Supergirl: notas baixas e briga criativa no filme

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Supergirl passou por uma pós-produção meio turbulenta, com testes rodando abaixo do esperado e divergências criativas em nível DC Studios.

Notas de teste: o placar que ninguém queria ver

Segundo o The Hollywood Reporter, Supergirl teve avaliações de teste bem na vibe “não foi hoje”. As notas teriam ficado sempre na casa dos 60 pontos, com um pico de 70 em uma escala de 100. Em testes de março, por exemplo, a versão editada pelo estúdio teria competido com a do diretor Craig Gillespie e, mesmo assim, a versão da DC teria saído por cima por uma margem apertada, de apenas dois pontos.

Esse tipo de cenário costuma ser um sinal claro de que o filme ainda estava procurando o ponto de equilíbrio: ritmo, emoção, clareza do arco e como o público reagia aos “momentos de impacto”. Em outras palavras: não era só um detalhe aqui e ali, era o conjunto todo tentando achar a sintonia.

Gunn vs. Gillespie: quando a visão criativa não encaixa

O mesmo relatório aponta que houve divergências criativas entre Gillespie e James Gunn, chefe da DC Studios. Um insider teria descrito a situação como “não criativamente alinhados”, que é a forma educada de dizer que duas pessoas importantes olharam para o mesmo roteiro e pensaram: “até concordo, mas eu faria diferente” no nível mais crítico possível.

Quando isso acontece, normalmente o que sofre é a execução. Pode dar certo, claro, mas exige ajustes constantes, e ajustes constantes são exatamente o tipo de coisa que deixa uma produção mais cara e mais barulhenta por dentro. E em franquia de super-herói, barulho costuma virar spoiler da performance no mundo real.

Pós-produção em modo “corre que dá tempo”

De acordo com as fontes citadas, o estúdio chegou a refazer cenas ao longo do processo. Também houve a entrada do roteirista Jeremy Slater para ajudar a reorganizar o material. E, para fechar o pacote, o editor Fred Raskin, colaborador de Gunn em Guardiões da Galáxia, foi chamado para dar uma mão na pós-produção.

Essa maratona tem um padrão bem conhecido: quando os testes não entregam o “sim” que a produção espera, a equipe caça o que causa estranheza no público. É o tipo de ajuste que pode envolver tomada, montagem, ritmo de diálogo e até a forma como certas viradas são apresentadas. Em cinema, a diferença entre “ok” e “boa demais” às vezes está em segundos.

A treta da música e o efeito dominó nas cenas

Um dos pontos de atrito citados foi escolha musical. A reportagem afirma que Gunn teria sugerido uma versão de Cyndi Lauper para uma cena específica, mas a final ficou com um cover de Jimmy Eat World. Parece pequeno, mas música em filme de super-herói funciona como um tempero: muda a percepção do momento, define se a cena é mais emotiva, mais sarcástica ou mais “épica na medida”.

Se o teste mostra um público mais distante ou menos impactado, ajustes de trilha entram como tentativa de reposicionar o tom. E, quando o tom muda, o resto do filme tende a pedir ajustes também. Aí entra o efeito dominó: montagem pede nova leitura, leitura pede novas cenas e, de repente, a produção vira um quebra-cabeça gigante tentando formar uma imagem única.

Apesar da confusão nos bastidores, Milly Alcock está na pele de Supergirl, com Eve Ridley como Ruthye e Matthias Schoenaerts interpretando Krem. Ou seja: tem elenco para sustentar o tranco. Agora é torcer para que o produto final tenha passado pela peneira dos testes e encontrado o “encaixe” definitivo.

No fim, Supergirl vai dar liga ou virar o tipo de debate eterno?

No universo geek, a gente sabe: às vezes o filme que chega com notícia ruim nos bastidores surpreende no resultado. Só que, quando as notas de teste ficam sempre abaixo de 70 e ainda rola divergência criativa entre direção e liderança, fica difícil não pensar no pior antes de apertar o play.

Por outro lado, se a equipe refez cenas, chamou nomes experientes e ajustou até o gosto musical, isso pode significar que houve tempo de corrigir o que não estava funcionando. Vai ser daqueles casos em que o público decide se a bagunça virou ouro ou se virou mais uma história que a gente só comenta anos depois em modo “foi quase”.

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