Depois do impacto de Solo Leveling com o público, a indústria achou que bastava “copiar e colar” a fórmula do RPG e do power-up. Spoiler: não foi bem assim.
- Por que a indústria sentiu o cheiro de lucro
- The Strongest Tank’s Labyrinth Raids: tanque sem brilho
- Failure Frame: ação travada por técnica abaixo
- The Exiled Heavy Knight: muito “explica”, pouca pancadaria
- The Most Notorious Talker: política que perde punch
- Tomb Raider King: estética parecida, memória igual
- E aí, qual desses você ignorou ou insistiu em ver?
Antes de falar do flop, vamos alinhar o radar geek. O que fez Solo Leveling explodir foi a combinação de progressão clara, sistema com cara de RPG e lutas que davam aquele choque visual de “agora vai”. Quando outros animes tentam surfar a onda, o problema costuma aparecer rápido: ou faltam recursos para elevar a animação, ou a narrativa vira um manual de stats, ou o resultado fica genérico. E sim, isso derruba a empolgação em tempo recorde.
Por que a indústria sentiu o cheiro de lucro
A recepção gigante de Solo Leveling virou um gatilho para o mercado: surgiram histórias com masmorras, portais e protagonistas “fracotes” que descobrem potencial fora da caixinha. O detalhe é que boa parte dos projetos tenta repetir apenas a superfície. Trocam o nome do personagem, mantêm as interfaces de status e colocam um arco de vingança com cara de copy. Só que a audiência não quer só mecânica. Ela quer ritmo, impacto e momentos que viram meme.
The Strongest Tank’s Labyrinth Raids: tanque sem brilho
Em The Strongest Tank’s Labyrinth Raids, a premissa até é divertida: Rud, um “tanque” injustiçado, sai pelo mundo para curar a irmã e montar a própria equipa para encarar monstros de masmorra. Estúdio Polon entrega um universo bem alinhado com códigos de RPG e hierarquia entre aventureiros, bem no estilo que fãs do género consomem.
Mas aí vem o golpe: a animação não acompanha a promessa. Cenários com pouca vida e designs que raramente surpreendem deixam os combates com aquela sensação de “ok, aconteceu”. Não é que a história não funcione, é que falta aquele brilho que faz o público lembrar do confronto, e não só da premissa.
Failure Frame: ação travada por técnica abaixo
Failure Frame pega uma ideia bem conhecida e potencialmente viciante: Touka Mimori é considerado inútil, mas descobre que suas capacidades de estados alterados são mais fortes do que imaginavam. Estreia em julho de 2024 com Seven Arcs e SynergySP. Traduzindo: tem tudo para agradar quem gosta da evolução do “fraco” que vira ameaça.
O problema é execução técnica. O anime recorre a 3D com qualidade visivelmente inferior em momentos de combate. Resultado: cenas que deveriam ser tensas e impactantes ficam desajeitadas, e a experiência perde o “peso” emocional do poder crescendo. No fim, o público troca a empolgação por comparação automática com outros títulos do mesmo nicho.
The Exiled Heavy Knight: muito “explica”, pouca pancadaria
Em The Exiled Heavy Knight Knows How to Game the System, com animação do estúdio GoHands, o conceito é praticamente uma carta na mesa: Elymas Edvan sabe que está num jogo e entende o que a classe “Cavaleiro Pesado” esconde. Isso dá aquela vantagem de sistema, com janelas de estado e progressão bem clara, bem alinhado com o apelo RPG.
Só que a balança pende demais para explicação. Em vez de priorizar coreografias fluidas e leitura emocional de combate, o anime aposta em longos monólogos sobre distribuição de pontos e combinações de habilidades. Aí, quando a cena deveria ser elétrica, vira quase aula. Para quem quer ver o protagonista brilhar em ação, isso pesa.
The Most Notorious Talker: política que perde punch
The Most Notorious Talker Runs the World’s Greatest Clan muda o jogo ao colocar Noel Stollen como um suporte que não luta na linha de frente. Produção por Felix Film e Ga-Crew, e a proposta é sombria e cínica: política interna de guildas, masmorras e poder sendo construído com manipulação e cálculo.
Em teoria, isso seria um diferencial. Na prática, esbarra em limitações orçamentais: o anime recorre a imagens estáticas e monólogos internos exatamente quando seria perfeito ter mais dinamismo visual. A ambição tá lá, mas o impacto dos confrontos fica achatado, e a sensação final é de “prometeu e não entregou”.
Tomb Raider King: estética parecida, memória igual
Tomb Raider King saiu em julho de 2026 sob EEK e adapta o manhwa da Redice Studio. O gancho é forte: Joo-Heon Seo é traído e enviado quinze anos para trás, com conhecimento do futuro para dominar tumbas amaldiçoadas, reunir artefatos e crescer um império global.
E aqui entra o detalhe que derruba: a recepção ficou marcada por sensação de familiaridade demais. Visual e interfaces lembram Solo Leveling, e a produtora ser a mesma só aumenta a expectativa. Só que muita gente apontou falta de originalidade e dependência de fórmulas já testadas. Quando tudo parece “quase igual”, a memória do público não cola.
Para contexto do tema, vale conferir a cobertura sobre tentativas semelhantes em CBR.
Você prefere fórmula bem feita ou tentativa de copiar sem alma?
Esses cinco animes até acertam na premissa e na estética de progresso, mas erram no que realmente sustenta hype: animação, ritmo e aquele “uau” que faz o público falar por dias. Agora me diz: qual desses você acha que só precisava de mais orçamento, e qual você já desistiu no primeiro episódio?
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