Street Fighter: Andrew Schulz abraçou a piada de Dan

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Street Fighter deu a Andrew Schulz um papel feito sob medida: interpretar Dan Hibiki, o lutador que já chega com a piada embutida.

Dan já nasce com a piada

Dan Hibiki não é exatamente o tipo de personagem que entra na tela e faz a plateia pensar: “Esse aí vai salvar o mundo”. Criado como uma provocação à SNK, rival da Capcom, ele é uma paródia de heróis de jogos de luta. O quimono rosa e a bola de fogo que mal parece sair do lugar fazem parte do pacote.

É uma escolha esperta para Andrew Schulz, comediante conhecido por provocar e testar os limites do público. Mas, pelo que ele contou, o papel não veio acompanhado de um plano mirabolante de carreira. O ator viu o nome Street Fighter e topou. Se tivessem oferecido Chun-Li, ele também teria aceitado. A confiança é admirável; a escalação, felizmente, foi um pouco mais tradicional.

Schulz nem conhecia Dan antes da proposta. Ele cresceu jogando os títulos mais antigos da série e lembra especialmente de Marvel vs. Capcom, que marcou sua infância em Nova York. Para ele, o personagem revelou uma vantagem inesperada: ser o lutador mais desajeitado do elenco significava não precisar perseguir o físico de boneco de ação que Noah Centineo construiu para viver Ken.

Um papel aceito no primeiro round

A lembrança de Schulz sobre os fliperamas tem uma energia que qualquer pessoa que já gastou a mesada em ficha entende. Na época da escola, ele e os colegas atravessavam vários quarteirões no intervalo para jogar Marvel vs. Capcom num arcade escondido nos fundos de uma mercearia. Mochilas no chão, refrigerante na mão e uma fila de crianças disputando a vez: praticamente um torneio mundial, só que com horário para voltar à aula.

Ele escolhia principalmente personagens de Street Fighter, como Ryu e Akuma, e também se divertia com Ciclope. A paixão antiga explica por que aceitou participar sem conhecer todos os detalhes sobre Dan. A oportunidade de entrar num universo que fazia parte da infância pesou mais do que qualquer cálculo sobre qual personagem renderia mais prestígio.

Humor sem fazer força

O ponto mais interessante da conversa é a leitura que Schulz faz da comédia do personagem. Para ele, Dan não deve agir como se estivesse contando piadas. O humor aparece porque o lutador tenta manter a pose quando claramente está em apuros. É aquela confiança de quem está levando uma surra, mas ainda acha que controla a situação.

Essa diferença parece pequena, mas pode separar uma cena divertida de uma sequência que grita “olha, isso é engraçado”. Filmes de ação às vezes tropeçam tentando encaixar piadas a cada poucos minutos, como se todo personagem precisasse virar um alívio cômico. Dan tem um caminho melhor: levar a própria grandiosidade a sério. Se a cena deixa o absurdo falar por si, a graça chega sem precisar de um letreiro luminoso.

Schulz também quase revelou mais do que devia ao falar sobre a relação entre Ken e Ryu. Ele percebeu o risco no meio da entrevista e brincou que estava fazendo um Tom Holland, referência ao histórico do ator de Homem-Aranha com spoilers. Pelo menos, conseguiu segurar parte do mistério antes de soltar uma revelação que ninguém precisava: M. Bison é malvado.

Um acampamento com lutadores

As filmagens aconteceram na Austrália, longe da rotina habitual do elenco. Schulz levou a esposa e a filha, e contou que outros colegas também se mudaram temporariamente com suas famílias. Para ele, isso ajudou a transformar a experiência numa espécie de acampamento para adultos: depois de um dia de trabalho, havia tempo para jantar, passear e simplesmente conviver.

O grupo reunia gente de trajetórias bem diferentes, incluindo 50 Cent, Vidyut Jammwal e Cody Rhodes. Schulz descreveu um ambiente mais descontraído do que a correria comum do entretenimento. Jammwal, por exemplo, podia andar de patins por aí, embora um carro continuasse seguindo seus passos. A vida de estrela tem suas pequenas particularidades.

O espírito de equipe importa

Schulz disse que a colaboração nos ensaios e a liberdade para sugerir mudanças ajudaram o elenco a construir uma relação convincente. Nem toda ideia funcionava, ele reconheceu, mas o espaço para testar opções podia render improvisos melhores. É uma diferença importante: num filme de luta, golpes e rivalidades chamam atenção, mas a química entre os personagens é o que faz a gente acreditar que eles dividem aquele mundo.

Dan já é uma piada clássica para quem conhece a história dos games. O desafio do filme, então, não é simplesmente repetir a graça do quimono rosa ou da bola de fogo tímida. É encontrar uma versão do personagem que seja engraçada sem parecer consciente disso. Se Schulz acertar esse equilíbrio, o lutador pode roubar algumas cenas sem precisar vencer o torneio. Às vezes, o verdadeiro golpe especial é saber exatamente o quão ridículo você parece, mesmo sem perceber.

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