100 Dias de Mentiras exigiu mais do elenco do que emoção e figurino de época: os atores também precisaram encarar japonês e inglês.
- Por que os idiomas importam na trama
- Kim You-jung e o treinamento intensivo
- Park Jinyoung apostou na repetição
- Jin Seon-kyu foi além do roteiro
- O que esperar das falas
Por que os idiomas importam na trama
Em muito dorama, uma conversa difícil se resolve com um olhar demorado e uma trilha sonora pronta para arrancar suspiros. Em 100 Dias de Mentiras, porém, as palavras também carregam risco. A história se passa no começo do século 20, durante o período colonial japonês na Coreia, e acompanha uma jovem ladra recrutada pelo movimento de independência para uma missão de espionagem.
No caminho, ela cruza com um tradutor talentoso, interpretado por Park Jinyoung, e com o pai dele, um homem influente no governo, vivido por Jin Seon-kyu. Nesse cenário, japonês e inglês não são só detalhes de produção: ajudam a marcar relações de poder, identidade e pertencimento. E, para o elenco, isso significou estudar bastante antes e durante as gravações.
A série é produzida pelo Studio Dragon e chegou ao Brasil pela Netflix, com episódios lançados aos sábados e domingos. Para quem acompanha k-dramas, vale ficar de olho também no trabalho de voz: falar outro idioma de forma convincente pede mais do que decorar sons. Ritmo, intenção e naturalidade fazem diferença.
Kim You-jung e o treinamento intensivo
Em coletiva de imprensa repercutida pelo Omelete, Kim You-jung, conhecida por Meu Demônio Favorito, contou que passou por um treinamento intensivo de japonês e inglês em um período curto. A preparação foi acompanhada por consultores dos idiomas, uma ajuda importante para uma personagem que precisa circular por um ambiente político delicado sem deixar a missão escapar pelos detalhes.
O ponto que mais chamou a atenção da atriz foi perceber que cada personagem usa os idiomas de um jeito próprio. Não basta pronunciar corretamente: o tom e o estilo da fala também contam quem aquela pessoa é. É um cuidado que pode passar despercebido numa primeira assistida, mas que deixa as cenas mais convincentes quando a gente presta atenção.
Traduzindo para o idioma de quem já tentou cantar junto com uma abertura de anime sem saber japonês: repetir a frase até acertar é só metade da batalha. A outra metade é fazer parecer que ela pertence à personagem, e não a alguém recitando uma lição.
Park Jinyoung apostou na repetição
Para Park Jinyoung, a solução foi insistir. O ator, que também é integrante do GOT7, repetiu as falas até que a boca conseguisse acompanhá-las sem depender tanto de pensar em cada palavra. A ideia era chegar a uma fala mais automática, algo essencial quando a cena exige reação e emoção ao mesmo tempo.
Mas o plano não virou passe de mágica. Jinyoung contou que ainda cometia erros quando as câmeras começavam a rodar. Por isso, manteve a atenção e continuou praticando ao longo do trabalho. Quem já travou numa apresentação depois de ensaiar tudo em casa conhece bem esse fenômeno: a câmera, às vezes, parece ter um talento especial para embaralhar até o que estava decorado.
Jin Seon-kyu foi além do roteiro
O personagem de Jin Seon-kyu, Sato, é japonês, mas nasceu e cresceu na Coreia. Essa história faz com que ele sinta que precisa demonstrar mais amor pelo Japão e falar melhor o idioma para ser aceito. Para construir essa relação com a língua, o ator passou dois meses no Japão e estudou o roteiro por cerca de sete horas por dia, quase todos os dias.
Ele também teve aulas por Zoom com professores de japonês, concentradas no ritmo e na naturalidade de um falante nativo. E a preparação não ficou para trás quando a filmagem começou: aulas e ensaios seguiram durante as gravações, inclusive no set. É um nível de dedicação que faz a gente repensar aquela promessa de aprender um idioma só vendo uma temporada inteira sem legenda.
O que esperar das falas
O esforço do elenco dá uma camada extra a uma trama já marcada por espionagem, tensões políticas e conflitos pessoais. Em vez de tratar japonês e inglês como enfeite, a série coloca as línguas dentro da identidade e da trajetória dos personagens. Isso também aumenta o desafio para os atores: uma fala precisa soar correta e, ao mesmo tempo, carregar intenção.
O treinamento relatado pelos três mostra caminhos diferentes para encarar a tarefa: consultoria intensiva para Kim, repetição até a fala ganhar agilidade para Jinyoung e uma imersão prolongada, com acompanhamento contínuo, para Jin. O resultado é um daqueles bastidores que deixam a gente olhando com mais atenção para a atuação. Se você começar 100 Dias de Mentiras, repare não só no que os personagens dizem, mas em como cada um ocupa o idioma. Às vezes, a pista mais interessante está justamente na forma de falar.
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