RPGs open world com vibe do PS1: Dread Delusion

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RPGs de mundo aberto estão tirando inspiração direto da era do PlayStation 1, mas nem todo mundo acerta o “charme estranho” que faz a gente esquecer o HUD e só seguir o caminho. Um exemplo que chega forte é Dread Delusion.

Por que o PS1 virou referência pra RPG

Num momento em que muitos AAA parecem clones visuais de texturas hiper-realistas, sempre tem alguém que solta o controle no modo autopiloto e vai pro lado “mais simples e mais autoral”. Aí entra a estética que muita gente associa a uma certa nostalgia técnica: o clima da era PS1, com sensação de sonho ruim, instabilidade proposital e um visual que não tenta te convencer que é a vida real.

É aqui que o debate fica divertido. Mundo aberto virou quase sinônimo de “mostrar tudo no mapa”, “marcar tudo no quest log” e “facilitar até a decisão”. Só que Dread Delusion vai na contramão: ele usa limitações visuais como parte da identidade e transforma a exploração em algo que exige atenção, como se você tivesse de novo o cérebro na função “detetive” em vez de “turista de minimapa”.

Acid fantasy, polígonos e cores que gritam

O jogo abraça a vibe acid fantasy, que é basicamente o encontro entre fantasia caótica e um acid trip visual. Em vez de tentar esconder limitações, ele faz delas um estilo. Os cenários têm baixa contagem de polígonos, cores intensas e efeitos que parecem ter sido desenhados para te dar estranheza, não conforto.

O resultado é um mundo que parece instável e onírico. Não é “bonito certinho”, é “bonito inquietante”. E isso conversa com o tipo de experiência que o RPG quer entregar: você entra, olha ao redor e pensa “ok, mas onde eu tô e por que esse lugar tem essa cara de pesadelo colorido?”.

Tem também uma assinatura bem clara de design: ambientes são construídos para guiar pelo sentimento. E quem cresce jogando clássicos do PS1 reconhece esse truque na hora. Para referência do contexto e catálogo, dá para ver a discussão histórica por meio da timeline do PlayStation.

Exploração livre sem muletas modernas

Estruturalmente, Dread Delusion é um RPG em mundo aberto com DNA de clássicos tipo The Elder Scrolls IV: Oblivion. Só que ele pega o “ritmo da exploração” e tempera com uma abordagem mais crua. Você pode resolver situações de jeitos diferentes: dá para jogar furtivo, evitar briga, ou ir pro combate direto com uma variedade considerável de armas.

O ponto mais legal é que ele resgata decisões de design que muitos jogos “modernizaram” para tirar trabalho do jogador. Aqui, os marcadores são limitados. A navegação pede que você observe o ambiente e preste atenção em detalhes. Se você não estiver ligado, o mundo te pune com aquele “como eu cheguei aqui?”.

Isso vira uma característica de imersão. É como se o jogo dissesse: “não é só seguir seta, é aprender o espaço”. E, sinceramente, é um alívio para quem tá cansado do loop: pegar quest, apertar mapa, mirar no ponto e pronto.

Prisioneiro, alvos e um mundo bizarro em pedaços

A história coloca você como um prisioneiro forçado a cumprir ordens de uma organização misteriosa. A missão começa simples e fica estranhamente maior conforme o jogo vai revelando o que está acontecendo. O mundo é fragmentado, os alvos são específicos e a narrativa do “quadro geral” surge aos poucos, como se estivesse sendo montada enquanto você anda.

No meio desse caos, aparecem missões secundárias, dungeons com design criativo e caminhos alternativos que incentivam estilos de jogo diferentes. Você não joga só para “avançar a história”, você joga para entender como o mundo responde às suas escolhas.

Em vez de despejar tudo em tutorial, o jogo entrega as peças na medida certa. A sensação é de que você tá participando de algo vivo, não só apertando botões para cumprir metas. E isso combina muito com o visual PS1-style: quanto mais estranho fica o cenário, mais você quer descobrir o “porquê” sem que o jogo te conduza pela mão.

Vale a pena jogar um RPG com cara de PS1 em 2026?

Se a ideia é experimentar um mundo aberto que prioriza exploração orgânica e atmosfera acima de realismo padronizado, sim. O jogo tem cerca de 30 horas de campanha, e as avaliações contam a mesma história: quem curte acid fantasy e sente falta de decisão sem muleta tende a se apaixonar rápido.

No Steam, a recomendação fica na casa de 90%. No PlayStation 5, o RPG aparece com nota de 4.76 estrelas. E no fim é isso: nem todo open world precisa ser “perfeito em gráficos”, alguns precisam ser perfeitos na experiência. Dread Delusion entrega essa missão com aquele gosto de “nostalgia que virou arte”.