Truck-kun está me apoiando de outro mundo?! me fez repensar meu ranço por isekai do jeito mais improvável possível: com caminhão kei, ragdoll e uma confiança meio “tanto faz” que é exatamente o que eu precisava.
- Por que esse “isekai” é propaganda enganosa (mas divertida)
- O caos em forma de caminhão: como o jogo funciona
- Objetivos idiotas, performance perfeita e ragdoll viciante
- Isekai Ick em queda livre: por que irrita melhor do que copia
- Vai passar vontade ou vai atropelar? (spoiler: os dois)
Por que esse “isekai” é propaganda enganosa (mas divertida)
Tem um tipo de jogo que nasce pra dar aquele suspiro tipo “ok, eu vou com a cara e com o resto também”. Andaime Estranho (sim, Unusual Scaffold) parece que descobriu a fórmula dos “videogames idiotas” do jeitinho que a gente gosta: temas exagerados, mecânicas simples de entender e uma execução com ritmo de loucura.
O curioso é que eles fazem isso indo na mesma direção de trabalhos anteriores da equipe. Você sente uma assinatura criativa constante, do gênero de primeira pessoa que entrega pancadaria estranha até o terror com cara de meme. E, agora, eles colocam o fandom de anime no volante de um caminhão kei, transformando tropo de otaku em jogo de plataforma 3D acelerado.
Durante o próximo Next Fest da Steam (evento de demos), o que apareceu foi um gostinho dessa insanidade. E, honestamente? Eu já estava pronto pra torcer o nariz. Porque meu maior defeito como espectador de anime é ter aquele Isekai Ick, aquele desconforto quando o gênero parece saturado demais.
O caos em forma de caminhão: como o jogo funciona
Em termos de história, Truck-kun está me apoiando de outro mundo?! não tenta ser profundo. Ele faz o que diz no título. Você controla um motorista que atropela uma otaku assalariada chamada Carissa e, ao fazer isso, libera uma espécie de energia mágica do ato caótico. A premissa é basicamente “truck-kun não é só destino, agora é motor de gameplay”.
No mundo dela, tudo gira em torno de XP, nível e estrelas. Você envia itens e acumula progresso enquanto realiza tarefas no mundo do caminhoneiro: atropelar pessoas (sim), subir em áreas como estacionamento, colidir com lugares estranhos do mapa e desviar de carros de polícia.
Também tem a parte de gestão do tempo, porque o jogo mistura corrida, plataforma e entregas curtas. Nada de ficar lendo um manifesto sobre lore por cinco horas. O loop é direto: atravessou, entregou, acumulou, ajudou Carissa a enfrentar inimigos e voltou pro volante como se fosse o seu trabalho principal.
Objetivos idiotas, performance perfeita e ragdoll viciante
Se você gosta de jogos que deixam o controle “responder rápido”, esse aqui é uma delícia. O caminhão tem física que favorece o caos, e a direção do level design incentiva você a testar limites. O melhor? O jogo não te pune por querer ser um pouco mais “criativo” do que o necessário.
Nas minhas sessões no Steam Deck, eu comecei com a ideia clássica: “vou fazer as missões”. Daí veio a segunda fase da evolução do jogador: “vou otimizar o atropelamento”. E quando você percebe, já está planejando rotas pra encontrar alvos, encadear derrapagens e transformar qualquer praça em buffet de distração para pedestres.
O legal é como o jogo não se limita a um tipo de cenário. Tem áreas abertas que viram pista de caos, tem praças com rotas fáceis de acertar e tem momentos em que você faz tudo ao mesmo tempo. Enquanto “rola o show” da física ragdoll, você também observa a barra de energia para liberar investidas e ajudar a heroína em combates contra monstros, dragões e esqueletos.
- Plataforma 3D com aceleração que te empurra pra frente
- Entregas rápidas que dão ritmo sem virar grind
- Combate que encaixa como recompensa do atropelamento (sim, é isso)
- Metas curtas que sustentam o ciclo de tentativa e ajuste
Isekai Ick em queda livre: por que irrita melhor do que copia
Vamos falar do elefante isekai na sala. O gênero foi virando uma fábrica de padrões: morte, teleporte, inventário infinito, estatística quebrada, aliado bonitinho, vilão gigante e um mundo que serve como palco pra sofrimento com estética. Muita iteração cansa, e eu já senti isso na própria pele de fã que queria ficar só curtindo, mas acabou cansado.
O que Truck-kun faz diferente é tratar o tropo com cara de “sim, isso é ridículo” e, por causa disso, você relaxa. Em vez de entrar na moralidade séria do “destino do herói”, ele transforma o truck-kun em mecanismo de progressão e em piada constante. A saturação do isekai continua lá, mas agora ela vira combustível cômico, não só esquema repetido.
Eu acho que é por isso que o jogo me encantou mesmo com medo. Ele não tenta te convencer que o isekai é profundo. Ele te mostra o meme, coloca em forma de gameplay e deixa você desabafar a frustração que vem de ver sempre a mesma estrutura em todo canto.
Vai passar vontade ou vai atropelar? (spoiler: os dois)
Se você curte demos, física caótica, missões curtinhas e uma dose saudável de “isso não faz sentido, mas eu amo”, Truck-kun está me apoiando de outro mundo?! parece exatamente aquele tipo de jogo pra colocar na sua lista mental e jogar sem pensar demais.
O lançamento está marcado para 29 de julho no Steam e Xbox Series X/S. Eu vou fazer a parte séria por… três minutos. Depois eu volto pro volante e deixo o resto acontecer.
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