Protocolo de Extermínio: terror, ação e nostalgia

Twitter
LinkedIn
Threads
Telegram
WhatsApp

Protocolo de Extermínio mistura ação retrô, vilões perturbados e uma dose de terror, segundo Dan Stevens.

A parceria que virou tradição

Dan Stevens está de volta ao lado do diretor Adam Wingard em Protocolo de Extermínio, e a reunião tem peso para os dois. A dupla começou a trabalhar junta em O Hóspede, suspense de ação de 2014 que ajudou a marcar a trajetória do ator e deu início a uma amizade que também virou parceria criativa.

O novo filme é apresentado como uma espécie de continuação espiritual daquele longa, mas não espere uma sequência tradicional, com tudo amarradinho e personagens retornando por obrigação. Stevens vive outra figura, e a ligação entre as produções parece estar mais no espírito da colaboração do que numa história que simplesmente retoma os mesmos eventos.

Isso pode ser uma boa notícia. Em vez de tentar repetir a fórmula de O Hóspede com uma cópia carbono, Wingard parece ter espaço para brincar com outra escala e outro tipo de exagero. E, pelo jeito, a diversão aqui passa por abraçar o absurdo sem pedir desculpas.

Um G.I. Joe com pesadelos

Stevens descreve o longa como algo próximo de um filme de terror do G.I. Joe. A comparação dá uma pista divertida do tom: ação musculosa e exagerada, figuras ameaçadoras e uma energia que olha para o cinema de aventura dos anos 1980, mas deixa a porta aberta para o desconforto do horror.

É uma mistura que pode soar improvável no papel, mas tem uma lógica bem própria. Pense na cartilha de ação grandiosa dos brinquedos e desenhos daquela época, só que com vilões mais grotescos e uma atmosfera que não precisa fingir que tudo é limpinho. Não é exatamente a combinação que a gente espera de um filme sobre supersoldados, e justamente por isso chama atenção.

O ator também destaca a presença de nomes ligados àquela era do cinema, como Reginald VelJohnson e Michael Biehn. A nostalgia, portanto, não parece ser só um filtro visual ou uma playlist de referências: ela também está no elenco e na proposta de recuperar uma sensação de aventura à moda antiga, só que com o volume no máximo.

O cientista e os supersoldados

Na trama, Stevens interpreta Hans Kammler, um cientista nazista associado à criação de um exército de supersoldados. Essa ameaça coloca no caminho dele uma veterana do exército, vivida por Adria Arjona, e a filha dela. É um ponto de partida direto, daqueles que já avisam que a família vai ter uma noite bem pior do que qualquer reunião de condomínio.

Stevens conta que hesitou ao receber a proposta porque tinha acabado de interpretar outro cientista alemão em Cuckoo. O receio era cair numa repetição, mas Wingard garantiu que o papel teria outra abordagem. Curiosamente, o trabalho anterior acabou servindo de inspiração para levar mais longe o visual e os trejeitos de Kammler.

Essa liberdade para criar um vilão mais carregado combina com a descrição de Stevens: os antagonistas seriam deliberadamente perturbados e perversos. O ator não entrega detalhes específicos da atuação, mas deixa claro que o filme não está interessado em vilões discretos que ficam esperando sua vez de falar. Aqui, a promessa é de gente que entra em cena para deixar tudo mais estranho.

Nostalgia com dentes

Para Stevens, uma parte especial do projeto foi reencontrar Wingard num momento em que o diretor já passou por produções de escala maior, como os filmes de Godzilla e Death Note. Ainda assim, a dupla voltou a filmar perto de onde fez O Hóspede, agora com mais recursos e, segundo o ator, ainda mais liberdade para se divertir.

Esse contraste é o que torna Protocolo de Extermínio interessante antes mesmo de a gente entrar na sala: a equipe retoma uma parceria de longa data sem ficar presa ao passado. A experiência acumulada pode turbinar a ação, enquanto o espírito de produção menor mantém a brincadeira em primeiro plano. Pelo menos essa é a impressão que a fala de Stevens deixa.

O filme já está em cartaz nos cinemas brasileiros. Se a mistura de horror, pancadaria e nostalgia oitentista funcionar, Wingard pode ter encontrado um jeito bem peculiar de juntar duas coisas que normalmente ficam em prateleiras diferentes. E, convenhamos, «G.I. Joe com pesadelos» é um convite difícil de ignorar.

Sugestão para o seu Set-up Nerd:

Encontramos produtos incríveis com desconto!

Ver Blu-ray O Hóspede 2014 na Amazon