VisionQuest: Ultron, Billy e 84% no Rotten Tomatoes

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VisionQuest reúne Ultron, Jocasta e Billy Maximoff numa trama sobre identidade, família e inteligência artificial.

O que está em jogo em VisionQuest?

O Visão Branco saiu de WandaVision carregando as memórias do herói que conhecemos, mas ainda precisava descobrir quem era sem a vida que perdeu. VisionQuest parte dessa pergunta e leva a jornada para dentro da mente digital do sintozóide, onde diferentes inteligências artificiais convivem, discutem e, claro, complicam tudo.

Entre elas estão nomes que os fãs da Marvel reconhecem de longe: J.A.R.V.I.S., F.R.I.D.A.Y., E.D.I.T.H. e Ultron. Billy Maximoff também entra na história, aproximando a série dos caminhos abertos por Agatha Desde Sempre e mantendo a família Maximoff no centro dessa trilogia televisiva. A produção tem oito episódios, e os dois primeiros já chegaram ao Disney+.

O reencontro com Ultron é especialmente saboroso. James Spader retorna ao personagem, agora num contexto que permite explorar a relação dele com Visão de um jeito mais pessoal. A presença de Jocasta também adiciona uma dinâmica inesperada, com T’Nia Miller no papel e uma química que não parece exatamente saída do manual de convivência entre robôs.

Uma série com personalidade própria

VisionQuest não tenta simplesmente repetir a fórmula de WandaVision, e ainda bem. Aquela série brincava com a história da televisão; esta transforma os sistemas internos do Visão num palco cheio de referências visuais e mudanças de gênero. A mansão digital tem um quê de televisão antiga, com objetos domésticos e uma estética retrô que combina com o protagonista sem parecer uma cópia do Hex.

Os capítulos passeiam por estilos diferentes. Em alguns momentos, a série puxa para o suspense sobrenatural, com ecos de filmes como O Exorcista e Poltergeist. Em outros, veste a gabardine do cinema noir para acompanhar uma investigação. E, quando resolve abraçar o absurdo tecnológico, coloca os personagens diante de situações que parecem ter saído de uma batalha contra a internet: até um captcha pode virar obstáculo digno de super-herói.

Essa variedade dá graça à experiência, embora nem todo episódio tenha o mesmo impacto. Ainda assim, a série mostra cuidado em fazer cada escolha estética conversar com o que está acontecendo na trama. Não é só um desfile de referências para a gente marcar pontos no bingo Marvel.

O lado humano das IAs

Por trás das piadas e dos truques visuais, o coração da história continua batendo nos mesmos temas que fizeram WandaVision funcionar: amor, luto, família e identidade. A ironia é que boa parte do elenco é formada por inteligências artificiais tentando entender o que significa sentir. Pinóquio, só que com códigos, memórias e problemas familiares de nível Vingadores.

Visão precisa decidir o que fazer com as lembranças que recebeu e com a pessoa que está se tornando. Billy, por sua vez, segue a própria busca por identidade, enquanto os vínculos entre os personagens levantam uma questão interessante: uma relação pode ser real mesmo quando seus integrantes foram criados como programas?

A série trabalha essa ideia por meio de duas relações paternas bem diferentes. Ultron e Visão têm dificuldade em encarar o que existe entre eles, enquanto Visão e Billy lidam com a possibilidade de uma conexão familiar sem saber muito bem como nomeá-la. O resultado não transforma todo diálogo em filosofia de bar, mas dá peso emocional a personagens que poderiam facilmente ser apenas um grupo de avatares simpáticos.

Vale dar play?

A aprovação de 84% da crítica no Rotten Tomatoes ajuda a explicar por que VisionQuest já virou assunto, mas o número sozinho não conta a história toda. A série tem humor, atuações fortes e uma proposta visual divertida, além de abrir espaço para James Spader voltar a brincar com a presença ameaçadora de Ultron. Paul Bettany também ganha terreno para explorar as várias camadas do Visão, e Ruaridh Mollica funciona bem como Billy.

Há revelações previsíveis, episódios mais irregulares e um encerramento que aumenta o volume até chegar perto da megalomania. Ainda assim, a produção entrega algo que muita série de franquia esquece no meio da correria por conexões: uma história com começo, desenvolvimento e personagens que mudam. Ela pode não superar WandaVision, mas fecha com personalidade a trilogia iniciada pela série e continuada por Agatha.

Para quem acompanha o MCU, é uma peça relevante do quebra-cabeça. Para quem só quer uma aventura de ficção científica com robôs discutindo sentimentos, também há bastante coisa para aproveitar. E, depois de tanta conversa sobre família, fica difícil não torcer para a Marvel finalmente tirar os Jovens Vingadores do campo das promessas.

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