Obsessão: diretor quase interpretou Bear no filme

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Obsessão tem aquele tempero de romance com azar cósmico, mas nos bastidores a coisa ficou ainda mais meta: o diretor Curry Barker quase entrou em cena como o protagonista Bear.

Obsessão por trás das câmeras

Se você acha que obsessão é só um sentimento “dom” de personagem, calma que o filme Obsessão levou isso a sério até nos bastidores. Em entrevista ao The Hollywood Reporter, o ator Cooper Tomlinson contou que o diretor e roteirista Curry Barker chegou a considerar interpretar Bear, o protagonista do longa, antes de decidir focar na direção.

Ou seja: além de comandar o set, Barker teria que virar ator em tempo integral. É quase o equivalente, pra quem curte cultura geek, a dar a função de game designer e também ser o personagem principal no mesmo RPG. Dá, mas tem custo alto para caramba. E, pelo que Tomlinson sugere, a decisão foi de deixar a performance para o elenco e garantir que a visão do filme não se perdesse no meio do caminho.

Quase ator, quase diretor

No papo, Tomlinson explicou que Barker avaliou assumir o papel, mas entendeu que o melhor para a produção era permanecer atrás das câmeras. A ideia soa simples, mas na prática é tipo escolher qual “habilidade” vai maximizar: direção ou atuação. No caso dele, aparentemente, a prioridade era manter todo o controle criativo do filme.

Com isso, Michael Johnston acabou ficando com Bear. Tomlinson também afirmou que a escolha foi a ideal, o que deixa claro que não era apenas “um plano B” e sim uma decisão calculada. Até porque Obsessão não é uma história qualquer: ela mistura desejo romântico com a sensação de que você abriu uma caixa que não devia.

Por que Bear ficou com outra pessoa

Quando um diretor tenta, mesmo que por um momento, interpretar o protagonista, geralmente é porque sente uma conexão muito específica com a personagem. E Bear, claro, é o coração do conflito: é por ele que o romance vira uma espécie de jogo perigoso, onde a recompensa vem com custo emocional.

Na história, um jovem romântico decide quebrar o misterioso One Wish Willow para conquistar a pessoa por quem é apaixonado. O desejo se realiza, mas logo aparece a parte menos feliz: ao mexer com forças desconhecidas, o protagonista cai em consequências sombrias. Então faz sentido que Barker, que escreve e dirige, olhasse para Bear e pensasse “eu entendo esse cara”. Só que, ao mesmo tempo, ele precisaria garantir que o filme respirasse na cadência certa.

O elenco traz nomes como Inde Navarrette, Cooper Tomlinson, Megan Lawless e Andy Richter. No fim das contas, deixar Bear com Johnston pode ser a escolha que equilibra melhor performance e direção, sem sacrificar o ritmo e a atmosfera.

Testes, cenas completas e decisão final

O detalhe mais divertido da história é que Tomlinson não ficou só como “fonte curiosa”. Ele disse que participou de testes de elenco para viver Bear nas fases iniciais da produção, chegando até a gravar cenas completas com a equipe. Traduzindo para a linguagem geek: foi quase um “playthrough completo” antes da final boss aparecer.

Mesmo assim, Barker decidiu que preferia dirigir. Tomlinson resumiu a situação com a ideia de que Barker queria apenas dirigir para entregar a melhor versão possível do filme. Isso faz uma diferença gigante, porque direção não é só “organizar cena”: é construir o tom, controlar o subtexto e calibrar o que vai do romântico ao ameaçador sem parecer exagero.

Resultado: Obsessão segue em cartaz nos cinemas brasileiros e carrega boa recepção em festivais, incluindo Toronto (TIFF), Fantastic Fest e Sitges. No Rotten Tomatoes, o filme chega com 94% de aprovação até o momento.

A consequência da obsessão (na história também)

Tá, mas por que isso importa além do “bastidores legais”? Porque o próprio filme trata de obsessão como combustível e armadilha. Você conquista o que quer, só que descobre que aquilo não vinha sozinho: vinha com energia estranha, efeito dominó e uma sensação de inevitabilidade. É quase como quando você coloca cheats num jogo e, em algum momento, a save file te devolve o estrago.

Se Barker quase interpretou Bear, é porque a obsessão estava no processo criativo também. Mas, ao escolher dirigir e deixar o personagem nas mãos de Michael Johnston, ele provavelmente garantiu que a narrativa mantivesse o mesmo nível de intensidade do começo ao fim.

E se Barker tivesse virado Bear mesmo?

Provavelmente seria um filme diferente. Talvez mais “a marca autoral” na pele, com outra camada de performance. Mas do jeito que ficou, Obsessão conserva o foco: quem entra em cena é o elenco, e quem controla a tensão é Barker. No fim, a obsessão continuou sendo o motor. Só que, aqui, ela não destruiu o set.

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