The Paper temporada 2: Ken segue no próprio mundinho

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The Paper temporada 2 não deve transformar Ken Davies em outra pessoa, e Tim Key já explicou por quê: o personagem continua ocupado demais com as próprias pequenas disputas.

Prêmios não mudam Ken

O Toledo Truth-Teller começa o novo ano em uma situação bem diferente: a equipe acaba de levar vários troféus no Ohio Journalism Awards e passa a se enxergar com mais seriedade como um time de jornalistas. Ken, por outro lado, parece não ter recebido o memorando. Ou, mais provavelmente, recebeu e não se importou.

Em entrevista sobre a temporada, Tim Key contou que o sucesso do jornal não muda muito a perspectiva de Ken. O personagem vive no próprio universo e não parece interessado em comemorar uma vitória coletiva. Para ele, o que vale são as pequenas disputas individuais, aquelas em que consegue sair por cima ou simplesmente incomodar alguém pelo caminho.

É uma escolha que faz sentido para a comédia. Nem todo personagem precisa acompanhar o crescimento da equipe no mesmo ritmo, e Ken funciona justamente como o sujeito que não está nem aí para o clima de união. Enquanto os colegas tentam levar o jornal mais a sério, ele segue tratando o cotidiano como uma sequência de oportunidades para implicar com alguém.

Pequenas vitórias, grandes implicâncias

Ken não distribui simpatia por igual. Segundo Key, ele costuma ser depreciativo com boa parte dos colegas, embora existam algumas exceções. Travis está entre as pessoas de quem Ken gosta, ainda que o próprio ator não saiba dizer exatamente por quê. Oscar, interpretado por Oscar Nuñez, também escapa de parte das provocações.

Com os demais, a missão parece simples: atrapalhar a rotina e tornar o dia um pouco mais desagradável. É aquele colega de trabalho que transforma uma conversa banal em um teste de paciência, só que, dentro de uma comédia, dá para rir sem precisar dividir a mesa do almoço com ele.

Essa postura ajuda a série a criar atrito sem depender de grandes reviravoltas. Um comentário atravessado ou uma aproximação inconveniente podem ser suficientes para deixar a cena desconfortável. Ken não precisa virar o centro de uma trama grandiosa para render; às vezes, basta aparecer no momento errado e falar exatamente o que ninguém pediu.

O desconforto é parte da graça

Mesmo depois de uma temporada inteira interpretando Ken, Key diz que ainda está descobrindo o personagem. O que mais gosta são as cenas em que ele causa incômodo e complica a vida de quem está por perto. O ator contou que, às vezes, percebe estar parado perto demais dos colegas durante as gravações, invadindo um pouco o espaço pessoal deles.

Na vida real, isso provavelmente renderia uma conversa séria com o departamento de recursos humanos. Em The Paper, vira parte da construção de um sujeito que parece não reconhecer — ou não respeitar — os limites sociais mais básicos. E tem uma palavra alemã que ajuda a resumir o prazer de Ken quando algo dá errado para outra pessoa: schadenfreude.

Traduzindo sem transformar a sala de redação numa aula de idiomas: é aquela satisfação meio culpada diante do azar alheio. Não é exatamente uma qualidade admirável, mas combina com o tipo de humor desconfortável que a série explora. Ken não precisa ser agradável para ser divertido; às vezes, o motivo da risada é justamente querer que ele pare de falar.

Uma segunda temporada mais confiante

Key evitou entregar detalhes específicos da nova leva, mas disse acreditar que séries desse tipo melhoram com o tempo. No começo, elenco e roteiristas ainda estão entendendo quem são os personagens e como eles funcionam juntos. Na segunda temporada, esse mapa já está mais definido, o que permite contar histórias com mais confiança.

A série mantém o formato de falso documentário popularizado por The Office e foi criada por Greg Daniels e Michael Koman. Além de Key, retornam Domhnall Gleeson, Sabrina Impacciatore, Chelsea Frei, Melvin Gregg, Gbemisola Ikumelo, Ramona Young, Eric Rahill, Duane Shepard Sr., Alex Edelman e Oscar Nuñez.

Para quem curte comédia de escritório, a promessa mais interessante não é ver Ken virar uma pessoa melhor. Pelo que Tim Key adiantou, ele continua sendo aquele sujeito que encontra uma forma de azedar o ambiente, mesmo quando todo mundo tem motivo para comemorar. The Paper estreia sua segunda temporada no Brasil em 15 de outubro, pela HBO Max. E, se a equipe do jornal está ficando mais unida, já sabemos que Ken provavelmente vai fazer o possível para não participar do espírito de equipe.

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