Sony Pictures corta empregos e acelera anime e PlayStation

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A reestruturação da Sony Pictures veio com cortes de centenas de postos e um recado claro: a empresa quer apostar mais em anime, PlayStation e conteúdo licenciado, mesmo com o caos do departamento de RH a bater à porta.

O memo da Sony Pictures: quando o NPC dispara e ninguém se ri

O CEO Ravi Ahuja enviou um memorando interno a explicar que a Sony Pictures Entertainment está a passar por uma das maiores reorganizações recentes. E sim, a parte “difícil” está explícita: o processo já está em curso e deve estender-se por vários meses. Numa linguagem quase de RPG, é como quando o jogo decide mudar as regras do combate a meio da run. Só que aqui não há “checkpoint bonito”.

De acordo com informações avançadas por Variety e The Hollywood Reporter, os cortes deverão afetar algumas centenas de pessoas num universo global de cerca de 12.000 funcionários. Mas o mais interessante é a narrativa da empresa: não é para “poupar dinheiro” no sentido clássico. A ideia é reposicionar a organização para o que eles chamam de crescimento direcionado e estratégico.

Onde caem os cortes: cinema, TV e o “corporate” em modo hard

O memorando aponta para redução de postos em três frentes: divisões de cinema, televisão e áreas corporate. Ou seja, não é só o pessoal do “conteúdo” a apanhar. A reestruturação toca também em funções internas que garantem que os projetos saem do papel e não viram só storyboards em powerpoint eternamente pendurados.

Nos bastidores, a lógica que aparece é bastante típica de grandes conglomerados: alinhar a estrutura com o rumo atual do negócio. O CEO foi direto ao dizer que a empresa quer alinhar-se com o futuro e não com o caminho “que tem seguido”. Em tradução nerd: trocar a build. E se a build antiga não serve, “nerfa-se” o que estiver a mais.

Porque anime e PlayStation viraram a “meta” do grupo

As áreas que vão receber mais investimento são as mais coerentes com o que o público geek tem sentido nos últimos anos: anime, adaptações de videojogos da PlayStation, expansão de franquias e marcas, e também produção de conteúdo para plataformas nativas como YouTube. E aqui entra um nome que muita gente já associa a maratonas sem culpa: Crunchyroll. A empresa vê a plataforma como um motor de retorno.

Do lado das IPs, a Sony aposta forte em propriedades já com tração. Há exemplos de projetos ligados a universos e marcas como God of War (em desenvolvimento para Amazon), e expansão de séries e filmes ligados a The Boys, Spider-Man e Ghostbusters. Além disso, houve aquisição de IP dos Peanuts e um acordo com a Big Shot Pictures, reforçando aquela estratégia de “vamos investir em coisas que o público já conhece”.

E no capítulo streaming, a Sony parece preferir uma abordagem mais flexível: em vez de construir uma plataforma própria gigantesca, tende a vender conteúdos a vários parceiros (para além da Crunchyroll). Isso reduz riscos e, em teoria, aumenta margem de manobra. É como ter o mesmo personagem em várias guildas, em vez de ficar só numa.

Para contextualizar o universo da Crunchyroll, a Crunchyroll continua a ser a âncora óbvia desta aposta, especialmente para audiências globais.

Reorganização interna: lideranças a trocar de dungeon e Pixomondo a fechar

A reestruturação não é só reduzir e pronto. Há também mudanças orgânicas e mexidas em lideranças. O Game Show Group vai ser fundido com a Game Show Network, ficando sob alçada de Suzanne Prete. Já a divisão de não-ficção da Sony Pictures Television ficará a cargo de Katherine Pope, presidente dos estúdios de TV.

E depois vem o “plot twist” mais simbólico: o encerramento da Pixomondo. Este estúdio de efeitos visuais e produção virtual foi adquirido pela Sony em 2022 e acumulou créditos de peso em VFX. A empresa vai fechar as operações após concluir projetos e contratos em curso. A intenção é concentrar o trabalho internamente na Sony Pictures Imageworks, sediada em Vancouver, e também encerrar a produção virtual da divisão Clara. No meio disto, o braço de inovação PXO Innovation passa para a investigação do Sony Group.

Em paralelo, há referência a lideranças com saída, como John Zaccario e Colin Davis. Zaccario deverá permanecer durante o verão para garantir uma transição ordenada, que é a forma corporativa de dizer “vamos tentar que o caos não rebente já amanhã”.

A indústria vai ganhar criatividade ou só mudar o patch?

Se há uma sensação que fica desta reorganização é a de que a Sony Pictures está a escolher um caminho mais “orientado para IP e ecossistemas”. Anime e videojogos não são só moda, são apostas de longo prazo. Ao mesmo tempo, os cortes em cinema, TV e corporate mostram que nem todo o departamento vai acompanhar o upgrade.

Para quem vive de séries, filmes e adaptações (oi, pessoal que discute cada trailer como se fosse canon), a pergunta é inevitável: o foco em áreas prioritárias vai resultar em melhor conteúdo ou é apenas uma troca de recursos, com menos gente a fazer mais barulho? O tempo vai dizer, mas por agora é aquele clássico: a indústria muda o painel, não necessariamente o jogo.