Solo Leveling: por que a abertura fugiu do padrão

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“Não acho que a maioria dos estúdios de anime com os quais trabalhei no Japão teria feito isso”: em Solo Leveling, a abertura virou praticamente um ato de coragem corporativa.

O que tornou a opening um “risco”

O produtor Atsushi Kaneko, de Solo Leveling, soltou uma frase daquelas que fazem fã parar de rolar o feed e pensar: “ok, então foi intencional”. Ele disse que não acreditava que a maioria dos estúdios japoneses com os quais trabalhou teria topado um caminho diferente para a abertura.

O ponto é simples, mas pesado: a equipe decidiu contratar um estúdio coreano para cuidar da opening da primeira temporada. E isso, segundo Kaneko, não é o padrão do mercado. Em muitos casos, por tradição e controle de qualidade, a abertura costuma ser feita internamente, mesmo quando o resto da produção envolve terceiros.

Ou seja, não foi só “trocar fornecedor”. Foi mexer numa peça que define o tom do anime desde o primeiro segundo.

Primeira impressão e a regra de ouro

Kaneko explica a lógica por trás da cautela. Para ele, a opening é a primeira impressão do anime. É aquela vitrine que decide se o espectador vai sentir aquela vontade imediata de continuar ou se vai deixar o vídeo morrer na lista.

Por isso, existe um “standard” de mercado: muitas equipes preferem manter a abertura sob responsabilidade interna, porque ela carrega identidade, ritmo, animação chave e, claro, a sensação de “polimento” que a galera percebe na hora.

Mas em Solo Leveling, o desejo era outro. Como a obra tem raízes coreanas (e o universo nasceu na Coreia), Kaneko queria que a abertura mantivesse essa conexão de forma mais direta. A decisão foi tratada como algo “bem diferente” para o cenário de estúdios japoneses que ele conheceu.

O Studio PPURI e o plano por trás

Na prática, a abertura ficou nas mãos do Studio PPURI. E, pelo relato do produtor, o estúdio entregou um trabalho que funcionou muito bem.

Agora, pensa no timing disso: quando você contrata um parceiro externo, especialmente de outro país, você precisa alinhar estilos, expectativas e fluxo de aprovação. Não é só “mandar o storyboard e rezar”. Você tem que garantir que a energia do material original seja preservada, sem virar um Frankenstein visual.

É exatamente por isso que a escolha vira um diferencial. Mesmo com a abertura sendo uma parte pequena do total do anime, ela está no centro do hype. No universo geek, a opening é onde todo mundo começa a falar, remixar trechos e comparar frames como se fosse missão de arqueologia.

Aliás, se você quiser ver como o anime vira fenômeno por métricas de audiência, o acervo de Anime do IGN Brasil costuma reunir várias matérias de lançamentos e repercussão que ajudam a entender esse impacto.

Japão e Coreia: como isso mudou o jogo

A fala de Kaneko também revela uma tensão antiga do fandom global: a expectativa de que produções japonesas se adequem ao “gosto ocidental”, como se isso fosse uma espécie de objetivo inevitável. No caso de Solo Leveling, o caminho foi quase o oposto. Em vez de se afastar da origem, a equipe puxou a abertura para perto das raízes coreanas.

Isso cria uma assinatura que você sente. A abertura não soa como um projeto “genérico para internacional”. Ela tem personalidade, energia e um tipo de acabamento que combina com o universo da obra. E quando a primeira impressão acerta, o resto do trabalho ganha espaço pra construir narrativa e personagens sem precisar “se explicar” o tempo todo.

No fim, a escolha de um estúdio coreano para uma etapa tão sensível mostra que a produção entendeu o poder do começo. Foi um movimento pragmático e, sim, meio ousado para quem está acostumado com rotinas internas no Japão.

Quando a abertura vira o truque do mago

Então é isso: Solo Leveling não só entregou história. Ele apostou numa primeira impressão feita com coragem, alinhada à origem e com mão de um estúdio que sabe do assunto. E, sinceramente, dá pra entender por que Kaneko acha que não seria fácil para muitos estúdios japoneses repetirem a fórmula.

Porque quando você mexe na opening, você mexe no destino do hype. E, nesse caso, o feitiço pegou.

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