Saint Seiya: O Começo chega à Temperatura Máxima neste domingo, 11, às 12h25, depois do Esporte Espetacular, na Globo.
- Domingo de cosmo e armaduras
- A origem de Seiya em carne e osso
- Seis anos para encontrar o tom
- Quando a armadura não segue o cosmo
- O que os números contam
Domingo de cosmo e armaduras
Tem fã que ouve “Saint Seiya” e já completa mentalmente a abertura. Para essa galera, a sessão pode bater como um convite à nostalgia. Para quem nunca acompanhou o anime, é uma chance de conhecer uma versão em live-action de um universo que mistura mitologia grega, combates e guerreiros ligados às constelações.
O longa foi lançado em 2023 e tenta colocar essa mitologia toda na tela com atores reais. A missão não era simples: Cavaleiros do Zodíaco tem décadas de histórias, personagens e referências. Adaptar isso sem deixar o público novato perdido e sem frustrar quem já sabe cada golpe de cor é uma daquelas tarefas que parecem treino de bronze antes de encarar um Cavaleiro de Ouro.
A origem de Seiya em carne e osso
A trama acompanha Seiya, interpretado por Mackenyu, um adolescente que participa de lutas para ganhar dinheiro enquanto procura a irmã sequestrada. Um confronto desperta nele poderes que estavam escondidos, e a busca pessoal começa a se cruzar com um mundo de guerreiros, treinamento e forças sobrenaturais.
Seiya descobre que tem um papel ligado à proteção de uma deusa reencarnada e precisa entender o que consegue fazer antes de aceitar esse destino. É uma escolha compreensível para uma história de origem: em vez de tentar colocar uma saga inteira dentro de um único filme, a produção concentra o foco no protagonista. O risco é que, ao abrir espaço para apresentar as peças do tabuleiro, sobre pouco tempo para fazer a gente se importar com todas elas.
Além de Mackenyu, o elenco reúne Madison Iseman, Sean Bean, Famke Janssen, Diego Tinoco, Mark Dacascos e Nick Stahl. O diretor Tomasz Bagiński conduz essa aventura de fantasia e ação, que busca aproximar a franquia tanto dos fãs antigos quanto de espectadores sem intimidade com o anime.
Seis anos para encontrar o tom
O projeto passou por cerca de seis anos de desenvolvimento, embora o trabalho tenha acontecido de forma intermitente. Nesse período, houve diferentes versões de roteiro e discussões sobre como tornar acessível uma mitologia cheia de ramificações. Não é difícil imaginar o tamanho do quebra-cabeça: explicar o cosmo, as armaduras e a missão de Seiya sem transformar o filme numa aula com figurino brilhante.
A produção decidiu se apoiar na origem do herói. É uma estratégia que pode ajudar quem está chegando agora, mas também muda o ritmo e as prioridades da narrativa conhecida pelos fãs. Adaptação não precisa ser cópia quadro a quadro, claro. Ainda assim, quando o material original tem uma identidade tão marcante, qualquer mudança precisa oferecer algo que faça sentido por conta própria.
Quando a armadura não segue o cosmo
Masami Kurumada, criador do mangá, participou do desenvolvimento e sugeriu caminhos para a história e para o visual. Segundo Bagiński, os primeiros conceitos das armaduras puxavam para uma aparência mais tecnológica, próxima à de filmes de super-heróis. A equipe então buscou referências medievais, tentando manter o espírito fantástico da obra.
Também havia um desafio bem pé no chão: fazer armaduras que parecessem fiéis ao desenho, mas não impedissem os atores de se mexer. Ombreiras volumosas são ótimas para impor respeito; para coreografar uma luta, podem virar inimigas da mobilidade. O resultado é uma tentativa de equilibrar fantasia, praticidade e reconhecimento visual. Para mim, esse tipo de detalhe mostra como traduzir um anime para o mundo real exige mais do que trocar desenhos por pessoas: é preciso entender o que torna aquele universo especial.
O que os números contam
Com orçamento estimado em US$ 60 milhões, o filme arrecadou US$ 6,9 milhões mundialmente. É uma distância enorme entre investimento e retorno, e os números deixam claro que a força do nome da franquia, sozinha, não bastou para transformar o longa em sucesso de bilheteria.
A recepção crítica também foi difícil: na consulta citada, o Rotten Tomatoes registrava 20% de aprovação, enquanto o Metacritic marcava 35 pontos em 100. Entre as ressalvas estavam o roteiro, os efeitos visuais e a dificuldade de capturar a energia da história original. Não significa que ninguém possa curtir a sessão, mas ajuda a calibrar a expectativa: não espere uma adaptação que resolva tudo que faz parte do imaginário dos fãs.
Na TV aberta, porém, a aventura ganha uma nova oportunidade de encontrar espectadores. Se você cresceu acompanhando os Cavaleiros, vale assistir com curiosidade, não com a expectativa de rever o anime cena por cena. E, se estiver chegando agora, pode encarar como uma porta de entrada para uma franquia que já ensinou muita gente que, às vezes, levantar depois de cair é parte do golpe.
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