Tudo Pode Ser Visto ganhou pôster brasileiro e já tem data para chegar aos cinemas.
O que mostra o pôster?
A Sony Pictures Brasil divulgou o primeiro cartaz nacional de Tudo Pode Ser Visto, documentário da A24 sobre Elizabeth Holmes, a fundadora da Theranos que se tornou um dos nomes mais controversos do Vale do Silício. A imagem aposta em um close de Holmes, enquanto Nathan Fielder aparece atrás dela. Simples, direto e com aquela sensação de que há alguma coisa estranha acontecendo fora do enquadramento.
O pôster também combina com a presença de Fielder no projeto. Para quem conhece o trabalho dele, a mistura entre observação, desconforto e dúvida sobre o que é real já faz parte do pacote. Não é exatamente o tipo de cartaz que entrega a história, mas deixa claro que a relação entre entrevistador e entrevistada deve ser parte importante da experiência.
A própria Sony compartilhou a arte nas redes sociais:
https://www.instagram.com/p/De94NGyxj7F/
Uma história no limite
Dirigido por Nathan Fielder, de O Ensaio, e Lance Oppenheim, de Primetime, o filme acompanha Holmes nos 34 dias que antecedem o início de sua prisão. É um recorte de tempo curto, mas carregado de tensão: a história de uma empresária que prometia revolucionar os exames de sangue está prestes a entrar em uma nova fase, bem menos glamourosa que os discursos de startup.
A Theranos dizia ter desenvolvido uma tecnologia capaz de realizar diversos exames usando apenas uma pequena amostra de sangue. A promessa atraiu investidores e colocou Holmes no centro das atenções. Mas a tecnologia não entregava o que a empresa anunciava, e as acusações de fraude mudaram completamente a narrativa em torno da companhia.
O lançamento brasileiro está marcado para 26 de novembro, nos cinemas. Antes disso, o documentário passa por dois festivais: encerra a 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e também terá uma sessão na 17ª Janela de Cinema de Recife. Para quem gosta de acompanhar os filmes que ganham conversa antes da estreia comercial, é uma boa chance de ver o título mais cedo.
Quem é Elizabeth Holmes?
Holmes fundou a Theranos e vendeu a ideia de que uma tecnologia compacta poderia transformar a forma como exames laboratoriais eram feitos. A imagem pública de jovem empreendedora visionária ajudou a empresa a conquistar atenção e dinheiro. Só que, quando as promessas não se sustentaram, o caso virou um retrato bastante indigesto de como entusiasmo, prestígio e investimento podem andar mais rápido que a verificação dos fatos.
Em 2022, Holmes foi condenada por quatro crimes de fraude contra investidores e recebeu uma sentença de 11 anos e três meses de prisão. O documentário se aproxima justamente do momento anterior à entrada na cadeia, sem precisar voltar ao começo da história para que o peso do que aconteceu esteja presente.
O caso já parece roteiro de drama corporativo, mas a realidade tem um detalhe que ficção nenhuma precisa inventar: por trás de uma promessa revolucionária, havia pessoas investindo e confiando em resultados que não existiam como anunciado. É aí que a história deixa de ser apenas sobre uma CEO famosa e vira também uma conversa sobre poder e responsabilidade.
Nathan Fielder no comando
Fielder é conhecido por propostas que embaralham humor, constrangimento e realidade. Em O Ensaio, ele cria situações elaboradas para explorar as reações das pessoas; aqui, o ponto de partida é uma entrevista com alguém que construiu uma imagem pública cercada de promessas e acabou condenada por fraude. A combinação chama atenção, mas também pede cuidado: o interesse não está só no nome famoso, e sim no que o filme faz com essa conversa.
O documentário já chega ao Brasil com bastante barulho: foi apontado como o filme mais bem avaliado da história do Letterboxd e teve uma das maiores estreias de documentário nas bilheterias. Ainda assim, o pôster não promete respostas fáceis. A grande curiosidade é ver como Fielder e Oppenheim vão conduzir esse encontro e o quanto Holmes estará disposta a revelar diante das câmeras.
Com sessões em festivais antes da estreia comercial, Tudo Pode Ser Visto deve atrair tanto quem acompanhou o escândalo da Theranos quanto quem quer entender por que a história continua fascinando. No mínimo, a presença de Fielder garante que a entrevista não pareça só mais um depoimento convencional. E, pelo tema, confiar demais em qualquer discurso talvez não seja a melhor estratégia.
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