CineOP 2026: 135 filmes em Ouro Preto e foco em história

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CineOP 2026 desembarca em Ouro Preto com 135 filmes e uma proposta que vai além do cineminha: história, preservação e educação, tudo num rolê cultural com cara de evento indispensável.

A CineOP chega com força: 25 a 30 de junho em Ouro Preto

O calendário de quem curte cinema (e também quem acha que filme é patrimônio, não só entretenimento) ganha um evento daqueles: a 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto acontece de 25 a 30 de junho de 2026. Ao todo, serão 135 filmes distribuídos em 42 sessões, com uma mistura bem caprichada entre 33 longas, 4 médias e 98 curtas.

O rolê acontece no Centro de Artes e Convenções da UFOP, na Praça Tiradentes (o chamado Cine-Praça) e no Cine-Museu, anexo ao Museu da Inconfidência. E sim, a curadoria deixa claro que o foco não é só “passar filme”, é contextualizar o audiovisual e ampliar repertório.

135 filmes em 3 eixos: História, Preservação e Educação

A programação se organiza em três eixos temáticos. O primeiro é História, que mira nas trajetórias e nas origens do cinema. O segundo é Preservação, com atenção a restaurações e ao destino de acervos. E o terceiro é Educação, que tenta aproximar a experiência cinematográfica de estudantes e de diferentes contextos de aprendizagem.

Outro detalhe que pesa a favor da mostra: os filmes vêm de 18 estados brasileiros e também de seis países. Ou seja, dá para sentir um Brasil plural, com sotaques visuais diferentes, sem aquela sensação de “vi o mesmo filme com outro nome”. Para acompanhar a programação e agendas, a própria CineOP mantém a seleção reunida no site oficial.

Arquivos em Questão: pré-estreias nacionais e debate com imagens de arquivo

Na parte que funciona como motor da Mostra Competitiva Contemporânea, a CineOP apresenta Arquivos em Questão. São cinco longas em pré-estreia nacional que usam imagens de arquivo como matéria estética e política. Tradução: não é só “reciclagem de material antigo”. É construção de sentido, montagem como argumento e memória como ferramenta de crítica.

Os títulos inscritos disputam o Troféu Vila Rica. O júri é formado por Anita Leandro, Gabriela Lima Gomes e João Luiz Vieira. Entre os filmes, já dá para sentir a diversidade de abordagens: Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas, de Carlos Adriano; Apopcalipse Segundo Baby, de Rafael Saar; Universo Circular – Jocy de Oliveira, de Dácio Pinheiro; Irritante Prodígio, de Luiza Lindner; e Notas sobre um Desterro, de Gustavo Castro.

Helena Solberg e o retorno de diretoras brasileiras ao centro

A Mostra Histórica homenageia a cineasta Helena Solberg e também reaviva os primeiros filmes de diretoras brasileiras. É aquele tipo de programação que faz o espectador perceber o tamanho do intervalo que a gente, às vezes, deixa escapar por falta de acesso e de difusão.

Entre os destaques, aparecem Feminino Plural (de Vera de Figueiredo), Mar de Rosas (de Ana Carolina), Que Bom Te Ver Viva (de Lucia Murat), Um Céu de Estrelas (de Tata Amaral) e Um Dia com Jerusa (de Viviane Ferreira). E a sessão de abertura traz A Entrevista (1966) e Meio Dia (1970), também de Solberg.

É como se o festival abrisse um “capítulo extra” do cinema nacional, com contexto e autoria em evidência. Sem cosplay de erudição. Só cinema com respeito.

Restaurações, Cine-Expressão e presença online

Na Mostra Preservação, o destaque fica para a versão restaurada em 4K de O Ébrio (1946), de Gilda Abreu. Para quem liga para memória audiovisual, esse tipo de restauração é quase uma forma de ressurreição cinematográfica, porque devolve imagem e legibilidade para novas gerações.

Também integram a seção Vento Norte, de Salomão Scliar, e curtas como Jangada de Ir e Vir (de Marcus Vale) e A Luta do Povo (de Renato Tapajós). Em pré-estreia nacional, entram Os Irmãos Segreto (de Michele Manzolini e Federico Ferrone) e O Filme Infinito (de Leandro Listorti).

Fechando os trilhos do eixo Educação, a CineOP reúne produções ligadas a contextos escolares. Destaque para Fraternura, de Evanize Sydow e Américo Freire, e Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho. Além disso, o Cine-Expressão – A Escola vai ao Cinema oferece sessões gratuitas para estudantes com 15 curtas, e a Mostrinha exibe Papaya (de Priscilla Kellen).

Parte do conteúdo também fica disponível online no site oficial, então dá para acompanhar mesmo sem estar em Ouro Preto, pelo menos em parte da experiência.

Cinema vira patrimônio quando a gente assiste com intenção

A CineOP 2026 parece aquele tipo de evento que dá vontade de entrar no modo “detetive do cinema”: observar como as imagens contam história, como o acervo merece cuidado e como a educação transforma sessão em aprendizado de verdade. Em Ouro Preto, entre pra valer. É cultura geek com alma de arquivo. Sem exagero.

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