Thiago Calçado em O Bosque Selvagem é mais um motivo para acompanhar a nova animação da LAIKA, que chega aos cinemas brasileiros em outubro.
- Um brasileiro na nova aventura da LAIKA
- Da animação nacional ao Oscar
- O trabalho artesanal por trás do filme
- Uma floresta cheia de perigos
- Quando assistir a O Bosque Selvagem
Um brasileiro na nova aventura da LAIKA
Tem brasileiro ajudando a dar vida a uma das animações mais aguardadas do ano. Thiago Calçado integra a equipe de O Bosque Selvagem, novo longa do estúdio LAIKA, conhecido por aventuras com personalidade visual própria, como Coraline e o Mundo Secreto e Kubo e as Cordas Mágicas.
Natural de Uberaba, em Minas Gerais, Calçado trabalha na produção dirigida por Travis Knight, que também comandou Kubo e as Cordas Mágicas. E aqui vale dar aquela pausa de orgulho nerd: não é todo dia que um profissional brasileiro participa de uma animação feita por um estúdio tão associado ao stop-motion caprichado e cheio de detalhes.
Da animação nacional ao Oscar
A trajetória de Calçado começou no Brasil. Um de seus primeiros projetos foi Minhocas, lançado em 2013 e considerado o primeiro longa-metragem brasileiro produzido em stop-motion. A técnica é quase uma maratona de paciência: bonecos e cenários são fotografados quadro a quadro para criar a ilusão de movimento.
Depois vieram produções internacionais importantes. O animador participou de Kubo e as Cordas Mágicas, da própria LAIKA, e de Ilha dos Cachorros, filme de Wes Anderson. Também esteve em A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets, mostrando como sua carreira foi se expandindo por projetos bem diferentes, mas sempre ligados à animação artesanal.
Um dos destaques do currículo é Pinóquio por Guillermo del Toro. Como animador sênior, Calçado trabalhou na personagem Morte, interpretada na versão original por Tilda Swinton. O filme venceu o Oscar de Melhor Animação em 2023. Não é pouca coisa: cada gesto de uma personagem dessas precisa transmitir intenção, mesmo quando o movimento é construído em pequenos ajustes físicos.
O trabalho artesanal por trás do filme
O Bosque Selvagem exigiu 231 semanas de trabalho, com 2.804 planos realizados por meio de bonecos e cenários construídos manualmente. São números que ajudam a imaginar a escala, mas não contam tudo. No stop-motion, uma cena curta pode exigir horas de ajustes minúsculos, repetidos foto após foto.
Calçado acompanhou o projeto desde os testes iniciais, quando a equipe experimentava esqueletos e estruturas dos personagens. Ele também destacou o impacto de ver elementos pequenos ganharem proporções enormes e se transformarem em uma cidade inteira. É aquele tipo de bastidor que faz a gente olhar para a tela e pensar: “espera, isso tudo foi montado de verdade?”
O cuidado chega aos materiais dos bonecos e aos detalhes dos cenários. Para quem cresceu vendo animações digitais dominarem as telas, esse processo tem um charme especial. Não é uma disputa entre técnicas, claro, mas o stop-motion oferece uma textura física que parece convidar o público a explorar cada canto do quadro.
Uma floresta cheia de perigos
A história acompanha Prue McKeel, personagem de Giulia Benite, uma adolescente que parte para resgatar o irmão mais novo depois que ele é levado por um bando de corvos. Ao lado de Curtis Mehlberg, vivido por Pedro Burgarelli, ela entra em uma floresta misteriosa, povoada por criaturas encantadas e ameaças desconhecidas.
A premissa tem espaço para aventura, fantasia e aquele perigo de conto que não parece exatamente feito para passear tranquilo. A presença de Travis Knight também chama atenção: o diretor já conduziu Kubo e as Cordas Mágicas, então há uma ligação criativa entre o novo filme e uma das animações mais conhecidas da LAIKA.
Quando assistir a O Bosque Selvagem
Com distribuição da Imagem Filmes, O Bosque Selvagem estreia nos cinemas brasileiros em 29 de outubro. Para Calçado, o longa representa mais um passo em uma carreira internacional que começou na animação brasileira e passou por produções reconhecidas no mundo todo.
E esse é o detalhe que torna a notícia ainda mais legal: por trás de cada personagem que parece respirar na tela existe uma equipe enorme, além de artistas como Thiago, responsáveis por transformar estruturas, materiais e movimentos mínimos em emoção. Quando as luzes apagarem, vale lembrar que essa floresta foi construída plano a plano, com mãos brasileiras ajudando a fazê-la ganhar vida.
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