Próximo! na Netflix estreou a terceira temporada e, de um jeito bem conhecido, soltou um padrão narrativo que lembra a galera surtando com Emily em Paris. O resultado? Protagonistas mais irritantes do que deveriam.
- O erro em Próximo! que parece remix de Emily em Paris
- O “mel” de Leyla que vira motivo de reviravolta
- Por que os pretendentes nunca somem da vida dela
- O efeito dominó: quando a trama gira em torno do ego
- A Netflix está repetindo o mesmo trope como se fosse feature
O erro em Próximo! que parece remix de Emily em Paris
A terceira temporada de Próximo! (aquela série turca que já virou sessão coletiva de maratona na Netflix) trouxe novos capítulos e, junto, aquele mesmo “truque” que também deixou muita gente irritada em Emily em Paris.
Não é exatamente o romance em si. É o atalho usado pela narrativa para transformar qualquer homem novo em alguém que, em poucos episódios, já está emocionalmente investido na protagonista. Em Emily em Paris, a Emily (Lily Collins) era a personificação do “amor instantâneo” por onde passava, até antes de ser realmente conhecida. Em Próximo!, Leyla (Serenay Sarıkaya) funciona quase como o mesmo ímã afetivo, só que com a vantagem de ter uma bagagem emocional mais densa.
Antes mesmo da terceira temporada, a série já mostrava que a vida de Leyla gira em torno de conexões amorosas que brotam rápido demais. Ainda assim, o season finale e os arcos recentes deixam isso mais explícito, como se a trama dissesse: “relaxa, pode acontecer tudo de novo”. E aí bate aquele sentimento: por que está sempre dando match emocional imediato?
O “mel” de Leyla que vira motivo de reviravolta
Leyla começa a história tentando superar o término com Omer (Metin Akdülger), depois de descobrir uma traição. Só que o romance dela com Omer tem aquele formato clássico de novela, com idas e vindas, até desembocar em mais um choque no dia do casamento.
Enquanto o público tenta processar o caos, entram outros personagens com sentimentos prontos. Sarp (Ahmet Rıfat Şungar) confessa em bebedeira, Feyyaz (Boran Kuzum) aparece como chef e investe quando ela tenta esquecer, e Cem (Hakan Kurtas) chega com uma vibe bem mais problemática, tipo o vilão que não aceita “não” como resposta.
Na terceira temporada, o detalhe que dá coceira é a forma como o encanto de Leyla vira assunto. Defne, ex-mulher de Cem, ironiza: todo mundo parece ir atrás da advogada e, no fim, acaba dando prioridade às vontades dos outros em vez dela ter controle total da própria vida. A narrativa ainda reforça isso quando Ali (Metin Akdülger), o vizinho recém-chegado, declara que “todos se apaixonam com facilidade” porque Leyla é encantadora. A diferença é que em Emily em Paris esse pensamento fica implícito, enquanto aqui a série quase coloca o argumento na mesa.
Por que os pretendentes nunca somem da vida dela
Esse é o outro ponto que cola em Emily em Paris. O romance pode até avançar, mas os “perdedores” e os ex-namorados permanecem por perto, como se fossem NPCs de um RPG que nunca ficam fora do grupo.
Omer e Sarp têm amizade antiga com Leyla. Feyyaz, mesmo rejeitado por ela quando fica na linha “quero algo sério”, continua no entorno social. Na prática, isso cria uma tensão permanente: quem Leyla escolhe não resolve, porque o resto do elenco emocional continua rondando e reagindo.
Ali começa a sair com amigos dela antes mesmo de o relacionamento ficar oficial, o que aumenta o clima de “vai dar ruim” entre personagens. E, para completar, Feyyaz é a exceção curiosa: ele supera Leyla e segue convivendo com mundo afora sem transformar cada encontro em teste de ego.
Em Emily em Paris, a lógica é parecida, só que com outros nomes e outra cidade. É o mesmo trope: os homens rejeitados ficam ali, como se o objetivo fosse alimentar as reações da protagonista, em vez de construir consequências reais para os romances.
Para comparação de ritmo e contexto, vale lembrar que a própria Netflix capitaliza esse tipo de drama em série e continua apostando em histórias com romances recorrentes, como dá para acompanhar no site da Netflix e nos catálogos de lançamentos.
O efeito dominó: quando a trama gira em torno do ego
Quando você junta o amor instantâneo com a presença constante dos pretendentes, sobra pouco espaço para uma coisa que seria mais interessante: construção gradual.
Em Próximo!, Cem vira o grande vilão da história de Leyla, e isso faz sentido porque ele tem um arco que ameaça a autonomia dela. Mas, fora esse eixo, o resto tende a funcionar como vitrine emocional: a protagonista escolhe, termina, reaproxima, e os outros personagens continuam tendo acesso ao “mundo dela” do mesmo jeito.
Isso irrita porque parece que a trama está mais interessada em mostrar quanta gente deseja Leyla do que em mostrar como ela aprende a estabelecer limites. Em vez de “qual é o próximo passo da Leyla?”, a sensação vira “quem vai cair mais uma vez no charme dela?” E aí fica difícil não pensar: a série está copiando um erro de outra produção e só ajustando a roupa do personagem.
O trope do “amor imediato” ainda vai ser desculpa para tudo?
No fim, a terceira temporada de Próximo! entrega drama e dinâmica de personagens, mas repete um padrão que lembra o que irritou muita gente em Emily em Paris. Quando o roteiro faz o romance virar uma máquina de “apaixone-se do nada” e ainda mantém todo mundo perto depois do não, a protagonista pode até ser complexa, mas o efeito colateral é simples: fica fácil irritar.
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