

O interessante é que a Alt não tinha histórico forte com light novels, então a escolha foi vista como uma aposta diferente. A própria editora divulgou que o primeiro volume deve sair em 23 de julho, com preço de R$ 59,90 e brindes inclusos. A capa nacional deve seguir bem de perto a versão japonesa, com a diferença do texto em português.

Também teve explicação sobre tradução dos nomes. Existe confusão porque a leitura dos nomes muda: no anime via Crunchyroll, os nomes usam leitura chinesa, enquanto o mangá da Panini usa a leitura japonesa dos kanjis. A Alt sinalizou que vai traduzir do japonês e manter a nomenclatura alinhada com o anime. E sobre cronograma, a editora foi bem transparente: quer lançar pelo menos 3 volumes ainda este ano e alcançar o anime quando chegar na metade da terceira temporada, prevista para abril de 2027.

Para quem acompanha a série, isso significa que Maomao deve ganhar um caminho extra para aprofundar a história sem depender só do streaming. E pra quem é fã raiz, livro físico é quase uma relíquia de coleção.

E o resto da semana otaku: dublagem, filmes e streaming

Enquanto a Poc Con puxa o público pra perto, o restante do ecossistema otaku também não para. A Crunchyroll, por exemplo, colocou em português a dublagem de Blue Lock – Episódio Nagi, trazendo uma recontagem da história pela visão do Nagi. E esse tipo de filme que adapta temporadas inteiras pode ser bem criativo, porque geralmente vem com conteúdo extra e escolhas de direção que fazem o fã perceber detalhes que já tinham passado.

Outra boa: o perfil do estúdio TMS liberou no YouTube um filme gratuito de Detetive Conan com temática de futebol, Detetive Conan – O 11º Artilheiro. O longa tem quase duas horas e dá para assistir com legenda em português. Para quem precisa encaixar um “episódio a mais” na rotina sem dor, é um daqueles gifts que cai bem.

E se você gosta de ritmo de plataforma, o anime Smoking Behind the Supermarket with You ganhou pré-lançamento meio fora da caixa: a Crunchyroll disponibilizou cerca de metade dos episódios antes do período completo. Como o formato é dividido em mini-histórias, o público já consegue degustar a vibe do Sasaki na rotina, cigarro, conveniência e aquela comédia romântica que promete render comentários em rede social.

Enfim, é aquele combo: evento crescendo, livros chegando e streaming mexendo no tabuleiro. O universo otaku tá acelerando, e eu já tô com uma ansiedade do tamanho de cartaz em feira grande.

A Poc Con mostrou que fandom também é produção e acolhimento

Se tem uma mensagem que dá pra tirar da Poc Con 2026 é simples: não é só consumir história, é produzir cultura junto. Entre lipsync, estandes lotados, cosplay rumo ao Japão e livro oficial chegando em português, o evento virou prova de que diversidade e fandom andam de mãos dadas. E quando a comunidade cresce desse jeito, quem perde é só quem não aparece.

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