Primeiro as Damas: Netflix inverte poder em comédia

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Primeiro as Damas estreou na Netflix e joga o jogo invertido: em vez de o homem mandar, quem dita as regras é o outro lado. E, claro, a comédia usa isso para cutucar poder, machismo e o “oba-oba” corporativo.

Por que essa inversão social funciona como sátira

Na moral? Primeiro as Damas é aquele tipo de comédia que não deixa você só rir. Ela te faz perceber como certas engrenagens de poder costumam ser naturalizadas. A Netflix estreia nesta sexta-feira (22) o longa estrelado por Sacha Baron Cohen e Rosamund Pike, e a premissa é simples e eficiente: um homem acostumado ao centro do palco acorda num mundo onde as regras de gênero e hierarquia foram invertidas.

O resultado é uma sátira afiada do ambiente corporativo. O filme pega comportamentos que, no “mundo padrão”, são tratados como normais e coloca esses mesmos comportamentos sob um novo holofote. A graça vem do contraste, mas a reflexão aparece no incômodo. É como se a produção dissesse: “olha como é fácil ignorar privilégios quando eles estão do seu lado”.

Damien e Alex: o conflito que nasce da troca de papéis

Quem protagoniza a queda de gravidade narrativa é Damien Sachs. Interpretado por Sacha Baron Cohen, ele é aquele executivo de publicidade cheio de si, rodeado de sucesso, com aquela aura de quem acha que sempre vai sair por cima. Ele se move pela vida com a segurança de quem acredita que as estruturas ao seu redor são praticamente um DLC pessoal: ele só ativa e segue em frente.

No enredo, Damien está prestes a assumir um cargo ainda maior. Só que ele acorda em uma realidade paralela comandada por mulheres, e aí o castelo desaba. Agora ele vira o “vulnerável”: exposto a olhares, constrangimentos e regras que antes ele ignorava ou tratava como irrelevantes. Não é só uma troca de gênero. É uma reconfiguração completa de poder.

Do outro lado, entra Alex Fox, vivida por Rosamund Pike. Se antes Damien subestimava Alex, nesse novo cenário ela surge em posição de autoridade. E o mais interessante é que o filme não transforma Alex apenas em uma “figura do destino”. Ela ganha camadas, vira espelho e contraponto do comportamento de Damien. Em entrevista, Pike chegou a descrever essa versão como “estranhamente catártico”, resumindo bem a proposta: inverter para revelar o que era invisível.

O DNA do filme: adaptação francesa e elenco britânico

Primeiro as Damas não nasce do nada. O longa é inspirado em I Am Not an Easy Man, filme francês escrito e dirigido por Éléonore Pourriat. A ideia central permanece: fazer a inversão social funcionar como motor de humor e crítica. Só que a versão em inglês amplia o alcance, aposta em produção de maior escala e mira diretamente o público global da Netflix.

E tem aquele tempero que britânicos fazem bem: elenco forte. Além de Cohen e Pike, o filme conta com Richard E. Grant, Emily Mortimer, Charles Dance, Fiona Shaw, Tom Davis, Werneuche Opia, Kathryn Hunter, Kadiff Kirwan e Bill Paterson. É um time que sustenta o tom da história e dá base para o roteiro fazer a troca de perspectiva acontecer sem virar só pancadaria cômica.

O roteiro fica por conta de Natalie Krinsky, Cinco Paul e Katie Silberman, enquanto a direção é da Thea Sharrock, conhecida por Como Eu Era Antes de Você. Ou seja: a Netflix juntou humor, crítica e gente que sabe construir personagens em vez de só caricaturar.

Sacha Baron Cohen e Rosamund Pike entregam o punchline

Sacha Baron Cohen sempre foi ótimo em colocar o espectador no desconforto de rir e questionar ao mesmo tempo. Em Damien, ele faz o cara parecer genuinamente convencido, como se a realidade fosse uma extensão do ego dele. Só que, quando tudo inverte, a comédia vira uma espécie de teste de espelho: se antes ele atravessava portas e ganhava vantagens, agora ele tem que lidar com a mesma lógica aplicada contra ele.

Rosamund Pike, por sua vez, dá peso para Alex Fox. No universo do filme, ela não é só “a versão da mocinha no lugar do protagonista”. Ela ocupa espaço com firmeza, e a atuação passa aquela sensação de controle que, na prática, Damien nunca soube respeitar. É nessa tensão que o humor encontra dentes.

No fim, a dupla funciona como motor narrativo: Cohen traz o comportamento tóxico como algo performático e naturalizado, enquanto Pike mostra como poder pode ser exercido e também como pode ser desmascarado quando a perspectiva muda.

Netflix acertou o alvo ou foi longe demais?

Se você curte comédia que usa situação absurda para falar de coisa séria, Primeiro as Damas tem tudo para entrar na lista de “assistir com pipoca e depois debater no grupo do chat”. A inversão de papéis não é só truque: ela vira ferramenta para discutir machismo, privilégios e linguagem corporal de poder no escritório e fora dele.

Agora, vai agradar todo mundo? Provavelmente não. Satira mexe com feridas e costuma dividir opiniões. Mas a aposta da Netflix aqui é clara: não deixar o riso ser vazio. E, convenhamos, depois de tantas histórias de “só mais uma comédia”, é legal ver uma que tenta jogar luz em como as engrenagens sociais funcionam quando a gente troca o personagem no tabuleiro.

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