Unabomber na Netflix reúne nomes de peso para revisitar uma caçada real, mas estreou com aprovação baixa entre os críticos.
- Uma história em duas frentes
- O caso que assombrou os EUA
- Elenco de peso na linha de fogo
- Por que a crítica não comprou a ideia
- Vale dar o play?
Uma história em duas frentes
A Netflix colocou Unabomber no catálogo nesta semana com uma premissa que parece feita para prender a atenção: contar a trajetória de Ted Kaczynski e a investigação que levou à sua identificação. Só que, pelo menos na recepção inicial, o filme não conseguiu transformar um caso fascinante em um suspense à altura.
A narrativa alterna entre dois períodos. Um acompanha Kaczynski ainda jovem, na universidade, no fim dos anos 1950. O outro se passa nos anos 1990, quando investigadores federais tentam descobrir quem está por trás de uma sequência de atentados que aterrorizou os Estados Unidos.
É uma estrutura com potencial. De um lado, temos a formação de um matemático brilhante; do outro, uma corrida contra o tempo para ligar pistas e encontrar o responsável. Em teoria, as duas linhas poderiam se iluminar mutuamente. Segundo parte da crítica, porém, essa conexão não se desenvolve de forma convincente.
O caso que assombrou os EUA
Kaczynski ingressou na universidade aos 16 anos e concluiu um doutorado em matemática antes de abandonar a carreira acadêmica. Depois, passou a viver isolado em uma cabana em Montana, sem eletricidade ou água encanada. A partir de 1978, enviou explosivos caseiros, com alvos que incluíam universidades e companhias aéreas.
A investigação se estendeu por anos e se tornou uma das caçadas humanas mais longas da história dos Estados Unidos. É um material naturalmente cheio de tensão, mas também delicado: falar de crimes reais exige mais do que reconstituir pistas e mostrar explosões. O filme precisa encontrar um jeito responsável de apresentar as vítimas e o impacto dos ataques, sem transformar o criminoso em uma figura misteriosa demais para o próprio bem.
A juventude de Kaczynski também aparece ligada a experimentos psicológicos controversos conduzidos pelo professor Henry Murray, personagem interpretado por Russell Crowe. Esse capítulo ajuda a compor o contexto do longa, mas não elimina a responsabilidade do protagonista por seus atos. Uma coisa não deve virar desculpa automática para a outra.
Elenco de peso na linha de fogo
Jacob Tremblay assume o papel de Kaczynski na juventude, enquanto Russell Crowe interpreta Murray. Shailene Woodley também está no elenco, ao lado de Alexander Ludwig, Annabelle Wallis, Steven Ogg e Marc Menchaca. É bastante talento reunido para uma história que pede tensão psicológica e personagens com mais camadas do que o clássico detetive sério olhando para um quadro cheio de fotos.
A direção é de Janus Metz Pedersen, com roteiro de Sam Chalsen e Nelson Greaves. No papel, a combinação tem credenciais para chamar atenção no lançamento. Mas elenco conhecido não é passe livre: quando o roteiro não dá liga, até uma equipe experiente pode acabar presa a diálogos que parecem explicar a trama em vez de fazê-la avançar.
Por que a crítica não comprou a ideia
Na estreia, o longa registrava apenas 26% de aprovação no Rotten Tomatoes, sem uma nota consolidada do público naquele momento. O número pode mudar conforme novas avaliações chegam, mas já sinaliza uma recepção bem distante de triunfal.
Na análise da Variety, Guy Lodge reconhece o interesse inerente ao tema, mas aponta diálogos mecânicos e uma abordagem genérica de true crime. A crítica também observa que as duas linhas temporais pouco conversam entre si, dando a impressão de que histórias diferentes foram encaixadas sem encontrar um centro comum.
Robert Daniels, do RogerEbert.com, foi ainda mais duro ao comparar o resultado a uma mistura de clichês de cinebiografia e drama policial. A sensação descrita é a de um filme simplório, com escolhas que não fazem justiça à complexidade do caso. Traduzindo para o papo de sofá: a história já chega carregada de tensão, então o filme precisava acrescentar uma perspectiva própria, não só organizar os acontecimentos em ordem dramática.
Vale dar o play?
Para quem gosta de histórias reais, investigações e dramas criminais, Unabomber pode despertar curiosidade pelo tema e pelo elenco. A trajetória de Kaczynski continua sendo um caso histórico inquietante, e a interpretação de Jacob Tremblay em uma fase pouco explorada da vida do criminoso pode ser um atrativo.
Mas vale ajustar a expectativa: as primeiras avaliações não apontam para um suspense indispensável nem para uma nova referência do gênero. Se você procura uma narrativa que investigue o caso com profundidade e faça as diferentes épocas se complementarem, a recepção crítica sugere que talvez falte justamente essa amarração. O catálogo está cheio de histórias verdadeiras que parecem roteirizadas por Hollywood; aqui, o desafio era não deixar que a forma engolisse o peso do que aconteceu.
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