John Grover: o editor por trás de mundos inesquecíveis

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John Grover, editor de clássicos como 2001: Uma Odisseia no Espaço e filmes de James Bond, morreu aos 87 anos.

A montagem que faz a magia

John Grover morreu em 28 de setembro, aos 87 anos. A notícia foi confirmada pela British Film Editors, entidade da qual ele fez parte da diretoria durante muitos anos. A causa da morte não foi divulgada.

O nome de um editor nem sempre aparece na conversa de quem sai do cinema comentando o filme. Mas é na montagem que cenas, silêncios e cortes encontram o ritmo capaz de prender a gente na cadeira. Grover trabalhou em produções de estilos bem diferentes, ajudando a dar forma a histórias que atravessaram gerações.

Entre seus créditos mais conhecidos estão 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, Doutor Jivago, de David Lean, e Labirinto: A Magia do Tempo, de Jim Henson. Não é pouca coisa transitar entre a ficção científica contemplativa de Kubrick, o épico romântico de Lean e a fantasia cheia de criaturas de Henson. É quase uma maratona por diferentes planetas do cinema.

Seis missões com 007

Outra parte marcante da trajetória de Grover foi sua relação com James Bond. Ele assinou a edição de 007: Somente para Seus Olhos, 007: Marcado para a Morte e 007: Permissão para Matar. Também colaborou na montagem de O Espião que Me Amava, Contra o Foguete da Morte e Octopussy.

São seis filmes do agente secreto ao todo, em fases diferentes da franquia. E Bond, convenhamos, depende muito de ritmo: uma perseguição que se estica demais perde o impacto; um corte bem colocado transforma uma fuga em espetáculo. Grover trabalhou justamente nesse tipo de engrenagem invisível, que deixa a ação fluir sem roubar a cena.

O editor também cruzou caminhos com Roger Moore em produções fora do universo 007, como os filmes de guerra Os Gansos Selvagens e Espionagem em Goa. A variedade ajuda a explicar por que sua carreira não cabe em uma única prateleira de gênero.

Uma carreira entre clássicos

Nascido em 24 de outubro de 1938, em Barnet, Middlesex, Grover começou como assistente de edição, inicialmente sem crédito, em produções de diretores importantes. Seu percurso passou por filmes de Robert Wise, John Frankenheimer e Herbert Ross, além de trabalhos ligados ao próprio Kubrick.

Ele também esteve associado a Doutor Jivago, longa que recebeu indicação ao Oscar de Melhor Filme em 1966. Mais tarde, assinou a edição de títulos como Opção Final, Força Sinistra, Buddy’s Song e Super Monkey. A lista não é só um desfile de nomes famosos: mostra uma carreira que continuou mudando de escala e de tom ao longo de décadas.

Na televisão, Grover montou episódios de séries britânicas como CI5: The New Professionals, Monsenhor Renard e Fat Friends. Também trabalhou em telefilmes americanos, incluindo uma versão de Frankenstein: A Verdadeira História, de 1992. Seu último trabalho foi o drama lituano Dievu miskas, conhecido como A Floresta dos Deuses, lançado em 2005.

O legado que fica na tela

A British Film Editors comunicou a morte de Grover, e a notícia também chama atenção para uma profissão que muitas vezes trabalha longe dos holofotes. O público pode lembrar de uma fala, de um monstro ou de uma nave cruzando o espaço; por trás da experiência, há decisões de montagem que definem quando cada momento acontece.

Grover deixa a esposa, Jenny, com quem foi casado por 62 anos, os filhos Tim e Camilla, além de netos e bisnetos. Seu trabalho permanece em filmes que continuam sendo revisitados por fãs de cinema, de Bond a Kubrick. E, para quem curte descobrir quem construiu a magia por trás da tela, vale guardar esse nome: John Grover.

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